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10 Possíveis indícios da retração do mercado de literatura fantástica

Em junho a Leya gerou certo debate ao anunciar a descontinuidade da obra de Brandon Sanderson. O que gerou especialmente uma discussão foi a editora mencionar "uma retração do mercado de literatura fantástica". Nem todo mundo concordou, principalmente aficcionados pelo gênero. Mas a questão, parece-me, não deve ser observada com paixão [mas também como] e sim com a capacidade de analisar alguns indícios. Selecionamos aqui, 10:

1 - Retração dos livros: Claro que antes de mais nada, tem de se falar de uma retração na venda de livros. Sejamos sinceros, os últimos anos têm sido dilacerantes para o mercado editorial e uma simples comparação das listas anuais do Publishnews revelam a queda enorme na venda de livros no país. Não é de hoje, mas umas poucas centenas de obras vendidas podem levar a obra ao ranking. O que pretendo dizer aqui é que por diferentes razões e causas, a retração na venda de livros é um fenômeno de pelo menos uns dois anos atrás;

2 -  Anos de comparação: Analisar se há ou não alguma retração no mercado de literatura fantástica no Brasil é preciso ter alguma base de comparação. Creio que o boom entre 2012 e 2014 especialmente pode ser um indício de como os tempos de agora são difíceis. O período citado foi responsável não apenas por vendas de milhões de exemplares, mas talvez, o florescer como poucas vezes vistas de uma grande quantidade de novos autores, nos mais diferentes patamares e gêneros, horror e fantasia especialmente. Não se pode ver isso hoje, de jeito nenhum;

3 - Spohr, Draccon & Cia: No topo da popularidade da literatura fantástica, Eduardo Spohr e Raphael Draccon puxaram um bocado o fenômeno, junto de ANdré Vianco que já os precedia, e outros autores que vieram na esteira do trio. Os três figuravam tranquilamente nas listas de mais vendidos e Spohr é um caso de sucesso editorial poucas vezes visto no Brasil com seu A batalha do apocalipse vendendo centenas de milhares de exemplares, um grande feito. Esse fenômeno se repete hoje? Parece-me que não, e mesmo as obras estrangeiras de literatura fantástica não possuem mais o mesmo desempenho;

4 - O fim das autopublicações e similares: Na esteira desse boom, vejamos que entre 2012 e até mais ou menos 2015 borbulhava pequenas editoras e uma grande diversidade de publicações de literatura fantástica em que autores com vendagens menores, ainda assim davam visibilidade ao gênero, especialmente pelo empenho nas redes e blogs [Meu Morgan: o único, mesmo é desse período]. Por N razões, em parte pelos erros do próprio sistema, isso já não se verifica mais e uma grande quantidade destas pequenas editoras nem existe mais;

5 - O fator Amazon: Essas pequenas tiragens ou então tiragens maiores e mais dispendiosas para o autor se auto-patrocinar como os modelos da Novo Século - Novos Talentos e Chiado sofreram um grande impacto, pois hoje a grande maioria dos autores já nem pensa inicialmente em publicar sua obra na forma impressa, começando de começo pela Amazon e seus royalties. A publicação na Amazon pode te levar a dois caminhos, a acomodação pelas comissões recebidas enquanto espera o chamado de uma grande editora, já que se a pessoa recebe um bom recurso, pode pensar sair dali direto para uma editora comercial, ou vem o choque de realidade, e a pessoa descobre que nem sempre é fácil vender livros. Isso deixa tudo nos extremos, e aquele meio que poderia pensar lançar algo, fazer um trabalho formiguinha, acaba desistindo. Além disso, as publicações em e-book não geram a mesma visibilidade que uma enorme onda de publicação de livros, como tivemos entre 2012 e 2014;

6 - O fim do selo Fantasy: Falando em Leya e subsidiárias, liderado pelo próprio Draccon tivemos a experiência do Selo Fantasy - Casa da Palavra que nasceu desce boom e dos bons ventos que se anunciavam para a literatura fantástica. O selo teve seu fim após algumas poucas obras publicadas e aí já podemos ver quem sabe a dificuldade de fôlego para um projeto massivo?

7 - Chegada e partida da Saída de Emergência: Em Portugal quando se pensa em literatura fantástica lembra-se da Saída de Emerência e Bang. No frisson da literatura fantástica por meio da Arqueiro a editora aportou no Brasil carregada de promessas, o resultado sabemos, também foi a descontinuidade;

8 - A interrupção de séries: O fenômeno também se vê no streaming, e não é diferente nos livros. Muitas promessas de séries literárias acabam não indo adiante, seja em entre autores menos conhecidos ou nomes como Sanderson;

9 - Nem nos e-books: Tudo bem, digamos que o problema seja os livros físicos, o mercado, a distribuição... Um detalhe curioso porém é que no universo da Amazon, salvo uma ou outra exceção, a literatura fantástica nunca conseguiu dominar o ranking de leituras, dominado há anos pelas obras que vieram na esteira de Cinquenta Tons de Cinza, gênero que aliás levou muitas autoras da Amazon para grandes editoras;

10 - Menos comentadores, muita guerra?: Aqui a impressão pode ser minha, assim como a falha. Mas desconfio que os comentadores de literatura fantástica estão cada vez mais em seus nichos, conversando em pequenas bolhas. Além disso, no boom que tivemos com muitas boas e más ideias nascendo, também viu-se muita guerra na literatura fantástica em que menos crítica e mais guerra de egos floresceu e cujos impactos, não sei quais.

O texto aqui não quer definir nada, mas propor perguntas, afinal, qual o tamanho do público leitor de literatura fantástica no Brasil? É possível um projeto de alcance massivo para além do nicho? Sucessos como a Aleph e Darkside o são justamente por compreender o gênero como nicho? 

Um comentário:

  1. O FUNERAL DA PROSTITUTA (Editora Katzen), livro de Evandro Nunes, à venda na Amazon.com.br

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