10 Considerações sobre O Quarto Dia, de Sarah Lotz ou porque nunca entrar num cruzeiro

O Blog Listas Literárias leu O Quarto Dia, de Sarah Lotz publicado pela editora Arqueiro; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - O Quarto Dia tem tudo que se pede aos bons livros de suspensa, um ambiente de medo e caos, coisas estranhas que acontecem, fantasmas e criaturas sombrias, e humanos muito, muito problemáticos numa descida vertiginosa ao inferno numa espécie de ajuste de contas em que tudo é mais insinuado do que afirmado pela autora. Com isso, preparasse para calafrios e sustos;

2 - De certa forma, com este livro a autora se consolida na prática de impor terror em atitudes rotineiras como o uso de transportes, cenários, pelo jeito, prediletos para Lotz pintar com seu suspense e horror.Se em Os Três eram os aviões a vítima da autora, neste novo livro são os navios, em particular os cruzeiros, que nesta viagem da Foveros é uma verdadeira excursão ao inferno numa viagem que certamente ninguém gostaria de fazer;

3 - É que, para além do terror e do suspense sobrenatural que começa a permear o navio, o próprio ambiente de caos é mais um catalisador do horror, até porque a autora consegue preparar um cenário perfeito para que as pessoas percam as estribeiras, perdidas em alto mar e num espaço confinado que nada mais passa a funcionar, criando com isso um ambiente pútrido e literalmente doente;

4 - Além disso, o cenário físico horrível, fedorento e escatológico complementa o cenário psicológico dos dramas pessoas das personagens as quais a autora acompanha o ponto de vista, algo semelhante à narrativa de As Crônicas do Gelo e do Fogo. São estas personagens tomadas por problemas pessoais imensos, e que em geral compartilham seus fracassos e medos, coisas que no meio de uma grande confusão como ocorre no cruzeiro, podem desencadear uma série de problemas;

5 - Contudo, se temos na obra uma construção muito competente do horror e do suspense, todavia, não deixaremos de perceber que a autora em muitos momentos acaba caindo nos principais clichês do gênero, como fantasmas que engatinham como aranhas, aparições escabrosas no espelho, e por aí vai. Entretanto, são estes, detalhes que não pesam contra a boa leitura do romance;

6 - Outro detalhe interessante é que o leitor que já conhece a obra da autora perceberá que embora obras distintas, Lotz ambienta seus romances num mesmo universo com tramas que se interconectam, como a quinta-feira negra de Os Três que será mencionada na obra, bem como determinados personagens, sem falar que de alguma forma, por interferir em personagens de O Quarto Dia, os eventos do livro anterior acabam trazendo alguma influência para o livro;

7 - Porém, certamente a grande virtude, dentre as diferentes virtudes da obra de Lotz está justamente em sua capacidade magistral de contar uma história de terror. Ela consegue elevar gradualmente a tensão e preparar o cenário de tal maneira que em determinado momento o horror é dos mais intensos, mesmo que aos leitores caiba a permanente dúvida do que está no real e do que está no psicológico de suas personagens. E no caso deste livro, teremos por fim, ainda todo um desfecho sombrio que nos enche ainda mais de dúvidas;

8 - Por isso não deixamos de produzir diálogos do livro com uma série de referências culturais, muitas bem atuais, ou não, como os ares de Lost que muitas vezes percebemos na obra, ou com influências distópicas que teremos encontro mais ao final do livro em que mais uma vezes somos colocado longe das explicações, mas diante de um cenário que deveremos tirar nossas próprias conclusões a partir dos indícios presentes;

9 - Do mesmo modo, além de referências da cultura pop, o livro passeia ainda por mitos há tempos entre nós, como o mistério do Triângulo das Bermudas e outros mistérios relacionados a navios fantasmas que mexem com o imaginário popular; com isso Lotz cria sua própria história, crível e reforçada por tais influências, que aqui contadas com toda sua dose de originalidade constroem uma nova obra e consolidam a autora como um dos grandes e importantes nomes do horror;

10 - Enfim, O Quarto Dia não decepcionará os fãs do gênero com sua caraga de ação e elementos psicológicos de grande nível, certamente nos fara ficarmos cabreiros em cruzeiros e viagens marítimas, além de nos colocar mais uma vez discutindo a existência ou não da morte, bem como nossas distintas dimensões, que em alguns casos podem ser muito, muito assustadoras e inexplicáveis. Ou seja, ótima opção para amantes do terror.



10 Considerações sobre O Quarto Dia, de Sarah Lotz ou porque nunca entrar num cruzeiro 10 Considerações sobre O Quarto Dia, de Sarah Lotz ou porque nunca entrar num cruzeiro Reviewed by Douglas Eralldo on sexta-feira, maio 27, 2016 Rating: 5

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