10 Melhores voltas para casa da literatura

Como diria Lulu Santos, estamos voltando para casa. Neste post reunimos 10 retornos inesquecíveis da literatura em que seus personagens foram tão, tão longe, mas um dia retornaram de volta para casa. Enfim, neste post selecionamos aqueles 10 melhores retornos para casa, ou seja, a volta de personagens que de um modo ou outro carrega grande importância na narrativa em que estão. A bem da verdade, na maioria dos casos aqui, a volta é a própria narrativa, confira:

1 - Odisseu/Ulisses de volta à Ítaca: Claro que não podíamos começar a lista sem aquela narrativa que exemplifica todo retorno e certamente é a mais importante narrativa de regresso. Em Odisseia tudo está relacionado à volta de Odisseu para Ítaca após a vitória em Troia. Contudo, deuses, deusas, monstros e tantos outros desafios atrasam o regresso em duas décadas constituindo a trama do homem que apesar de tudo, de todas as propostas, tem apenas um desejo: regressar de volta ao lar. Certamente o poema épico é o maior exemplo dessa vontade e entrega-nos a mais fantásticas das jornadas de regresso;

2 - Lá e de volta outra vez: Não menos fantástica é a jornada de Bilbo Bolseiro. Sim, para voltar para casa precisamos sair dela por alguma razão, geralmente alguma aventura. E nosso pequeno Hobbit entra numa aventura das grandes em companhia de anões sedentos por tesouros. No universo de Tolkien a jornada de Bilbo é fundamental, já que nela ele encontra o seus precioso. A volta é um processo que se dá desde a saída, mas, em O Hobbit o retorno parece-nos ainda menos impactante que em O Senhor dos Anéis, pois ficar um tempo fora significa perder e encontrar coisas, provoca mudanças íntimas que nunca mais te deixam o mesmo, o que parece ser uma das mensagens do regresso de Bilbo Bolseiro ao condado;

3 - De volta à terra: É óbvio que ninguém além de Matt Damon poderia encarnar o Mark Watney na adptação do divertido Perdido em Marte, afinal, ele é o camarada mais perdido e resgatado da história do cinema [Odisseia do Nolan também aproveita isso]. Neste livro temos uma das mais divertidas histórias de regresso, já que Watney precisa usar todo seu conhecimento - e sarcasmo - para voltar para casa, nesse caso sua casa maior, ou seja, ao planeta terra, pois acabou perdidão no planeta vermelho. O livro todo concentra-se em suas tentativas e planos de regresso e para além da ficção científica é muito, mas muito divertido mesmo;

4 - Voltar para vingar: Aqui temos a base para a maior parte das novelas da Globo com suas voltas cheias de vingança, afinal, "você não sabe o prazer que é estar de volta". Em O conde de Monte Cristo temos o retorno de Edmond Dantès que depois de ser acusado de crimes, regressa amargurado e pronto para se vingar daqueles que o acusaram, representando assim aquela volta extremamente perigosa aos que não saíram;

5 - Voltar é dar uma volta?: Voltar guarda sentido de regresso, ir de A a B e regressar a A. Porém podemos pensar voltar quanto a ideia de ciclo, círculo, uma volta completa. Nesse sentido temos o regresso mais cronometrado da literatura em uma das jornadas mais interessantes e que até hoje parece abstecer o imaginário humano, vide tantos ioutúberes viajantes: dar uma volta ao mundo. Muito antes deles com suas câmeras, o inglês mais inglês de todos, Phileas Fogg, não só deu essa volta, mas a fez enquanto uma aposta, dar a volta ao mundo em apenas 80 dias. Ou seja, o começo da jornada é também o princípio do regresso, nesse caso uma volta para casa com tempo cronometrado;

6 - Quando voltar não é mais opção: Único caso da lista em que a volta é uma péssima ideia. E mais um bolseiro para nossa lista. Ocorre que, embora nos filmes não mostrem, ou passem a ideia, depois de derrotar Sauron, Frodo volta para casa, onde, inclusive precisa ganhar outras batalhas. Essa certamente é uma das voltas mais dramáticas, já que as mudanças foram profundas demais, seja nele, seja no condado. Além disso, ao retornar para casa ele não é recebido como herói que se imaginava ser recebido. O condado seguiu. É interessante que de certa forma o regresso de Frodo parece levantar questões quanto ao regresso dos homens que vão à guerra. A experiência lhes impede voltar plenamente, como ocorre com Frodo, que depois da tentativa, prefere se exilar com os elfos;

7 - Não há lugar melhor que a nossa casa: Não é mesmo, Dorothy? Depois de ser tragada por um furacão e ir parar em um lugar mágico, Oz, a pequena garota do Kansas guarda sempre a vontade de voltar para casa, afinal, nada melhor que nosso lar. Seu regresso também é mágico, batendo seus pézinhos com os sapatos mágicos lhes indicado pela boa bruxa;

8 - Dracarys neles!: Exilada, longe de Westeros e sempre correndo risco de vida, poderíamos pensar na jornada de Daenerys Targaryen uma espécie de feminino de Odisseu. Assim como o regresso dele, o dela é sangrento, aliás, muito mais que o dele. Para voltar ela precisa superar o irmão, casamentos e, claro, todos os planos de Westeros para lhe matar. É um regresso como o de Odisseu, que sofre muitos adiamentos, entretanto, ao contrário dele que volta da guerra e vai perdendo seus exércitos, ela quer voltar e também fazer nova guerra e no caminho de regresso o que faz é justamente constituir um gigantesco exército. No que tange ao literário esse é um regresso que sofre com seus próprios atrasos e o desfecho que temos até então é o da série, porém, os fãs certamente aguardam um desfecho diferente à mãe dos dragões na série de livros As crônicas do gelo e do fogo;

9 - Americanah: Vamos incluir em nossa lista um retorno de tintas mais realistas neste clássico contemporâneo de Chimamanda Ngozi Adichie. Uma obra sobre as migrações e os retornos, especialmente de Ifemelu quando retorna à nigéria, contudo fortemente marcada pela americanização em um país natal diferente do que imaginava. As perspectivas, os olhares, tudo provocando um regresso reflexivo quanto aos movimentos do mundo;

10 - Chata, mas real: nossos lares podem ser entediantes, problemáticos, cheios de problemas, contudo ele sempre nos será real, como acaba descobrindo Coraline após entrar em um mundo paralelo em que os pais são perfeitos, entretanto, irreais. Assim ela começa uma luta de regresso para escapar "da ilusão" nesta obra bem conceituada do já nem tão conceituado Neil Gaiman;

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