quarta-feira, 19 de julho de 2017

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10 Livros censurados na ditadura brasileira do golpe de 1964

Geralmente fala-se mais da repressão da ditadura militar imposta pelo golpe de 1964 através da censura de músicas, peças de teatro, imprensa e cinema de modo que às vezes esquece-se de lembrar-se que inicialmente devagar, no auge da repressão livros e escritores também foram censurados. Nesta lista selecionamos 10 obras censuradas pelo regime de militar, seleção cuja fonte essencial é o belo trabalho de Sandra Reimão em Repressão e resistência:censura a livros na ditadura militar. Confira:

1 - O Casamento, de Nelson Rodrigues: Um dos primeiros livros a ser censurado durante o regime, ainda em 1966, quando a repressão não era intensa. A obra foi censurada tendo proibida pelo Ministro da Justiça de então a comercialização e a impressão da obra, inclusive com a atuação de agentes do DOPS recolhendo exemplares em livrarias de diferentes estados;

2 - Veneno, de Cassandra Rios: Pensa que romances eróticos é coisa de agora? Nada disso, o gênero já fazia sucesso entre os leitores, leitoras de todas as idades nos anos 60 e 70 e Cassandra Rios era a E. L. James do país àquela época, entretanto com o endurecimento do regime obras consideradas eróticas ou pornográficas eram censuradas;

3 - Carniça, de Adelaide Carraro: Assim como Rios teve várias de suas obras na lista da tesoura dos milicos, e também rivalizava com ela em termos de vendas. Segundo Sandra Reimão as características das obras "eram livros "fortes" que misturavam política, "negociatas" e sexo, muito sexo";

4 - Zero, de Ignácio de Loyola Brandão: A atividade de censurar uma obra literária seria praticamente não executável num país de mercado editorial em crescimento e com muitas publicações como era o caso do Brasil, assim grande parte das censuras deram-se a partir de denúncias de leitores que "alertavam" ao regime as obras perigosas aos seus ideais, caso desta obra que tornou-se referência;

5 - Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca: Hoje uma das principais referências da literatura brasileira, Rubem Fonseca viu também seu livro de contos, construído a partir da violência e ao escancará-la contrariar o regime mostrando o que não deveria existir, a obra também foi censurada;

6 - Dez Estórias Imorais, de Aguinaldo Silva: "Nos termos do parágrafo 8º do artigo 153 da Constituição Federal e artigo 3º do Decreto-lei no. 1077, de 26 de janeiro de 1970, proíbo a publicação e circulação em todo território nacional, do livro intitulado ―DEZ ESTÓRIAS IMORAIS (...) por exteriorizarem matéria contraria à moral e aos bons costumes". Por isso fico sempre de cabelo em pé quando alguém grita em nome da moral e dos bons costumes. Aguinaldo, aliás, foi levado e interrogado nos porões da Marinha;

7 - Em Câmara Lenta, de Renato Tapajós: A falsa sensação de que os livros não teriam sofrido a censura do regime militar talvez se dê porque não houveram prisões em massa de escritores, como vimos com jornalistas. Tapajós, entretanto não escapou das grades com sua obra censurada por representar "uma apologia do terrorismo, da subversão e da guerrilha em todos os seus aspectos" e ele sendo o único autor a ser preso durante o regime pelo conteúdo de seu livro;

8 - Revistas Status: Não é um livro, mas é literatura e vale o registro da censura feita à Revista Status e a dois vencedores de seus concurso nacional de contos eróticos que foram proibidos de serem divulgados. Um deles, "Mister Curitiba", de Dalton Trevisan, hoje provavelmente um dos mais importantes [e recluso] contista brasileiro;

9 - 4 Contos de Pavor e Alguns Poemas Desesperados, de Alvaro Alves de Faria: Tem sempre aquele né que diz "não, eu vou seguir a lei; isso é bom, quem não deve não teme etc e tals", como parece o caso do autor que curiosamente submeteu sua obra de forma voluntária à censura e danou-se;

10 - A Universidade Necessária, de Darcy Ribeiro: O obra deste grande pensador da educação brasileira posta aqui representa uma série de tantas outras obras de ão ficção que por motivos ideológicos foram censuradas pelo regime, que ao seu final, embora sem precisão sabe-se de pelo menos 200 livros censurados e quase 500 analisados.
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