Sim, que as adaptações cinematográficas são sempre um novo trabalho, logo são diferentes dos livros, nós já sabemos. Mesmo assim adoramos essas listas em que identificamos as diferentes entre os filmes e grandes obras da nossa literatura. No post de hoje compartilhamos 10 diferentes entre Eu sou a lenda, de Richard Matheson e o filme estrelado por Will Smith, confira:
1 - Vampiros x zumbis: Se tem algo que o filme de 2007 deixa de forma ambígua é o caráter das criaturas, afinal, são zumbis ou são vampiros? Essa é uma questão resolvida no livro dos anos 50, são vampiros e vampiros com muitas conexões com a lenda e que se perdem no filme, porque fica difícil não associar as criaturas que aterrorizam Will Smith com zumbis. Na verdade toda a maquiagem leva a isso e, inclusive, em momento algum os monstros do filme poderiam causar em Neville (protagonista) o que ocorria de forma relevante no livro, a tentação. Sim, as vampirinhas no livro despertavam certas partes do corpo do protagonista, que vivia indignado com as sensações do próprio corpo. Isso mesmo, no livro as vampiras eram capazes de despertar desejos íntimos no celibatário Robert Neville, o que no filme, convenhamos é impossível, são zumbis, não vampiros;
2 - Bactérias x vírus: Enquanto o Neville do filme é um virologista, ou seja, o que temos é um vírus causador dessa epidemia vampiresca ou zumbinesca, originalmente o que causa o futuro apocalíptico é uma bactéria, elas sempre muito presentes na literatura, diga-se de passagem. Logicamente, com o desenvolvimento de pesquisas e ampliação de conhecimento, uma pandemia apocalítica hoje seria difícil de se justificar com uma bactéria e a razoabilidade leva-nos então a uma nova era, a dos vírus como causadores das maiores desgraças distópicas;
3 - Neville x Neville: Na construção dos protagonistas também encontramos muitas diferenças. Enquanto Robert Neville do livro é um errático sobrevivente que está o tempo todo tentando entender e lidar com o fato de ser o último humano e, menos querendo salvar a humanidade com suas pesquisas atrás de uma vacina, e sim tentando compreender o problema e seu significado e com um olhar para o pós-tragédia, o Neville de Will Smith é mais aquela figura heroica com muito mais virtudes que defeitos e cuja obssessão é justamente, enquanto virologista, encontrar uma espécie de vacina para o vírus. Aliás, se no filme ele é oficialmente um cientista, não é o caso do livro, pois nele Neville é um homem comum que depois do fato precisa estudar por conta e curiosidade livros de biologia para tentar compreender o problema;
4 - As mulheres: Não tem como deixar de tocar que no livro, diferentemente do filme e a caracterização dos mortos-vivos é relevante nisso, a questão do feminino é um aspecto e chave relevante para interpretação. Depois de três vivendo recluso, sem ninguém para conversar e sem nínguém para um tchaca-tchaca na butchaca, Neville se torna um celibatário forçado e que sente muito com as presenças feminicas das vampiras noturnas, o que cria uma relação complexa e complicada do personagem com o feminino durante toda a narrativa. A bem da verdade, como a narrativa ocorre três anos após o começo do problema, os incômodos e as sensações de Neville diante as mulheres, vampiras libidinosas, é bastante ambígua, e as insinuações levam-nos a entender que no auge da crise o protagonista pode ter feito algo muito, muito problemático;
5 - Nada de Van Helsing: No filme o "bunker" de Neville é um laboratório, enquanto no livro relamente um bunker e em ambos os casos quando ele sai de sua caverna sob a proteção da luz do dia, os objetivos são bem distintos, já que no livro, diferentemente do cientista que busca informações, coleta dados, etc., no filme, no livro Neville é uma espécie de Van Helsing que aproveita a letargia dos vampiros para matá-los com estacas de madeira, embora sua mente racional não compreenda porque elas funcionam;
6 - Tem cachorro, mas...: No filme de 2007 o cão pastor alemão, parceirão de Neville desde o começo é um dos fatores que segura espectadores, é um personagem tão relevante quanto o próprio e com o qual nos preocupamos; no livro, embora em dado momento surja um cão, as condições e as relações se dão de uma forma bastante distinta....
7 - Vampiros com linguagem: "Salta pra fora, Neville". Quem grita isso todas as noites é Ben Cortmann, vizinho de Neville e que depois descobriremos que no passado fora colega de trabalho do protagonista. Podemos usar ele como exemplo da distinção entre as criaturas do livro e do filme. No filme, mais zumbis que vampiros, as criaturas são guturais, sem fala, enquanto no livro, os vampiros que perambulam pelas ruas e tentam levar Neville para o time de mortos-vivos, possuem linguagem, falam ou como no caso de Ben, chamam por Neville;
8 - Ébrio: Embora haja momentos no filme que Neville beberique uns gorós, no livro sua natureza é ébria. Bebidas são anestésicas para os dilemas do protagonista, que em alguns casos, passará dias de porre diante obstáculos de sua investigação;
9 - Subúrbio x Metrópole: Até pela questão temporal, os cenários são bem diferentes. No livro, emboara se insinue uma questão global, o cenário é do típico subúrbio norte-americano, enquanto no filme já temos a metrópole enquanto espaço;
10 - Nova ordem mundial: Em grande parte o livro Eu sou a lenda é sobre o medo humano de sua irrelevância e superação por qualquer outra espécie. Como clássicos não têm spoilers, a questão é que justamente por isso, o livro seja mais temeroso, pois diferentemente das criaturas monstruosas e zumbinescas do filme que levam a uma animalidade primitiva, os inimigos de Neville, de outro modo, veremos não representarão a decadências humana em sua forma, mas talvez representem uma nova forma de existência e organização social como veremos na última parte do livro. E aqui temos muito material de análise, já que, em última instância Neville ao mesmo tempo que se torna o medo dos outros, o diferente que não pode ser aceito, a lenda que divide dois mundos, Neville também é o humano cuja narrativa traz o medo da obsolescência, do ocaso diante um outro mais forte e "evoluído", embora evoluído aqui não seja de fato a questão. Ao cabo, Neville representa o medo ao estrangeiro, ao estrangeiro que se torna maioria em seu quintal. Toda essa reflexão perde-se completamente no filme.
