10 Considerações sobre Mundo Sem Fim, de Ken Follett ou porque Deus proverá...

O Blog Listas Literárias leu Mundo Sem Fim, de Ken Follett publicado em dois volumes pela editora Arqueiro; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o Livro, confira:

1 - Mundo Sem Fim, de Ken Follett não tem dragões, caminhantes brancos ou Lannister's mas é tão violenta, lasciva, intrigante e medieval quanto As Crônicas do Gelo do Fogo, e aí estão alguns elementos que certamente irão atrair leitores e fãs, pois trata-se de um épico capaz de envolver seus leitores no ambiente e na vida das personagens que quase tornam-se reais a cada mergulho na obra;

2 - Nessa obra publicada em dois volumes que somam 1.136 páginas, Follett avança duzentos anos na história do Priorado de Kingsbridge, a qual se inicia com seu predecessor Pilares da Terra, e para tanto conta essa narrativa a partir de um elo que liga quatro crianças a um segredo que lhes acompanhará por todas as suas vidas por qual percorre o romance;

3 - Então somos apresentados a quatro personalidades diferentes, Ralph, seu irmão Merthin, Gwenda e Caris que desde a infância já demonstram aquilo que serão quando adultos; Todavia, para além destes quatro protagonistas, outras interessantes personagens somam-se estabelecendo portanto um jogo de liderança, política, influência e também cobiça;

4 - E tudo isso num ambiente medieval em que as regras muitas vezes mudavam de de acordo com a vontade dos reis e dos senhores feudais, além, é claro, de uma atuação muito forte da igreja, que na obra é tratada de forma, inclusive, um tanto pejorativa para os padrões da instituição, visto que mesmo as pessoas de maior índole no priorado serão marcadas por atitudes que iriam contra s dogmas da própria igreja;

5 - É nesse ambiente de uma quase transição que o caráter e a fibra dos protagonista irá se revelando na trama, em alguns casos em que a falta destas é a principal característica das personagens, contrapondo-se especialmente pelas personagens de Merthin e Caris que mais do que protagonizar o romance truncado da narrativa, estabelecem-se como lideranças firmes e de condutas, que senão perfeitas, acabam sintetizando e congregando valores importantes para o progresso do Priorado, bem como a superação dos problemas ao longo dos anos;

6 - Justamente por isso, em determinados momentos da leitura irritamo-nos com as consequências sofridas pelos principais protagonistas, sendo que como se fosse numa novela brasileira, ambos sofrem um bocado até a proximidade do fechamento da obra, enquanto o antagonismo presente em Ralph ou Godwyn, por exemplo, provoca reviravoltas desconcertantes e porque não, em certos momentos, repulsivas;

7 - Ainda assim não poderíamos dizer que Mundo Sem Fim se trata de um retrato realista da Inglaterra Medieval, ainda que possivelmente muitos daqueles elementos certamente estejam presentes no livro. No entanto algumas palavras (e aqui corro o risco de ser traído pela tradução) utilizadas pela narração, bem como algumas situações como um diálogo entre Merthin e Caris sobre a experiência homossexual desta soam com uma naturalidade quase inverossímil para a época. No entanto, certamente esses deslizes históricos servem à obra literária, e por isso não serve como prejudicial ao trabalho;

8 - Contudo, se cabe uma crítica mais severa ao trabalho de Follett é justamente sua alta carga de determinismo presente, pois quase todo o caráter ou característica das personagens do livro está relacionada ao sangue ou sus origens, como vemos em Gwenda e Philemon, mas ainda mais exacerbada em Ralph Fitzgerald e toda sua história, assim como Caris que é praticamente uma reprodução de seu pai, um comerciante exitoso do priorado. E o determinismo na obra é tão forte, que veremos em Sam a reprodução de seu sangue em contraponto com toda a criação cultural e social diversa de sua verdadeira origem;

9 - O livro além de todas suas intrigas e romances possui ainda um outro elemento bem interessante para se observar como pano de fundo que é a ocorrência da peste negra que dizimou as populações europeias à época. O cenário de horror é descrito de forma bastante interessante, bem como os impactos causados pela pestes na sociedade que para além da morte interferiu diretamente em questões políticas e médicas, além de servir mais uma vez para o autor criticar a igreja através das ações dos monges do priorado diante da peste;

10 - Enfim, Mundo Sem Fim é um épico que a despeito de suas mais de mil páginas consegue cativar o leitor de tal forma que a imersão completa na trama numa trama com ações, batalhas (um talento especial para descrever pelos pubianos), sensualidade e acima de tudo personagens que ganham vida própria através desta ficção que literalmente nos mergulha num perigo e mortal, mas não menos sedutor período da história humana.


10 Considerações sobre Mundo Sem Fim, de Ken Follett ou porque Deus proverá... 10 Considerações sobre Mundo Sem Fim, de Ken Follett ou porque Deus proverá... Reviewed by Douglas Eralldo on domingo, dezembro 27, 2015 Rating: 5

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