10 Considerações sobre Perdido em Marte, ou porque Chuck Norris passa vergonha diante Mark Watney

O Blog Listas Literárias leu Perdido em Marte, de Andy Weir publicado pela editora Arqueiro. Neste post suas 10 considerações sobre o livro:

1 - Perdido em Marte, de Andy Weir é uma leitura fantástica que revitaliza o gênero da aventura e da ficção científica numa trama que tem todos os elementos para marcar uma geração numa trama riquíssima em detalhes e extremamente verossímil. Simplesmente digo que ler este livro foi uma experiência luxuosa;

2 - E a riqueza da obra se dá por todo seu conjunto, especialmente por seu personagem inesquecível, o astronauta Mark Watney que trava solitariamente a maior luta pela sobrevivência que a humanidade já acompanhou, tudo isso enfrentando a situação com muita astúcia, inteligência, e especialmente humor; A luta e a aventura por qual passa o astronauta perdido em Marte sem dúvida supera a soma de todas as lutas de Chuck Norris, pois o planeta vermelho é um inimigo poderoso;

3 - Além disso, a forma que Andy Weir dá a sua narrativa é virtuoso, tendo desde o ponto de vista do próprio Watney através de seu diário em Marte (aliás, todo o humor riquíssimo está na voz do astronauta), até mesmo com a narrativa em terceira pessoa mostrando a repercussão nas salas da Nasa. Para mexer ainda mais com a trama, o autor ainda inclui uma narrativa em terceira pessoa que surge poucas vezes, mas quando acontece o leitor pode ter certeza que Mark vai se ferrar mais uma vez em Marte;

4 - Quando digo que o livro revitaliza o gênero da aventura é porque Perdido em Marte representa algo que há muito havia se perdido na literatura, em especial com o advento moderno. Acontece que por um bom tempo ilhas e terrenos inóspitos foram desaparecendo, até agora, quando Weir consegue resgatar a magia de aventuras como A Ilha Misteriosa e Robinson Crusoé, num ambiente tecnológico mas num mundo totalmente novo e desconhecido no qual sobreviver parece impossível;














5 - E nesta aventura, Mark Watney nos dá uma lição de perseverança e engenhosidade, através de suas gambiarras e invenções sobrevivencialistas o botânico-astronauta irá ensinar ao leitor uma série de elementos científicos que vão da química à física, bem como sobre a arte da improvisação;

6 - Correndo o risco de não conseguir dizer tudo em 10 itens, não poderia deixar de comentar a constante sensação de raiva prazerosa a qual o autor provoca o leitor. Puta Merda! De novo não! Foram as palavras que mais pronunciei durante a leitura acompanhando os revezes da jornada de Watney em Marte. O cara é mesmo um filho da mãe de muita sorte.

7 - E a maior vitória do autor talvez esteja mesmo na confiança que ele acaba tendo por parte do leitor que ao ler passa de imediato a crer em todas as possibilidades que a história nos revela, isto é claro por tamanho conhecimento científico empregado na narrativa, que é inclusive referendado pelo astronauta Chris Hadfield em um blurb na contracapa do livro;

8 - Outro detalhe que você deve estar preparado é para sorrir, e muito durante a leitura. O bom humor de Mark Watney é conhecido inclusive por toda a Nasa, portanto durante sua escrita não raro você se pegará rindo com alguma de suas tiradas;

9 - Minha curiosidade com o livro era saber como funcionaria uma narrativa que busca passar toda a solidão erma de um planeta desértico de modo que a obra não se tornasse enfadonha. Minha curiosidade foi logo respondida com a agenda intensa de Watney e com a intercalação esporádica de passagens na terra. Mas acima de tudo o mais importante é que mesmo quando sozinho em Marte a solidão de Watney parece ser compensada com a presença etérea do leitor ao seu lado, mesmo impotente quanto a ajudar o personagem, muito presente para sentir a ambientação externa e interna, ou seja, é um livro que o leitor vivencia;

10 - Enfim, Perdido em Marte é uma leitura brilhante e indispensável, e que para encerrar com chave de ouro a saga inacreditável de Mark Watney em seus últimos parágrafos nos parece ter sido apenas o prelúdio para solidificar uma mensagem de esperança e confiança na raça humana. As palavras finais do astronauta são de uma sabedoria e de uma beleza que emocionam.

 
10 Considerações sobre Perdido em Marte, ou porque Chuck Norris passa vergonha diante Mark Watney 10 Considerações sobre Perdido em Marte, ou porque Chuck Norris passa vergonha diante Mark Watney Reviewed by Douglas Eralldo on segunda-feira, novembro 17, 2014 Rating: 5

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