segunda-feira, 17 de novembro de 2014

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10 Considerações sobre Perdido em Marte, ou porque Chuck Norris passa vergonha diante Mark Watney

O Blog Listas Literárias leu Perdido em Marte, de Andy Weir publicado pela editora Arqueiro. Neste post suas 10 considerações sobre o livro:

1 - Perdido em Marte, de Andy Weir é uma leitura fantástica que revitaliza o gênero da aventura e da ficção científica numa trama que tem todos os elementos para marcar uma geração numa trama riquíssima em detalhes e extremamente verossímil. Simplesmente digo que ler este livro foi uma experiência luxuosa;

2 - E a riqueza da obra se dá por todo seu conjunto, especialmente por seu personagem inesquecível, o astronauta Mark Watney que trava solitariamente a maior luta pela sobrevivência que a humanidade já acompanhou, tudo isso enfrentando a situação com muita astúcia, inteligência, e especialmente humor; A luta e a aventura por qual passa o astronauta perdido em Marte sem dúvida supera a soma de todas as lutas de Chuck Norris, pois o planeta vermelho é um inimigo poderoso;

3 - Além disso, a forma que Andy Weir dá a sua narrativa é virtuoso, tendo desde o ponto de vista do próprio Watney através de seu diário em Marte (aliás, todo o humor riquíssimo está na voz do astronauta), até mesmo com a narrativa em terceira pessoa mostrando a repercussão nas salas da Nasa. Para mexer ainda mais com a trama, o autor ainda inclui uma narrativa em terceira pessoa que surge poucas vezes, mas quando acontece o leitor pode ter certeza que Mark vai se ferrar mais uma vez em Marte;

4 - Quando digo que o livro revitaliza o gênero da aventura é porque Perdido em Marte representa algo que há muito havia se perdido na literatura, em especial com o advento moderno. Acontece que por um bom tempo ilhas e terrenos inóspitos foram desaparecendo, até agora, quando Weir consegue resgatar a magia de aventuras como A Ilha Misteriosa e Robinson Crusoé, num ambiente tecnológico mas num mundo totalmente novo e desconhecido no qual sobreviver parece impossível;














5 - E nesta aventura, Mark Watney nos dá uma lição de perseverança e engenhosidade, através de suas gambiarras e invenções sobrevivencialistas o botânico-astronauta irá ensinar ao leitor uma série de elementos científicos que vão da química à física, bem como sobre a arte da improvisação;

6 - Correndo o risco de não conseguir dizer tudo em 10 itens, não poderia deixar de comentar a constante sensação de raiva prazerosa a qual o autor provoca o leitor. Puta Merda! De novo não! Foram as palavras que mais pronunciei durante a leitura acompanhando os revezes da jornada de Watney em Marte. O cara é mesmo um filho da mãe de muita sorte.

7 - E a maior vitória do autor talvez esteja mesmo na confiança que ele acaba tendo por parte do leitor que ao ler passa de imediato a crer em todas as possibilidades que a história nos revela, isto é claro por tamanho conhecimento científico empregado na narrativa, que é inclusive referendado pelo astronauta Chris Hadfield em um blurb na contracapa do livro;

8 - Outro detalhe que você deve estar preparado é para sorrir, e muito durante a leitura. O bom humor de Mark Watney é conhecido inclusive por toda a Nasa, portanto durante sua escrita não raro você se pegará rindo com alguma de suas tiradas;

9 - Minha curiosidade com o livro era saber como funcionaria uma narrativa que busca passar toda a solidão erma de um planeta desértico de modo que a obra não se tornasse enfadonha. Minha curiosidade foi logo respondida com a agenda intensa de Watney e com a intercalação esporádica de passagens na terra. Mas acima de tudo o mais importante é que mesmo quando sozinho em Marte a solidão de Watney parece ser compensada com a presença etérea do leitor ao seu lado, mesmo impotente quanto a ajudar o personagem, muito presente para sentir a ambientação externa e interna, ou seja, é um livro que o leitor vivencia;

10 - Enfim, Perdido em Marte é uma leitura brilhante e indispensável, e que para encerrar com chave de ouro a saga inacreditável de Mark Watney em seus últimos parágrafos nos parece ter sido apenas o prelúdio para solidificar uma mensagem de esperança e confiança na raça humana. As palavras finais do astronauta são de uma sabedoria e de uma beleza que emocionam.

 
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