10 Livros e o corpo sob perspectiva feminista

 No post de hoje selecionamos 10 livros em que encontramos uma discussão feminista do corpo, especialmente dos corpos femininos. O corpo e as mulheres têm sido apropriadas ou anuladas pelas visões masculinas dominantes na cultura, ainda muita erigida pelo patriarcalismo e o capitalismo. Não raro isso resulta em corpos ou narrativas que as mulheres são objetificadas. Nesta lista selecionamos 10 grandes obras de ficções que denunciam ou discutem este domínio. Confira:


1 - O conto da aia, de Margaret Atwood: Mais que uma distopia, a narrativa mostra de forma radical a apropriação masculina da própria fertilidade feminina. A mulher é subjugada pelo poder tirânico de teocracia existente no romance. Nas recentes discussões sobre o aborto, a adaptação televisiva do livro está sempre presente entre os movimentos feministas;

2 - Desesterro, de Sheyla Smaniotto: Livro nacional que todo mundo deveria ler. Com tintas naturalistas, o corpo e a terra se reintegram sob a opressão e o abandono dos homens reinantes desse patriarcado. Na narrativa o abandono e o apagamento do feminino é voraz. Uma narrativa que de forma brilhante - mas triste, descerra a condição da mulher - da mulher pobre nesta nação de homens e para homens;

3 - O corpo delas e outras farras, de Carmen Maria Machado: Esse livro sim construído todo a partir do corpo, um corpo em escrita feminina. Pelo caminho do realismo mágico - fantástico, os contos que compõem o livro versam especificamente sobre o corpo delas, em todas as suas vitórias e angústias;

4 - As horas vermelhas, de Leni Zumas: Outra narrativa de teor fantástico, mas que, grosso modo, narra a condição feminina nas sociedades atuais. A opressão, a incompreensão, tudo isso num mundo confuso e estranho. O corpo feminino também posto em debate pelo livro;

5 - Das meninas e das outras e outras histórias, de Janaína Buccioli: Outro livro de contos, estes brasileiros e de uma grande qualidade, embora, provavelmente desconhecidos, estão neste livro que também partem da questão feminina. Um em especial é de grande potencial visual tendo o corpo feminino como premissa;

6 - As brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradlay: Uma das obras de fantasia mais polêmicas dos últimos tempos, isso porque a fantasia parte da perspectiva e participação feminina nas lendas arturianas. Obviamente o corpo e a condição de mulher estão, mesmo que transversalmente, presentes na narrativa. Machistas de plantão simplesmente odeia Bradlay com todas as suas forças;

7 - Fique Comigo, de Ayòbámi Adébáyò: No livro, a luta existencial que é ser mulher na sociedade e na cultura nigeriana. Yejide é constantemente cobrada e pressionada por tais valores que lhe exigem cumprir determinadas rotinas para com seu círculo social, especialmente a maternidade. Todavia, a autora não o faz de maneira panfletária, até porque as cobranças aqui são partilhadas, e indício disso é não só o fato de ela dividir a narração com Akin, mas também pelos próprios dramas dele, não menos intenso de que os seus;

8 - O poder, de Naomi Alderman: Nesta distopia uma vingança radicalizada do domínio patriarcal, ainda que, a sociedade que derruba, acaba por fim espelhando a sociedade derrubada; mas isso não tira o efeito de grito da narrativa e da sua tentativa de dar ao corpo feminino o poder que já está lá, mas é sequestrado pelo patriarcado;

9 - Circe, de Madeline Miller: Adentra a um grupo de narrativas que procura dar voz a vozes um tanto encobertas, revisitando uma personagem envolta de alguma névoa, mas cada vez mais presente na cultura popular. Ademais, traz ainda importante posicionamento, porque não pode-se ler o livro sem ter em mente a luta e a força feminina. Em termos gerais é boa ficção e um bom divertimento, que não só revela outras possibilidades à Odisseia, mas revisita e vitaliza mitologia muito presente entre nós;

10 - Coragem, de Rose McGowan: uma das vozes feministas mais fortes da atualidade, que ao acusar o produtor de Hollywood Harvey Weinstein por suas práticas de assédio sexual, desencadeou toda uma gigantesca luta das mulheres na maior indústria do entretenimento; no livro, além de sua vida em Hollywood, de forma intensa, em muitos momentos até mesmo verborrágica, a atriz fala de sua história e desnuda um mundo hostil às mulheres, meninas, crianças...

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