10 Considerações sobre Voo Fantasma, de Bear Grylls ou por que é tiro, porrada e bomba

O Blog Listas Literárias leu Voo Fantasma do famoso apresentador de À Prova de Tudo, Bear Grylls e publicado pela editora Record; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - Voo Fantasma é puro entretenimento no melhor estilo inverossímil como as histórias cinematográficas de James Bond e obras como Rambo e Mercenários, ou seja, é adrenalina pura num trabalho cujo foco é sempre a ação numa trama que passeia de reality shows a segredos da Segunda Guerra Mundial aliado com grandes conspirações a por o mundo de joelhos novamente;

2 - Justamente por isso o leitor logo perceberá a presença de uma série de clichês presentes nestes tipos de obras, dos fortões com pouco espaço para o pensamento às mulheres atraentes e misteriosas que parecem sempre guardar algo escondido, além do antagonismo hostil e louco que se utiliza de falhas do estado para aterrorizar a expedição comandada por Will Jaeger;

3 - Essa expedição em princípio é capaz de colocar na mesa o tema o qual o autor pretendia abordar:a Segunda Guerra Mundial e sua "herança". Depois de ser resgatado numa prisão de um país africano o ex-militar Jaeger inicia uma caçada a um mítico e perdido avião da Segunda Guerra Mundial em plena selva amazônica, artefato que ao longo da obra revelará também ligações com os eventos posteriores a guerra bem como caminhará por trilhas da conspiração colocando em xeque acordos com criminosos de guerra e uma possível organização disposta a reorganizar o Reich. Portanto, de um todo Bear Grylls parecia ter uma boa ideia em mãos, contudo, apenas uma leitor muito concessivo não observaria elementos que acabam prejudicando esta ideia, especialmente por torná-la muito caricata;

4 - A começar pela grande distância do que seus personagens parecem querer dizer com aquilo que realmente fazem. Há momentos que a vida alheia para Jaeger e sua turma parece não ter sentido algum, embora superficialmente tentam mostrar princípios que caem por água abaixo quando em alguns momentos do livro deixam personagens serem mortos sem sentido algum;

5 - Além disso, algumas transposições de capítulos e cenas levam ao leitor costumeiramente perguntar-se, como pode isso? pois muitas vezes do nada algo que parecia intransponível poucas páginas atrás é superado, vencido, sem qualquer descrição ou narração mais convincente, o que em muitos momentos dão certos ares de falsidade à ação, como baratas que desaparecem "magicamente" ou prisioneiro torturado e enfraquecido que minutos depois é capaz de tornar-se um John Rambo;

6 - Sem falar que em determinados momentos a inverossimilhança é tanta que não resta ao leitor sorrir, especialmente com a aventura já na selva amazônica, como no encontro do grupo de Jaeger com os pretensos índios isolados e sem comunicação com os brancos da tribo Amahuaca, onde inesperadamente os caçadores do avião perdido numa dose de muita sorte descobrem na tribo um índio intérprete que explica o caso "disseram que tínhamos que aprender o português e também inglês. Uma é a língua do Brasil, a outra, do mundo." Pois, é;

7 - Contudo, dito isto e a necessidade de observarmos tais concessões, a leitura num sentido de entreter e divertir através de uma aventura inverossímil mas capaz de prender-nos na trama é uma boa experiência, especialmente no caso de leitores dispostos a dedicarem seu tempo a pura adrenalina e a uma temporada na selva amazônica que propicia além de uma paisagem hostil, uma belo campo de batalha, contra a própria natureza e também contra a Força Maligna;

8 - Aliás, ao leitor que acompanha Bear Grylls na televisão perceberá que Jaeger tem um pouco de seu autor pois em muitos momentos a obra dá especial atenção às práticas de sobrevivência que de certa forma somos levados a lembrar do próprio À prova de tudo;

9 - Portanto, se tivéssemos de resumir esta obra em poucas palavras, certamente aventura seria uma delas, pois o livro reúne conspirações misteriosas, dialoga com os filmes e livros de espionagem, tudo isso com um grupo de ex-militares que partem em expedição associada com televisões a fim de encontrar possíveis segredos da Segunda Guerra Mundial, tudo isso num terreno cuja hostilidade remota ainda a tempos mais primitivos. Ou seja, uma grande viagem que mesmo sem grande profundidade é capaz de demonstrar que se é possível ainda encontrar aventuras a serem narradas;

10 - Enfim, de um modo geral Voo Fantasma tem elementos que podem agradar muitos leitores, sem dizer que não é difícil vê-lo sendo adaptado para os cinemas com nomes como Jason Statham e Dwayne Johnson no elenco. Há tiros, porrada e bombas em quantidade suficiente para os fãs da ação intensa e para leitores que fazendo as concessões ditas aqui, podem encontrar divertimento com sua leitura.


10 Considerações sobre Voo Fantasma, de Bear Grylls ou por que é tiro, porrada e bomba 10 Considerações sobre Voo Fantasma, de Bear Grylls ou por que é tiro, porrada e bomba Reviewed by Douglas Eralldo on quarta-feira, maio 11, 2016 Rating: 5

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