10 Livros que todo CLT deveria ler

Afastar as classes operárias da leitura e da literatura, de modo geral é projeto. Um projeto, vale a pena ressaltar, para lá de eficiente, afinal, você acha que se os trabalhadores fossem incentivados à leitura (aliás, como ler com a jornada de trabalho tão longa? como comprar livros se como diz Antonio Candido, há emergencias mais urgentes a se satisfazer?) teríamos tantos trabalhadores repetindo o discurso pró-milionário e contra o fim da 6x1? No post de hoje selecionamos 10 livros essenciais que todo CLT deveria ler, confira:


1 - A metamorfose, de Franz Kafka: O exemplo mais imediato da cooptação do indivíduo pela ideologia de mercado e do capitalismo. O camarada desperta como um inseto e ainda assim sua maior preocupação pe bater o ponto, trabalhar. O conto é sempre lembrado enquanto alegoria do indivíduo que tem dele tudo tirado, uma máquina cuja função é tão somente trabalhar;

2 - Vidas secas, de Graciliano Ramos: Embora escrito na década de 30, basta uma pesquisada por notícias atuais que encontrará mesmas formas abusivas de trabalho pelas quais o sertanejo Fabiano precisa lutar. Um explorado sem vez e voz que peregrina de fazenda em fazenda vendo o sonho morrer a cada ajuste de contas com seus patrões. O que não falta no campo e na cidade são situações análogas à escravidão como vimos nessa obra basilar da literatura nacional;

3 - Em defesa do tempo, de Jenny Odell: Abriremos aqui espaço também para a leitura de não-ficção e infelizmente este é um trabalho que normalmente é lido apenas por burgueses e uma pouca quantidade d trabalhadores mais esclarecidos. Mas essa é uma leitura fundamental para você compreender o quanto seu tempo tem sido sequestrado por uma remuneração irrisória. Enquanto as elites vivem com tempo de sobra, os trabalhadores apenas dormem para seguir novamente tudo de novo no dia seguinte. Alguém em sã consciência consegue dizer que isso realmente é viver?

4 - Fabulário geral do delírio cotidiano, de Charles Bukowski: O autor é mais lembrado pela obscenidade pelo que de fato poderia ser lembrado - e talvez idolatrado. Como poucos é capaz de descrever a vida de merda dos trabalhadores norte-americanos, a vida miserável e empobrecida dos operários "daquele paraíso". Uma paulada no tal sonho americano e mais do que isso, um deixar nú todas as desigualdades nas relações de trabalho. Não tenho dúvida alguma que Bukowski seja uma leitura fundamental a todo CLT... + na Amazon

5 - A revolução dos bichos, de George Orwell: A clássica fábula vai muito além de uma metáfora do regime de Stalin. Não negamos isso, contudo, sob uma análise profunda - ou nem tão profunda assim - você perceberá que muito mais do que regime político, ali estão representadas relações de trabalho, e estas da forma mais opressora e exploradora possível da mão-de-obra. Tanto que o regime de Napoleão passa a ser o mais admirado pelos fazendeiros capitalistas à sua volta (Milei teria inveja de Napoleão, sem a necessidade de pagar salário, apenas comida em troca e bem racionada) pelo sistema brutal de produção estabelecido na granja. Aliás, o cavalo Sansão bem poderia representar o trabalhador moderno, incapaz de perceber a exploração e entregar o máximo de si ao sistema;

6 -  O cortiço, de Aluísio Azevedo: Essa era uma leitura obrigatória em minha época de escola e que bom que eu lia. Naquele tempo muito associei João Romão ao bodegueiro da comunidade que explorava todos seus clientes no caderno do fiado. Ou seja, a literatura pode nos desvelar o que está muito próximo. Além disso, a abordagem naturalista também nos traz os princípios básicos do capitalismo mais atroz da exploração do homem pelo homem. Assim foi sendo constituída a nossa nação e também a fortuna de João Romão. Neste livro já está presente a ideia de que fique rico explorando os miseráveis. Sem falar em Jerônimo, ainda hoje metáfora do trabalhador que se pensa ele mesmo rico, o cérbero burguês de nossas elites que está muito mais próximo do assalariado que do patrão, mas enxerga tudo ao contrário;

7 - O ócio criativo, de Domenico de Masi: Mais um de não ficção que gostaríamos de trazer para baila. Mas aqui há um porém, a idéia do título é complexa e problemática, ao mesmo tempo que aborda a importância do ócio, há um tanto de utilitarismo se esse ócio for apenas em função de produzir e criar mais. Mas, o livro vai além disso, por isso vale a pena, e é uma ótima leitura para pensar a importância da redução das jornadas de trabalho... + na Amazon

8 - Capão pecado, de Ferréz: Um livro da quebrada, uma narrativa que fala de todas as relações em uma comunidade, de quem vai para um caminho torto, mas também sobre aqueles que ficam entre a cruz e a espada, os trabalhadores. Um olhar cru e autêntico vindo de uma voz da própria periferia e isso muda muito a produção literária;

9 - Os supridores, de José Falero: Se tem alguém que entende do CLT é esse camarada. Vindo das periferias gaúcha, o ecsritor nos traz um romance que para além do ingênuo sonho dos dois jovens trabalhadores em mercado em enriquecer no tráfico, a bem da verdade mostra como o trabalho é incapaz de ofertar aos trabalhadores uma existência minimamente digna. A realidade dos dois supridores é gigante, das fragilidades da educação ao salário que mal da conta de uma moradia. Um livro pra mandar para aquele lugar esses coach que ensinam a coisa mais fácil do mundo, economize 10% de suas receitas... não entendem a insuficiência do salário na maioria dos empregos formais desse país... José Falero joga isso na cara de todo mundo;

10 - Escravidão contemporânea, de Leonardo Sakamoto: Fechamos a lista com mais uma obra de não-ficção, aqui um trabalho relevante na compreensão das novas formas de trabalho que levam à precarização do mercado de trabalho no país, inclusive, essencial, para entendermos o atual momento do emprego no Brasil;

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem