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10 Razões porque rabiscar num livro é muito bom

 Essa semana um tweet de Felipe Neto reacendeu uma discussão que volta e meia acirra os ânimos literários, rabiscar ou não suas leituras. O cara, como muitas vezes peca por seu estilo, generaliza [até porque já falamos aqui do quanto isto assusta parte dos leitores] a questão; não caímos nessa, entretanto, compartilhamos aqui algumas boas razões para rabiscar seus livros [pelo menos eu gosto]:



1 - Não deixar a leitura: Uma das razões para eu rabiscar um livro é aproveitar o insight, não perdê-lo. Isso é muito comum especialmente em quem trabalha com a interpretação da leitura. Ter uma caderneta próxima é uma alternativa, ainda assim alternativa que te afasta por tempo demais da leitura. Assim, rabiscar no livro é uma forma de não deixar a leitura para escrever aquela coisa que lhe estalou à mente naquele específico trecho. É aproveitar o momento, ali, na hora, mas sem abandonar a fluidez da leitura;

2 - Trilhas para interpretação: A soma dos seus rabiscos constituem verdadeiras trilhas para a interpretação de sua leitura. Seus sublinhados, seus enlaçamentos apontam para algo que tenha lhe chamado a atenção, mesmo que no final da leitura você às vezes nem mais se lembra as razões que te levaram marcar aquele trecho;

3 - O leitor levado para dentro da obra: O rabisco talvez seja a manifestação física, palpável daquele poder que os teóricos da recepção transferiram ao leitor. Ao rabiscar você produz sentidos, amplifica-os, enfim, participa da obra. O rabisco é a forma que os leitores acharam de deixar ainda mais nítido o quanto são eles que controlam o jogo depois de livro acabado. Marcam as fronteiras do autor;

4 - Também é um diálogo: Mas se podemos pensar nos rabiscos como uma afirmação do leitor, é também diálogo deste com o autor. O momento de sublinhar, colocar pontos de interrogação espalhados pelas páginas. Ali estão as perguntas que você gostaria de apresentar ao autor;

5 - Extremamente útil na vida acadêmica: Acho que entre os leitores que seguem a vida acadêmica o hábito do rabisco é ainda mais popular. Quando você rabisca é um farol para aquilo que poderá ser usado no futuro a seu favor [claro que tem aqueles livros que tendemos a rabiscar parágrafo por parágrafo, rs]. O rabisco, o sublinhar é uma ponte que pode articular suas ideias num provável artigo, num ensaio. É objetividade, é mapa que te leva a algo que contribuirá com você noutras leituras;

6 - É encontrar as contradições e incongruências: O rabisco é muito útil no apontar das inconsistências e contradições do texto. Sempre naquela perspectiva de farol, de iluminar algo que precisa ser iluminado, anunciar os perigos, as pedras pelo caminho. O rabisco é tipo o delator de Poe;

7 - Percurso coletivo: Ah, e os livros de biblioteca? Especialmente nas universidades. Sim os rabiscadores estão por lá [e sim, sabemos que isso dá uma discussão ferrenha]. No meu caso nunca me importem de pegar um livro rabiscado, o farol do outro muitas vezes pode ajudar aquele o qual está em dificuldade de encontrar a luz. Aliás, creio que essas marcações coletivas é a funcionalidade mais bacana na leitura do Kindle. O importante, porém, é que você não fique refém da leitura alheia, que encontre suas próprias coisas a rabiscar;

8 - Leitura profunda: Especialmente no caso de quem precisa compartilhar suas leituras, tudo o até agora falado colabora na construção de uma leitura profunda do livro. Uma leitura, que se no caso das boas leituras, te desnudará os diferentes aspectos de uma obra, pois quando boa, quando eficiente, será geralmente múltipla e multifacetada;

9 - Quando quase uma obrigação: No caso de leituras para pesquisa, estudos, obras técnicas, por mais que haja resistência, acho que o rabiscar é indispensável. Mais do que útil, mesmo uma estratégia de conhecimento;

10 - Identidade e valorização do livro: Por incrível que pareça o ato de rabiscar pode conferir certo aspecto de identidade ao livro. Torna-o ainda mais poderoso. Pense você num sebo. Compra uma obra e começa a ler. Vai encontrando rabiscos, sublinhados e anotações pelo caminho. O livro deixa de ser aquele objeto em série. É o livro de alguém. Mas quem seria esse alguém? Por que esse alguém destacou justamente aquela parte que não te interessa? Isso não diz muito sobre esse alguém? Bem, acho que deu pra passar a ideia. O rabisco valoriza o livro. Valoriza a própria literatura. Pense que todo autor é um leitor, pense que muitas obras podem ter nascido de rabiscos de outras leituras. O rabisco nos abre um universo fascinante de possibilidades.

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