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10 Considerações sobre Sem lógica para o amor, de Tracey Garvis Graves

O Blog Listas Literárias leu Sem lógica para o amor, de Tracey Garvis Graves publicado pela editora Jangada; neste post as 10 considerações da Gi sobre o livro, confira (Essa resenha contém spoilers, que, embora, vistos em elementos paratextuais do livro, caso deseje evitá-los antes da leitura, não prossiga):


1 - Narrado em duas perspectivas temporais e por dois narradores distintos, com certa preponderância para a narração de Annika, Sem lógica para o amor apresenta-nos uma história inicialmente nublada, misteriosa, mas que ganha ritmo e explicações no decorrer da trama, nos cativando especialmente quando passamos a compreender os elementos e questões que envolvem Annika, especialmente;

2 - O estranhamento inicial se dá justamente pela questão dela fazer parte do espectro autista, informação que embora protegida no desenvolver da trama, é encontrada nos elementos paratextuais do livro, de modo que não temo aqui cometer spoilers não previstos pela publicação. Digo isso porque a experiência inicialmente foi justamente mergulhar na leitura sem ler tais elementos; nesse mergulho incerto, o iniciar da narrativa é então um tanto nebuloso e estranho, o que, claro, é condigno com as características da narradora. Passamos a entender melhor a jornada, então, justamente quando compreendemos a perspectiva autista de Annika;

3 - Annika estuda literatura inglesa, sonha trabalhar em uma biblioteca e participa de um grupo de xadrez. Entretanto, diferente de muitas outras meninas de sua idade, não gosta de barulho, evita aglomerações humanas e demonstra uma forte sinceridade. É nesse momento que conhece Jonathan, na faculdade, e começam namorar;

4 - Tudo isso no tempo em que a narrativa se desenvolve nos anos 90, época das primeiras experiências dela, o primeiro beijo, a primeira transa. Contudo, como muitas vezes ocorre na juventude, decisões erradas levam o relacionamento dos dois ao fim, ou pelo menos, até um reencontro dez anos depois, propiciado por uma tragédia;

5 - Nesse reencontro ela procura mostrar que não é mais a mesma. Realizou o sonho de trabalhar numa biblioteca, mora sozinha, mostrando sua independência e amadurecimento. Vale destacar que no livro as idas e vindas no tempo são intercaladas, de modo que presente e passado apresentam-se ao leitor conjuntamente;

6 - Já Jonathan, por sua vez, quando jovem cheio de si, confiante e com sonhos de morar em Nova Iorque, dez anos depois percebe viver dentro de uma farsa. Um casamento de aparências, cercado de bajuladores. Por isso o reencontro com a ex-namorada, para ele também pode ser um recomeço, um religar com "a verdade";

7 - Todavia, a narrativa, a partir disso, então, passa a ser sobre o desafios que ambos têm de modo a aprender com e corrigir os erros que separaram-nos no passado, bem como, superar determinadas barreiras para que só assim possam descobrir de fato se o amor entre eles é mais forte;

8 -  Vale dizer aqui que grande parte dos sofrimentos de Annika se devem a falta de um diagnóstico a respeito do autismo. Embora inteligente e dedicada, passa a vida incomodada com diferentes coisas, além, é claro, em razão disso tudo, não se encaixar plenamente na sociedade, levando-a a certo isolamento. Tudo é mais impactante na juventude, claro, com bullying, incompreensões, que no mundo adulto são apenas amenizadas por sua nova forma de encarar a vida, apesar das dificuldades que ainda têm para encarar certas coisas. Na verdade, para ela o mundo é um lugar incômodo;

9 - Aliás, talvez a questão mais questionável na narrativa seja justamente o fato de ela procurar, quando adulta, por terapia, e a terapeuta mostrar-se incapaz de cogitar o real problema de Annika, o que é percebido justamente por Jonathan, que nesse reencontro, tenta também encontrar as causas de determinadas atitudes, de modo que o diagnóstico do espectro chega mais ao fim da trama, deixando para trás uma série de possibilidades não vividas em virtude do desconhecimento - e diagnóstico;

10 - Enfim, acima de tudo, para além do romance existente na narrativa, a trama nos faz pensar como o mundo é difícil para os autistas - potencializado nesse caso, pela falta de um diagnóstico. Todavia, mostra também que mesmo com todos os problemas e dificuldades, a personagem é muito forte e que não desiste de seus sonhos. Em suma, uma leitura interessante, também relevante.

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