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10 Considerações sobre Sob águas escuras, de Robert Bryndza ou sobre descobertas inesperadas

O Blog Listas Literárias leu Sob Águas Escuras, de Robert Bryndza publicado pela editora Gutenberg; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - Dinâmico e com diferentes possibilidades, Sob Águas Escuras é um thriller que cumpre as exigências mínimas do gênero, com sua trama bem amarrada, reviravoltas e acima de tudo um final capaz de guardar surpresa para seu desfecho;

2 - A trama traz novamente a detetive Erika Foster ao comando de uma investigação capaz de atrair a atenção da imprensa e da sociedade, um crime cujo desaparecimento se deu há décadas e que causara traumas a todos os envolvidos, e cuja retomada não será menos problemática para Foster;

3 - Tudo se inicia então com a descoberta dos restos mortais de menina Jessica Collins, sumida há 26 anos, fato novo que coloca Erika Foster, uma detetive de potencial, mas que via de regra dedica-se mais ao trabalho de que a preocupações com promoções de carreira, que diante do novo desafio e de certa forma fortemente influenciada por um desejo de fazer justiça, acabará enfrentando não só problemas com o caso, mas também internamente;

4 - Isso, mesmo que com certa leveza, da toques de noir ao thriller visto que a detetive terá em paralelo ao trabalho, lidar com seus tramas - alguns recentes - seus medos e desconfianças, ao mesmo tempo que se vê mais e mais imbrincada num caso aparentemente insolúvel e cheio de pistas falsas;

5 - Além disso, há ainda o fato de que dentro da própria polícia há complicadores, como a intromissão da antiga responsável pelo caso, os vazamentos e sabotagens internas, além das pressões corporativas que tanto incomodam a atrapalham Foster;

6 - Todavia isto dito, é contudo uma narrativa de grande simplicidade e de certa superficialidade, especialmente nas personagens da narrativa, mesmo sua protagonista, que embora sem ater-me a uma precisão absoluta, guarda - ou desguarda - em si elementos que parecem causar certa distância entre personagens e leitor;

7 - Na verdade, o que procuro dizer é que trata-se de um entretenimento que de fato procura seguir as correções do gênero, como se pudesse dizer melhor, parece tudo certinho ali, mas algo, alguma centelha nos impede de uma conexão maior com a obra, algo que a torna talvez passageira, sem aquele elemento sob o fundo que faz com que a leitura persista por algum tempo, e isso, claro, contrasta com o próprio título do livro;

8 - Creio que o incômodo talvez surja justamente pelo contraste entre crime e investigação. Por quase todo o romance a polícia e o grupo de investigadores liderados por Foster parecem bastante perdidos - vale dizer que a narrativa em terceira pessoa e com alternantes pontos de vista dá mais possibilidades aos leitores que à detetive -, o que é razoável, como se verá pelos caminhos e desfechos do caso, e que a solução quando chega nos soa muito mais uma conjunção de fatores que propriamente pela sagacidade e investigação policial, o inquérito, o que para o gênero pode ser algo bastante complicado;

9 - Junto a isso, a revelação do mesmo modo, se pararmos para refletir, acaba por fim falando mais das falhas de investigação, no passado e no presente, especialmente porque clareia que a cegueira em um ponto fixo e a centralização numa ideia única, levam talvez a não se levar todas as possibilidades em consideração durante a investigação;

10 - Enfim, Sob Águas Escuras é um thriller que se mantém na média do gênero, especialmente para quem busque uma narrativa simples, um crime intrincado que se desenrola num bom ritmo e tensionamento que ao final produz suas reviravoltas e surpresas, elementos que ajudam a compensar as fragilidades da narrativa; 



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