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10 Considerações sobre Gritos no Silêncio, de Angela Marsons, ou como persistir uma investigação

O Blog Listas Literárias leu Gritos no Silêncio, de Angela Marsons publicado pela editora Gutenberg; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - Com uma detetive protagonista pintada com tintas do noir e a agilidade e a dinâmica dos thrillers contemporâneos, Gritos no Silêncio, dentro do seu gênero é ótimo exemplar, ideal para amantes da boa literatura policial;

2 - Sobre a protagonista, a detetive Kim Stone, vale dizer que dá a força do romance enquanto narrativa policial, pois é constituída das tragédias do noir, entretanto sem grande pedantismo, de modo que equilibra seus traumas com seu estilo heroico a tornam uma personagem obstinada e às vezes obsessiva por sua sede de justiça;

3 - Entretanto, Kim Stone não torna-se aquela heroína tornada rígida pelas virtudes um tanto inverossímeis, visto que o modo duro com que enfrenta seu passado e mesmo a fachada que busca construir para fugir dos envolvimentos, dão a ela a fragilidade necessária para torná-la humana e passíveis de falhas, o que aliás, pode abrir brechas para pequenos erros que podem custar a vida;

4 - Se Kim Stone como protagonista segura bem o romance, tem também a colaboração da trama, bem engendrada e intrincada o suficiente para não desagradar os fãs do gênero, que ao final serão como pede o thriller, levados a uma gangorra de acontecimentos;

5 - Nesse sentido, o enredo e suas amarrações são plenamente convincentes e suas teias vão armando-se de tal modo como pede a narrativa policial, interligando os acontecimentos que no caso do respectivo romance demandam da polícia intenso trabalho na corrida pela resolução de duas cadeias de assassinatos, uma no presente e que desperta a investigação e uma outra, que precisará resolver crimes antigos e até então insolúveis do passado;

6 - Com isso, do princípio ao fim, como, mais uma vez, demanda o gênero, a narrativa desenvolve-se numa sequência ágil de descobrimentos e acontecimentos, o que colabora para uma leitura voraz, elemento dos mais relevantes nestas narrativas, visto que o suspense quando bem provocado instiga-nos uma página após a outra;

7 - Além disso, os crimes a serem investigados por Kim Stone acabam servindo ainda de janela de apresentação a problemas sociais, como os das meninas órfãs, atiradas a sorte, jogadas em abrigos como descarga a ser escondida do restante da sociedade aparentemente perfeita. Aliás, as investigações de Stone desvelará como monstros sociais podem usar da fragilidade de determinados estratos da sociedade para viver uma vida de impunidade;

8 - Sem falar que os segredos estão envoltos por acordos que evidenciam as piores escolhas das pessoas e o quanto o medo ou a ameaça de ver sucumbir suas próprias histórias é capaz de levá-las a escolhas medonhas e repugnantes, tudo para manter suas posições invioladas, especialmente se aqueles que sofrerem com suas ações não interessarem a sociedade;

9 - Assim estabelece-se uma rede de manipulações e mortes, mas caminhando pelos terrenos da psicopatia enquanto elemento central do antagonismo. A bem da verdade, Marsons embora na maior parte leve seu texto em terceira pessoa, abre lapsos de voz ao assassino, que apresenta-se então como um psicopata cheio de maldade, sendo talvez essa abertura desnecessária;

10 - Enfim, para quem curte narrativas policiais, Gritos no Silêncio é ótima pedida. Trama consistente, voltas e reviravoltas cheias de adrenalina e personagens construídos com consistência, além das surpresas (talvez nem tão) do desfecho cheio de ação ao final do romance. É portanto uma narrativa que cumpre seus papel assumido.


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