10 Considerações sobre Sol negro, de Everton Ilkiu ou sobre novas cruzadas

 O Blog Listas Literárias leu Sol negro, de Everton Ilkiu publicado pela editora Dialética; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro. Confira:


1 - Colocando o Brasil na rota dos mistérios da Segunda Guerra Ilkiu busca em sua narrativa entregar-nos ares de thriller, o que se aproxima é bem verdade, mas não sem não banhar-se e muito no cartunesco e no inverossímil de uma aventura marcada por ação e personagens envolvidos numa busca secreta ou quase isso;

2 - Falemos do cartunesco citado, primeiramente. Aliás, cartunesco a nós, neste texto, trata-se da aproximação ao animado, ao desenho animado. Ocorre que a narrativa nos deixa a sensação de estarmos diante um desenho animado, uma espécie de Carmen Sandiego, sem Carmen.  Talvez pela ação envolvida, pela ingenuidade da ação e envolvimento dos personagens, enfim, a sensação do cartunesco paira no ar;

3 - E uma razão para isso pode ser explicada, talvez, pela inverossimilhança constituinte da obra. Ela está presente em muitos aspectos da narrativa. Curiosamente não no enredo geral do livro, que faz algum sentido em seu estilo Dan Brown de conspirações. Todavia, está nos elementos menores - ou nem tão menores - como personagens ou no desenvolvimento de certas ações;

4 -  Dois exemplos do que tratamos aqui pode ser visto no primeiro diálogo dos sequestradores no cativeiro, que como nos melhores exemplos do desenho animado - ou dos filmes pastelão narram todo seu plano secreto, ou então quando Edu e Sara adentram a um pavilhão da Marinha e passam quase que um férias inteira sem ser notados. Mais que isso, a narrativa da indícios de gritos um com outro, de modo a não transparecer cuidado algum Tudo muito inverossímil ao leitor mais atento;

5 - Além disso, soa um tanto inverossímil ou no mínimo ingênuo como os dois protagonistas acabam adentrando à investigação. Por um lado faz sentido visto o caráter de iniciação de ambos ao mundo detetivesco, por outro, faz com que o livro soe mais para a animação que ao thriller;

6 - Aliás, parece-nos que a busca pelo thriller seja justamente as intenções do autor. Seu enredo está montado para isso, mesmo que numa roupa juvenil, algo de coleção Vaga-Lume. A ideia central de um artefato nazista no Brasil faz sentido na perspectiva histórica e dá o tom, como falamos, das cores de Dan Brown ao romance;

7 - Ademais, faz sentido também procurar retratar grupos neonazistas, que como sabemos, muitas células persistem, ainda que não seja a pegada da discussão crítica do problema a intenção dos livros. A ideia presente está mais na mitologia misticista dos nazistas e seus artefatos carregados de poder e mesmo a possibilidade da existência de um Führer;

8 - E aqui adentramos a outro aspecto da narrativa que pode causar incômodo a leitores. A despeito do texto até que dinâmico e envolvente, acaba com algum prejuízo que poderia ser evitado com boa revisão. Um desses exemplo é o engano recorrente de utilizar a expressão verbal em vez do substantivo Führer, como deveria ser. Isso é mais incômodo especialmente a leitores contumazes sobre a Segunda Guerra;

9 - Todavia, embora estas questões que podem chamar a atenção dos leitores e causar certa resistência, há pontos positivos da narrativa, entre eles a agilidade e a dinâmica impressas ao livro, marcado pela ação, de modo que se o tomarmos pelo aspecto cartunesco, parece-nos ainda mais atrativo;

10 - Enfim, entre altos e baixos, Sol negro pode tanto animar quanto causar algum incômodo, dependerá muito da disposição do leitor, bem como seu nível de exigência. Se tomar pela aventura descompromissada e sem o pacto da verossimilhança, seus problemas diminuem um tanto mais, tendo a revisão, talvez o mais persistente.

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