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10 Considerações sobre A Batalha das Ardenas, de Antony Beevor ou sobre A Cartada Final de Hitler

O Blog Listas Literárias leu A Batalha das Ardenas - A Cartada Final de Hitler, publicado pelo selo Crítica; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - A Batalha das Ardenas é boa leitura, para quem procura por relatos de guerra e principalmente sobre movimentos e táticas militares, pois é o tipo de registro que não discute ou reflete a história, tão somente dedica-se a registra-la, no caso da obra de Beevor, com uma consistente bibliografia;

2 - O livro, portanto, dedica-se a narrar os acontecimentos de uma das principais batalhas da Segunda Guerra Mundial, nas Ardenas, cujos combates foram marcados por gigantescas baixas - de ambos os lados - combates encarniçados e que, como registra a narrativa de Beevor, expuseram as vísceras da guerra em seus piores lados - se é que haja a possibilidade de alguém com o mínimo de humanismo, poder considerar algum lado bom da guerra;

3 - Para isso, o autor por meio de sua narrativa coloca o leitor no fronto, em meio ao fogo cruzado e que de certa forma, pela ação intensa e o perigo constante permite-nos perceber com esta segura distancia a falta de sentido da guerra. Por seus parágrafos, surgem e morrem homens que travam disputas que pouco importa para quem de fato faz - e morre - na guerra, seus soldados de linha de frente;

4 - Aliás, embora Antony Beevor consiga realizar uma narrativa distanciada e aparentemente imparcial, o fato de como autor criar a janela por qual seus leitores acompanharão a história, não se pode deixar perceber a distancia que separam os homens no campo e os senhores da guerra, os militares de alta patente, que em contraste com a escassez que têm os soldados há o até glamouroso mundo dos oficiais e seus "pequenos" luxos, enquanto decidem o futuro de milhares de vidas;

5 - Logicamente, essa percepção dependerá "dos olhos" e da disposição crítica do leitor, que intercalará sua estadia por foxholes e salas de hotéis, entre soldados sob ataque, ou acompanhando por salas de hotéis as principais personalidades da Segunda Guerra Mundial;

6 - Então, ao trazer para seus registros, também o alto escalão de oficiais, e registrar momentos decisivos do combate e da própria guerra, salta-nos também a percepção de como o jogo de ego, as questões mundanas e pessoais tiveram impacto sobre os desígnios da guerra, isso em ambos os lados, cujos homens incapazes de lidar com seus vícios, ambições e desejos individuais, interferem e levam à morte, outros milhares de homens;

7 - Por isso, o livro, assim como o estilo de Beevor é interessante. Há nele certo compromisso apenas com a ação - seja de combate, seja política -, buscando com isso certa imparcialidade, de modo que o leitor tem aberto um grande campo para suas conclusões, pois o narrado na obra não conta com a problematização do autor;

8 - Aliás, Antony Beevor evita ao máximo conjeturar teorias e hipóteses, quando as faz, o é com sutileza, para apontar um ou outro evento que possa ter considerado crucial para uma ou outra consequência. Nessa obra específica, talvez a maior participação do autor seja lançar possibilidades de como As Ardenas pode ter colaborado para o avanço no lado oriental da guerra;

9 - Portanto, temos aqui uma obra crua capaz de dramatizar toda a experiência e a violência da guerra. Os relatos reunidos são de potencial macabro e que dão conta do pior que possa haver ou conter a humanidade, e ainda que não aprofunde-se nos dramas e dores das personagens abordadas, o martírio e o sofrimento da guerra descritas por Beevor a partir da realidade concreta da guerra, superam e muito os círculos infernais de Dante;

10 - Enfim, A Batalha das Ardenas, embora sem aparentemente marcações ideológicas, e na tentativa de entregar-nos uma relato de certa imparcialidade em relação á visão sobre a guerra, é uma leitura que para além do registro - tenebroso - em campo ou salões oficiais, podem abrir espaço para as reflexões críticas de leitores que o queiram.


Um comentário:

  1. Finalmente este livro foi editado no Brasil. Publicado na Europa, incluído edição Portuguesa, a muito tempo, só agora é lançado no Brasil. Mas antes tarde que nunca

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