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10 Considerações sobre América Latina sob fogo cruzado, de Mary Jo McConohay ou sobre imperialistas sãos os outros

O Blog Listas Literárias leu América Latina sob fogo cruzado, de Mary Jo McConahay publicado pela editora Seoman; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:



1 - Dividido em cinco partes e reunindo catorze capítulos interessantíssimos, América Latina sob fogo cruzado nos entrega um interessante material que por vezes fica nublado - ou mesmo negligenciado - quando se trata de Segunda Guerra Mundial. Isso a partir das intenções exitosas de McConahayde nos "apresentar a complicada história da Segunda Guerra Mundial na América Latina em narrativas conectadas, como azulejos em um mosaico que, visto em conjunto, dá uma imagem do todo";

2 - Outra intenção expressa no livro é a de tornar amplamente conhecida como se desenvolveu a história da Segunda Guerra na América Latina, inclusive partindo de uma premissa de que muitas das raízes de problemas contemporâneos, não apenas na região, mas globalmente, estão cravadas naquele tempo, sendo um dos exemplos citados certo triscar na ascensão e domínio da CIA, entre outros;

3 - E um dos detalhes positivos da leitura - para além do texto instigante que a autora confere seu estilo - está o olhar crítico com que a autora observa não apenas os vencidos, como também "vencedores". A bem da verdade, McConahay embora norte-americana, não deixa de olhar com suspeição especialmente para os Estados Unidos. No livro escolhas do durante e pós-guerra de certo modo podem fazer levantar uma pergunta, qual diferença em alguns comportamentos entre os aliados e o eixo. Isso não quer dizer que se relativiza ou questiona qual lado certo, mas posturas norte-americanas no exercício e decorrer da guerra é bastante provocativo e questionador;

4 - O que ocorre é que a autora acaba desenterrando um debate que está sempre debaixo de um tapete. Isso porque o livro ao tratar da guerra na região, mais do que demonstrar como os interesses imperialistas, sejam alemães ou norte-americanos, na América Latina e suas riquezas, nos apresenta posturas e atos quase nunca falados que são no mínimo, condenáveis. Grande parte desses atos, no contemporâneo, inclusive seguem em uso na Guerra ao Terror;

5 - Ainda mais curioso é que a nós, brasileiros, o livro narra acontecimentos que geralmente não são abordados, e quando o são, dificilmente com a criticidade da autora. Três capítulos em especial podem ser de interesse específico do leitor brasileiro. Ouro branco, a história dos soldados da borracha, por exemplo, toda a influência da borracha de toda uma mobilização de seringueiros levados aos ermos do país. Mais uma vez, a criticidade da autora nos traz um olhar a uma série de contradições e incongruências em que o povo se torna objeto de manejo nas garras do poder e seus interesses. Alguns elementos neste capítulo desconhecia plenamente;


6 - Já o capítulo Sedução é mais amplo que falar apenas de questões brasileiras, mas trata um bocado das nossas coisas, da capacidade de subversão de um povo que conquista Orson Welles a despeito dos interesses do poder. O capítulo, aliás, nos mais diferentes sentidos, parece ser coisa de filme. Nele toda a estratégia de conquistar a América Latina não com canhões ou sanções, mas com um rato orelhudo, música e desenho animado...

7 - Nesse capítulo a estratégia norte-americana que usou a "arte" como meio de propaganda e geopolítica. Com os Estados Unidos cooptando Walt Disney e toda uma equipe a andar pela América Latina querendo conquistar nossos corações e nos caricaturizar em suas películas. É muito interessante esta história, talvez mais conhecida, mas aqui em todos os seus bastidores. Tal projeto uma afirmação categórica de comprovação da tese de Adorno sobre a indústria cultural, nesse caso, mais que isso, uma indústria cultural estatal do Tio Sam;

8 - Ainda com especificidades para os leitores brasileiros o capítulo Cobras Fumantes narra a jornada brasileira e seus soldados na Europa. Demonstra que a despeito de alguns interesseiros e aproveitadores que hoje usam a imagem da FEB para ver o Exército de forma positiva, o capítulo relembra não apenas como os soldados brasileiros surpreenderam, mas como em seu retorno foram traídos pela própria nação e atirados a certo esquecimento e abandono;

9 - Mas que fique claro que não são apenas as abordagens sobre o Brasil que são importante e relevantes para nós brasileiros. O livro como um todo narra um momento de intensa movimentação pelas Américas e pontos de inflexões, que por muito, muito pouco, poderiam trazer resultados distintos nesse teatro cujo palco é um mundo em histeria. Mostra das mais absurdas e das mais fantásticas ações que caminham com o surreal; mostra como as potências imperialistas tentam intervir numa América Latina já tão cheia dos seus próprios problemas e conflitos;

10 - Enfim, América Latina sob fogo cruzado é leitura indispensável que fala de outros, mas também de nossos tempos. Além disso, carregado de criticidade, evidencia que entre os "heróis" há também erros e maldades colossais. Em muitos casos, políticas efetuadas que têm sido escondidas de modo a não depor contra a imagem dos vencedores, dos bonzinhos que ao cabo, também praticaram suas atrocidades. Ou seja, um livro que te propõe um novo olhar para o conflito e reforçando que, embora não pareça, nos estávamos afundados no problema. 

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