Header Ads

10 Considerações sobre Sete Minutos Depois da Meia-Noite, de Patrick Ness ou como enfrentar a verdade

O Blog Listas Literárias leu Sete Minutos Depois da Meia-Noite, de Patrick Ness publicado pela editora Novo Conceito; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - Em sua simplicidade Sete Minutos Depois da Meia-Noite é um drama comovente que nos revela a grande tensa jornada que é ter de lidar com as perdas e acima de tudo tentar superar a negação de seus piores medos;

2 - E para fazer isso o autor recorre ao fantástico quando da aparição de um Monstro a Conor O'Malley que servirá muito mais como guia a abrir-lhe as janelas da verdade, mesmo que ao abrir essa janela o garoto tenha que então confrontar-se com algo muito pior que o gigantesco teixo andante: a verdade;

3 - E certamente não é uma verdade fácil  que ser enfrentada por O'Malley, um garoto de 13 anos cuja mãe enfrenta um tratamento para o câncer e um pai ausente que vive do outro lado do oceano e que mesmo diante de uma situação tão grave é incapaz de assumir suas responsabilidades;

4 - Por todo esse conjunto não é de se admirar o tamanho do drama enfrentado pelo garoto, que ao ver seu mundo ruir e encher-se de mais incertezas já normais a uma vida, precisa lidar com sua solidão cujo único vínculo de segurança mantem-se ligado por um cordão fino e que pode ruir a qualquer momento;

5 - Além disso, ele precisa lidar com os sentimentos conflitantes que além de tudo o enchem de culpa e o atormentam de tal modo que a presença do monstro de teixo lhe é menos assustadora do que a realidade com a qual precisa enfrentar, o que torna de certo modo aflitante ao passo que temos um personagem que carece de apoio diante de um leitor que sente-se impotente perante a fragilidade do menino;

6 - Assim, temos nessa narrativa, que diga-se, fica num meio termo entre o conto e o romance, um texto carregado de metáforas, mas que acima de tudo, confessa-se escamoteado e mesmo que não tenhamos muitas vezes percebido as nuances e os não-ditos, sabemos que eles estão ali, exigindo uma interação entre leitor e obra que vai além da leitura;

7 - E o que se quer dizer aqui é que a obra não nos abandona mesmo após o término da leitura porque as palavras e as situações presentes grudam-se às nossas emoções de tal modo que a reflexão permanece, bem como a busca pela compreensão do drama vivenciado pelo garoto;

8 - E tudo isso marcado por uma sensibilidade muito fina que não suaviza a tensidade e a densidade da situação em que a fantasia surge como um caminho a ser trilhado em busca de ajuda, porque acima de tudo Conor é alguém que grita por socorro ainda que mantenha-se em silêncio, uma jovem alm tendo de lidar com as equações mais dolorosas da vida humana;

9 - Portanto, mais do que uma narrativa fantástica ou de fantasia o livro é uma reflexão emocionante sobre a brevidade de tudo, das sombras que constroem as incertezas, além de que traz uma rica discussão acerca das responsabilidades, além de demonstrar o quanto não estamos preparados (e isso vale para todos e todas as situações) para lidar com determinados dramas, sejamos colegas de escola, sejamos, pais, sejamos professores... na verdade o livro é um grito de que a dor interna de alguém é muito difícil de ser compreendia, como percebemos com o círculo próximo a Conor;

10 - Mas enfim, a verdade não é algo que suaviza, um remédio, um dormente. A verdade é em geral a cura pela própria dor, e às vezes ela é inevitável, e talvez não só a sua verdade, mas a verdade de todos fosse o que Conor procurasse, nos entregando nessa busca um romance triste, mas sensível e muito interessante capaz de nos emocionar  senti-lo a cada simples, mas ferina palavra.


 

Um comentário:

  1. Com certeza me intrigou apesar de parecer que vai forçar meu emocional. Foi pra lista de férias.
    P.S. Simplesmente amei o post!
    Blog ❥ Gordices Literárias

    ResponderExcluir