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10 Considerações sobre Quando As Pombas Desapareceram, de Sofi Oksanen

O Blog Listas Literárias leu Quando As Pombas Desapareceram, de Sofi Oksanen publicado pela editora Record; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - Quando As Pombas Desapareceram é um romance intrincado que busca reproduzir os impactos e o drama em um país subjugado por duas forças estranhas obrigando a população da Estônia a caminhar sobre ovos enquanto alemães e russos espalhavam o terror por suas cidades;

2 - E para isso Sofi Oksanen estrutura seu romance a partir de três (na verdade quatro) personagens imersos numa Estônia que ora estava sob comando da Alemanha, ora sob comando da Rússia. No meio desse conflito todo e permanente estado de sítio os personagens agem de forma distinta em meio à sobrevivência, contudo com seus caminhos sempre interligados;

3 - Entretanto, o que pareceu-me um tanto confuso é justamente que pela necessidade destas teias intrincadas a narrativa ser apresentada de forma bastante fragmentada sendo dividida em uma voz em primeira pessoa e outra em terceira, mas bastante intrusa, aliada a recortes temporais com saltos em diferentes anos. Isto acaba dando à leitura certa sensação de truncamento e um princípio de narração em ritmo um bocado lento;

4 - Além disso a estrutura estética ainda que toda fragmentada talvez fosse desnecessária visto que no fundo estamos diante uma narrativa linear que até se poderia narrar sem tais saltos, assim como talvez, mas só talvez, a manutenção de uma única voz narrativa concedesse maior dinâmica ao texto;

5 - Contudo, não se pode negar que trata-se de uma obra contundente, especialmente porque ao seu final a amarração do desfecho é uma das grandes virtudes da obra e que mais do que isso, irá alterar profundamente o status de seu antagonista, Edgar Parts, pois a despeito de uma possível caracterização como sobrevivente ou covarde não se sustenta ao final do livro, dando ares mais sombrios e vilanescos ao personagem;

6 - Ademais é deveras interessante as nuances e as sutilezas as quais vamos percebendo nas personagens que diferentemente de grande parte dos estonianos nos períodos citados, elas acabam estando de forma mais presente junto aos invasores constante revelando inclusive qualquer presença de ideologia, especialmente em Juudit e Edgar, que fazem de tudo para tentar tirar proveito de uma situação difícil;

7 - Os dois na verdade soam com verdadeiras serpentes, ainda que ela acabe agindo de forma mais passional do que Edgar, este sim um canalha que tenta agradar a deus e o diabo sendo capaz de atitudes execráveis para dar-se bem. Além disso, o fato da narrativa ser bastante invasiva, amplia ainda mais suas piores características;

8 - Porém, como disse, mesmo que relevante e interessante temos uma obra cuja narrativa é lenta e a fragmentação já abordada torna tudo muito solto, mas isso, digo-lhes não é problema porque o final explicará tudo, contudo o risco que se corre é de o leitor menos insistente cansar da leitura antes disso;

9 - Vale destacar ainda que por se ambientar na Segunda Guerra é mais uma das obras que podem nos ajudar a refletir sobre aqueles tempos, que no caso do romance nos coloca diante de um país que é colocado a mercê dos interesses das grandes potências que menosprezam qualquer outra coisa que não seja o poder, e assim, criam situações como a da Estônia sendo comandada por diferentes forças ideológicas que devastam o país enquanto seus habitantes sitiados tem de viver sobre uma linha muito fina de equilíbrio onde qualquer deslize é a morte;

10 - Enfim, talvez por isso seja difícil elencar protagonistas no romance (o mais próximo é justamente Roland, a voz em primeira pessoa) porque a narrativa de Oksanem nos coloca diante uma série de antagonistas que enfatizam as barbáries e a covardia dos atos em tempo de guerra, inclusive daqueles que aparentemente tentam apenas sobreviver. No geral é um bom livro e com um excelente e impactante final.




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