10 Bons motivos para conhecer Yishaq: O guerreiro negro de Soba, de Marcos Lagrotta

No post de hoje convidamos nossos leitores a conhecer mais uma novidade de nossa liretatura, um novo romance histórico, Yishaq, o guerreiro negro de Soba em sua jornada em pleno século XVI. Confira 10 boas razões para conhecer este trabalho do escritor Marcos Lagrotta: 


1. Nos últimos anos, Yasuke voltou ao centro da cultura pop e da historiografia internacional. Biografias como African Samurai (Thomas Lockley & Geoffrey Girard, 2019) reconstruíram com vigor documental o período japonês do personagem, apresentando ao grande público o primeiro “samurai estrangeiro” e suas passagens mais célebres — do encontro com Nobunaga ao episódio de Honnō-ji. Na França, Yasuké. Le samouraï noir (Serge Bilé, 2018) seguiu o mesmo caminho, e, no Brasil, surgiram títulos introdutórios e infantojuvenis que, embora essenciais para a difusão do tema, concentram-se majoritariamente no ciclo japonês, com pouca ou nenhuma atenção ao pano de fundo africano ou ao arco espiritual do protagonista.

2. Nesse cenário, Yishaq oferece algo diferente — e necessário. O romance reconstrói o continente anterior de Yasuke com uma ambição rara na ficção histórica em língua portuguesa. A narrativa nasce na antiga Núbia, atravessa Alódia e Fazughli, incorpora a cosmovisão dos povos Dinka (com Nhialic e os salmos em geʿez), percorre Moçambique, Goa e Lisboa, e só então irrompe no Japão Sengoku com toda a carga de sentido acumulada. Yasuke deixa de ser um fenômeno isolado em Kyōto para se tornar, enfim, um personagem transcontinental — corpo, memória e fé em movimento.

3 - O livro portanto nos leva a jornada épica de Yishaq — cristão negro forjado entre os cantos a Nhialic, o deus celeste de seus ancestrais, as lanças dos Dinka e os salmos entoados nas igrejas coptas primitivas de pedra e barro. Quando sua terra sucumbe a invasores islâmicos, ele atravessa o mundo: de Fazughli a Moçambique, de Goa a Lisboa com os jesuítas da Companhia de Jesus, até alcançar o Japão em guerra no ocaso do Período Sengoku;

4. Antes de se tornar Yasuke, houve Yishaq: personagem de ficção enraizado em solo histórico. Para compreender sua jornada, é preciso reposicionar o eixo narrativo. Este romance parte da África e percorre, com rigor e imaginação, as rotas que ligaram o Nilo ao Índico, o Índico a Lisboa, e Lisboa ao Japão em guerra. Não se trata apenas da aventura de um homem: trata-se do testemunho de encontros — e confrontos — entre mundos. Forças políticas, espirituais e culturais colidem e dialogam nesse percurso, e é nesse entrechoque que o protagonista é forjado.

5. Além da escala, o romance propõe uma estrutura narrativa original: toda a história é confiada à voz do jesuíta Alessandro Valignano, já no fim da vida, que guarda um alforje com as memórias de Yasuke escritas em copta, geʿez, português, latim e japonês. Ao transmiti-las oralmente a um jovem africano, ele se recusa a permitir que a Europa “aplane” a voz do protagonista. A escolha não é apenas estética, mas ética: o livro entrelaça memória oral africana e documentação luso-japonesa como dois fios de uma mesma verdade — contrastantes, mas inseparáveis.

6. Além da narrativa literária, o livro oferece também um apêndice digital com um arcabouço histórico robusto, com capítulos temáticos e contexto amplo (Núbia, Alódia, Fazughli, cristianismo oriental, missão jesuíta, rituais africanos, Japão Sengoku, shogunato, shinobi, sexualidade, ética samurai...), útil tanto para o leitor geral quanto para o pesquisador; Uma poética da memória resistente, onde o romance se assume ficcional, mas firma um pacto com a verdade humana do passado: “a memória [...] pode atravessar desertos e oceanos, séculos e impérios”;

7. A publicação promete que comparada às biografias internacionais — que se concentram no ciclo japonês e na ascensão cortesã de Yasuke — Yishaq desloca o centro de gravidade do personagem. Em vez de um herói que “nasce” ao pisar Kyūshū, vemos um homem cuja dignidade foi forjada entre igrejas coptas de barro, salmos em geʿez e os códigos de honra dos pastores do Vale do Nilo. Isso representa um ganho simbólico e narrativo decisivo: a história deixa de ser “curiosa” e passa a ser necessária — porque explica, com raízes e lógica interna, como um africano cristão pôde tornar-se guarda de um daimyō no extremo oposto do mundo sem perder o fio de sua origem;

8. O diálogo de Yishaq com a bibliografia existente é, portanto, ao mesmo tempo complementar e transformador: onde African Samurai documenta o Japão, Yishaq ilumina o que veio antes e o que veio depois — a África cristã oriental, as rotas do Império Português, os silêncios coloniais, o trânsito missionário e a tensão entre fé e política. Para o leitor que chegou a Yasuke por meio do anime, da série da Netflix ou da literatura juvenil, este romance oferece algo que essas obras não pretendem oferecer: lastro histórico, imersão sensorial e consciência crítica. Pesquisa, estética e humanidade respiram juntas em cada página;


9. Marcos Lagrotta resume seu livro em uma frase: "Yishaq: O Guerreiro Negro de Soba é o romance que devolve a Yasuke o seu continente perdido — e transforma um ícone em história total. África, Europa e Japão coexistem na mesma travessia; voz oral e arquivo escrito se inflam no mesmo fogo; mito e documento se reconciliam num só corpo narrativo";

10. Em sua obra Marcos Lagrotta  [veja perfil do autor]  apresenta um projeto literário ambicioso ancorado em rigorosa pesquisa histórica conduz o leitor por uma jornada épica que atravessa reinos esquecidos da África Oriental, fortalezas portuguesas no Índico e os campos de batalha do Japão feudal. A partir de uma minuciosa pesquisa histórica, Marcos Lagrotta recria o percurso de um jovem núbio cristão que, arrancado de sua terra natal, enfrenta o silêncio da travessia, os conflitos da fé e a brutalidade das guerras imperiais. Em prosa densa e sensível, o romance entrelaça mito, memória e identidade, dando voz a uma figura histórica apagada pela narrativa ocidental: Yasuke, o samurai africano.

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