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10 Considerações sobre Janis Joplin, Sua Vida, Sua Música, de Holly George-Warren

O Blog Listas Literárias leu Janis Joplin, Sua Biografia, Sua Música, de Holly George-Warren publicado pela editora Seoman; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:


1 - O livro de George-Warren apresenta-se com uma biografia definitiva da mulher mais influente da história do rock e, para tanto, procura dar conta com muita informação e detalhes que mais do que desnudar o fenômeno Janis Joplin torna ainda mais fosca e complexa a jornada de uma mulher atormentada por seus demônios pessoais e dotada de um talento excepcional;

2 - Vejo isto como uma vantagem. Longe de querer responder algo sobre Janis Joplin, Holly resgata sua vida em toda a carga dramática, por vezes indecifrável de suas angústias e dores. Nisso, não deixa de trazer as contradições da própria Joplin e de como seu mundo era mundas vezes visto sob uma lente muito particular, marcado, a depreender da leitura da biografia, por uma incompreensão existencial radical capaz de levar Joplin sempre às últimas consequências até a sua morte aos 27 anos, seu passaporte de entrada ao mais sombrio Clube Musical;

3 - Todavia, é preciso dizer que paira sobre a biografia a sensação de que Janis acaba sendo vítima da própria liberdade e da intelectualidade familiar, especialmente do pai. É como se a postura de Seth causasse na garota Joplin uma influência radical a partir da leitura que ela faz do mundo. Isso é perceptível como o termo Farsa do Sábado à Noite é recorrente, como se a partir desse concepção o mundo enquanto simulacro se tornasse um inimigo voraz de Janis Joplin;

4 - Aliás, a biografia procura discutir os laços familiares e como eles acabam influenciando Janis Joplin. Nem oito, nem oitenta. George-Warren não deixa de trazer o afastamento destes vínculos, entretanto, procura se afastar de mitos muitas vezes estimulados pela própria Janis Joplin, que dramatizava radicalmente a relação familiar. Na verdade, em seu caminho autodestrutivo temos a complexidade de uma personagem que clama pela atenção familiar, mais que atenção, por aceitação, mas que também percorre o caminho do afastamento, do distanciamento escolhido;

5 - Claro que também a biografia traz a visceral relação de Janis Joplin com as drogas, para ela um ponto de escape da "farsa". Um refúgio, no seu caso nada seguro e que com a heroína atirou-lhe ao abismo da morte. Lógico que nessa relação não se pode deixar de lado o contexto, a contracultura, o beatinik, os hippies, e todo o alvorecer psicodélico de uma geração inteira. Nesse sentido, enquanto artista e absurdamente intelectual, Janis Joplin é uma filha de seu tempo, de modo que é difícil falar de arte e anos 50, 60 e 70 sem termos a presença de LSD, anfetaminas etc. No caso de Joplin, o desfecho trágico em grande parte por sua busca irrefreada a limites que nunca se apresentavam a ela;


6 - Mas não se trata só do lado autodestrutivo de Joplin, a biografia. Pelo contrário. O livro reforça entre outras coisas o inconformismo da cantora com os padrões, com as regras impostas pela sociedade. Seu deslocamento social talvez uma demonstração disso através de seu fascínio pela música negra em tempos de segregação (não que o fato de cantar blues não tenha gerado críticas). No fundo a sensação de falta de pertencimento, de não achar-se dentro de seu círculo social. Janis é marcada pelo símbolo do rompimento e pelo preço a se pagar por esses rompimentos;

7 - Também nos é patente na leitura da biografia a figura obstinada da cantora. Se há, claro, o talento, há também na escrita de George-Warren a demonstração do quanto a cantora era dedicada ao conhecimento, ao estudo e à intelectualidade da arte. É notório o quanto Janis tinha noção de seu talento, mas também do quanto estudava e pesquisava atrás de talvez, a perfeição. Leituras, biografias, ficções, audições, discos antigos, tudo era material na construção de suas referências e influências;

8 - Além disso, no que se refere a obstinação é interessante observar a insistência da cantora em não apenas querer se dedicar à arte, mas a insistência em afastar-se de uma vida programada, calculada. Se de modo geral as pessoas rememoram o meteórico já no estrelato, a fama de Janis, a biografia narra a jornada complicada e cheia de conflitos até o sucesso. Ao narrar, uma demonstração de que nem todos talvez tivessem a disposição para tal desprendimento a uma vida mais que insegura, instável e perigosa como foi desde sempre a vida de Janis Joplin;

9 - Assim temos uma história que se equilibra entre o talento, a fama e o sucesso em contraste com a autodestruição e os monstros que ao grudarem-se nela de tal modo, nunca mais largaram. Monstros parecem nascidos na sua tenra juventude, nas angústias e interpretações radicais de sua visão de mundo, que podemos presumir na leitura desta biografia a acompanharam até sua morte. No curto espaço de sua vida Janis Joplin viveu uma vida tão intensa que talvez no fundo estivesse satisfeita consigo mesma, já que não chegou a conhecer o marasmo e a calmaria;

10 - Enfim, Janis Joplin, Sua Vida, Sua Música é biografia bastante completa e capaz de penetrar as complexidades de uma humanidade paradoxal como fora Joplin. Leitura não apenas para fãs, mas a todos os interessados nas artes, na música, na cultura... mas acima de tudo aos interessados nos dramas humanos, pois para além da biografia, temos aqui o drama humano em toda a sua potência; assim como era a voz de Janis Joplin.

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