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10 Considerações sobre Em Um Bosque Muito Estranho, de Ruth Ware ou por que não se deve aceitar muitos convites

O Blog Listas Literárias leu Em Um Bosque Muito Escuro, de Ruth Ware publicado pelo selo Luz Negra da editora Rocco; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - Em um bosque muito escuro é uma obra interessante para quem curte suspense e mistério numa trama policial que busca explicitar suas referências, em especial à Agatha Christie, além de buscar atrair diferentes grupos de leituras numa espécie de romance para adolescentes que agora estão um pouco mais crescidos e em vias de casarem-se (ou não);

2 -  É que a obra reúne elementos, geralmente vistos no cinema, que relembram as típicas histórias de horror adolescente, ou seja, um grupo específico que vai para algum lugar isolado, ou seja, o bosque, e por lá as coisas vão azedando num clima pouco festivo para o que deveria ser uma despedida de solteira;

3 - Contudo, não temos aqui os típicos jovens, mas sim personagens que adentram a casa das trinta e que reúnem-se sob pretexto da despedida de solteira de Clare, evento que leva à casa de vidro antigas amigas que porém estão afastadas há algum tempo. Esse reencontro irá justamente explicitar antigas diferenças discutindo lealdade e intrigas juvenis e como elas podem persistir por um bom tempo;

4 - Portanto constrói-se um cenário que tudo está fadado a dar errado, o que vai ficando claro em diálogos carregados de segundas intenções num ambiente restrito cuja principal ação das participantes é alfinetarem-se trazendo à tona o que ficara no passado. Em meio a isso, um clima que vai esquentando gradualmente até derramar o caldo daquelas diferenças amortecidas (mas não tanto) pelo tempo;

5 - É nesse ambiente que o mistério vai sendo colocado de maneira muito sutil, e em alguns casos mais uma vez reforçando alguns clichês do suspense contemporâneo dos cinemas com direito a tábua de ouija, pegadas misteriosas e nuances cheias de ameaças e promessas. Todavia, cumpre-se dizer que embora estes elementos do horror estejam presentas, a obra é claramente um thriller em que a protagonista corre contra o tempo para descobrir o que aconteceu na floresta, bem como salvar a própria pele;

6 - Mas é inegável a presença das influências de outros nomes da literatura, especialmente, como disse, o nome de Christie, que inclusive é citada numa obra que vem a calhar, os dez soldadinho de E Não Sobrou Nenhum, pois a obra além dos elementos do suspense televisivo são marcadas pela referências á dama do crime, ou seja, mansões, grupo diverso e diferente em meio a um crime, e claro todo o mistério envolvido;

7 - Entretanto, com todos elementos envolvidos vale dizer que a obra embora bom entretenimento, ainda carece de alguma profundidade maior, bem como de uma complexidade mais ampla para uma narrativa policial, pois ao final, percebemos apenas a repetição dos rancores juvenis levados para uma vida já adulta das personagens, além disso, a linha tênue entre referência/influência com os clichês em alguns momentos pendeu para o segundo caso de certa forma dando ares juvenis à narrativa policial;

8 - Além disso, a solução final acaba sendo um tanto polêmica para a obra visto que leitores de narrativas policiais, ainda que desejem uma explicação boa e plausível, por outro nem sempre agradam-se das soluções muitos simples, ou como no caso do romance, que na parte final se torna um pouco previsível, nos trás também um desfecho a partir de um jogo de palavras que leva a narradora-protagonista à solução final do romance;

9 - Por outro lado, a obra compensa em ritmo e envolvimento conseguindo segurar os leitores até o final do romance dosando de maneira bastante equilibrada ação e suspense;

10 - Enfim, Em Um Bosque Muito Escuro é uma interessante leitura com virtudes e qualidades que são contrabalanceadas com alguns clichês de certa previsibilidade da narrativa, sendo uma oportunidade de acompanhar uma narrativa com ares jovens mas num enredo clássico, o que pode agradar um bom número de leitores.


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