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Laroiê. 10 Considerações sobre A Mãe, A Filha e O Espírito da Santa

O Blog Listas Literárias leu A Mãe, A Filha e O Espírito da Santa, de PJ Pereira publicado pela editora Planeta; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - Com A Mãe, A Filha e o Espírito da Santa, PJ Pereira, autor do bestseller Deuses de Dois Mundos afirma-se ao conseguir trazer à literatura comercial e de massa novas perspectivas que até então não se via muito neste tipo de publicação conseguindo entreter ao mesmo tempo que traz para essa literatura temas e elementos marginalizados na grande massa, com grande eficiência e capacidade de sucesso;

2 - Dividido por atos, esta obra narra a jornada de Pilar, uma criança que nasce e cresce no meio de diferentes culturas e religiões, mas especialmente na cultura de matriz africana que serve de elemento central para a ambientação do romance e que dá uma brasilidade poucas vezes vista na literatura de mercado ao mesmo tempo que consegue trazer referências e lembranças de grandes obras de nossa literatura de tal modo que mesmo que não nos escape o objetivo comercial  da obra ela o faz de forma diferente e se destaca entre seus pares;

3 - Com isso o romance embrenha-se pelas raízes deste Brasil ao mesmo tempo longínquo e rural como Codó ao urbanismo de um país que se alvoroça nos anos 70, 80 e 90 época em qual se passa a narrativa por cidades como Brasília e Rio de Janeiro numa maluca jornada das protagonistas que desfilam por uma série de mitologias e crenças constituindo-se como interessantes personagens, sempre banhadas na malandragem e na "sobrevivência" tão característica na literatura brasileira;

4 - Aliás, vale dizer que por intermédio de Pilar e sua turma o autor descerra as incongruências de certos ritos e cultos não sendo deste modo isento ao nos apresentar esta santa/pastora/mentora que age como tantos outros exemplos que vemos por aí construindo-se como mito justamente ao ludibriar incautos seguidores como observamos nos bastidores de seu terecô ou de sua casa branca;

5 - Mas para além das discussões mitológicas e religiosas o livro é ainda um atrativo e movimentando romance em que sensualidade, violências e especialmente dissimulação andam juntas de tal forma que nos entregam uma leitura prazerosa e especialmente bastante rica em seu vocabulário, outro fator aliás que a distingue da prática comum da literatura de massa que geralmente padroniza o máximo possível a linguagem. Neste livro, além de seu entretenimentos teremos um belo exemplo de nossas riquezas linguísticas;

6 - Contudo, vale ressaltar que este texto intencionalmente declarado próximo da oralidade buscando submergir o leitor nos sotaques presentes as vezes soa exagerado e ao contrário da fluidez esperada acaba truncando certas passagem. Ademais, sem prejuízo algum à fluidez e à própria riqueza vocabular presente na obra estes momentos de praticamente transcrições fonéticas, se melhor dosados enriqueceriam ainda mais a obra;

7 - Percebemos então, até aqui esta natureza dual deste romance, uma obra voltada para a literatura de mercado e de massas feita com grande qualidade e com elementos atrativos do gênero pois ele consegue ser eficiente em sua narrativa linear bastante movimentada com seus revezes e ritmo acelerado dos acontecimentos que levam a uma tensão que se eleva gradualmente até seu desfecho intenso como o dos bons thrillers ou romances de suspense;

8 -  Por outro lado, mesmo com suas características de massa e sua eficiência nisso não observa de longe elementos presentes em nossa melhore literatura, aquela tida como "alta literatura". Não só a temática - que embora geralmente ausente de nossas obras de massa, já foi narrada pelos grandes mestres da literatura - mas na própria estrutura em atos, no lirismo presente dentro da prosa e na própria prosa, em seu narrador meio que circense a nos lembrar dos grandes autos, enfim, pelas páginas agitadas deste livro verte uma riqueza cultural e linguística poucas vezes vista em literatura de mercado;

9 - Além disso, teremos aqui reflexões e discussões a respeito da distância entre a fé e os atos dos homens, veremos também a discussão a respeito do abuso sexual e especialmente a realização desta prática em ritos ao mesmo tempo que não deixa de ser uma antiga e clássica trama de vingança com um final de tensão elevada e páginas finais toda tropicalidade da malandragem e da dissimulação brasileira;

10 - Enfim, A Mãe, A Filha e O Espírito da Santa é uma obra prazerosa de se ler e tem tantas portas por qual lê-la que isso por si só já diz muito a respeito dela num romance capaz de agradar público e críticos pois as camadas presentes neste romance são um convite a conhecer nossa cultura e de uma forma bastante atraente.



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