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10 Considerações sobre Textos, tipos e protótipos, de Jean-Michel Adam

O Blog Listas Literárias leu Textos, tipos e protótipos, de Jean-Michel Adam publicado pela editora Contexto; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - Um dos mais relevantes e influentes estudos da linguística textual no Brasil, Textos, Tipos e Protótipos ganha edição integral no país, cuja importância pode é reforçada pela nota de seus tradutores no sentido de uma dívida paga para com os estudos linguísticos ressaltando que "os leitores brasileiros finalmente  têm a oportunidade de conhecer a reflexão original" e "ter contato não só com a teorização sobre as sequências textuais, mas também com a proposição original sobre entre linguagens, discurso, gênero e texto";

2 - Neste livro o trabalho de Adam, de grande procura por pesquisadores brasileiros no campo da linguística textual. Mas não apenas as convicções e definições estanques sem reavaliações, pois que o autor revista alguns de seus estudos, muitas vezes aprimorando-os de tal modo que "se a hipótese de sequências foi frequentemente utilizada, ela foi muitas vezes modificada em sua composição e especialmente pouco se relacionou com o quadro teórico que a justificava" ele lembra em prefácio que aborda algumas questões da edição, lembrando ainda que "o presente livro é somente uma pequena parte de uma teoria desenvolvida e repensada" ao longo de seus estudos e publicações;

3 - Além do prefácio, o livro é composto por outros oito capítulos, entre eles a conclusão ao final e a introdução bastante ampla em que o autor desenvolve-a apresentando o "quadro teórico de uma tipologia sequencial" lembrando da necessidade de se "distinguir e articular linguística transfrástica, linguística textual e análise textual" considerando que "o papel da linguística textual é explorar e teorizar sobre [o] nível intermediário (mesotextual) de estruturação, sem negligenciar o jogo complexo de restrições intrafrásticas, interfrásticas e transfrásticas, discursivas e genéricas" de modo que postula "a existência de tipos elementares de esquemas textuais", sendo que em seu trabalho escolhe "a partir de categorias culturalmente adquiridas";

4 - Dentre outras discussões, nesta introdução inicial a um vasto campo teórico, inclusive observando diferentes contribuições globais para a linguística textual, com nomes brasileiros importantes, por sinal, Adam coloca em debate "tipos ou protótipos?" esclarecendo que "volt [a] à ideia de grau ou escala de narratividade" ao explorar "os limites das categorias" dizendo que fala "de sequências prototípicas na medida em que é em relação a um reconhecimento de formas de formas culturalmente adquiridas que um segmento de texto pode ser interpretado como uma sequência mais ou menos narrativa, argumentativa, ou descritiva etc.;"

5 - Apresentado o quadro teórico Adam parte então para a análise de suas sequências prototípicas, começando pela sequência descritiva aproveitando sua "caracterização sequencial menos rígida" lembrando ainda da longa história da descrição que "foi, além disso, um assunto constante para os teóricos, especialistas na arte de escrever, e para poetas modernos";

6 - No capítulo seguinte ele se dedica à discussão da "sequência narrativa" que "certamente [é] a unidade textual que foi mais trabalhada pela tradição retórica". Tal tradição será considerada por Adam que se debruçará sobre diversas discussões acerca da narratologia para então produzir suas proposições através das análises sequenciais;

7 - Na sequência os capítulos dedicam-se ao "protótipo da sequência argumentativa" com o lembrete de que "não se deve confundir a unidade composicional que denomin[a] com o termo sequência argumentativa com a argumentação em geral" e ao "protótipo da sequência explicativa" procurando esclarecer imprecisões de classificações tipológicas como entre textos explicativos, expositivos e informativos, bem como a questão do discurso e textualidade na explicação;

8 - Por fim, Jean-Michel Adam dedica especial atenção a uma quinta sequência, "a sequência dialogal" que segundo ele é "um modo de composição aparentemente menos estruturado que os outros quatro" mas também bastante ritualizado a despeito de uma aparente "impressão de desordem em seu funcionamento";

9 - Em suas conclusões, Adam aproveita para dizer que "é precisamente a diversidade linguística das formas de textualização que está no centro da presente obra" lembrando que "a caracterização global de um texto resulta de um efeito de dominância: o todo textual é caracterizável, na sua globalidade e sob forma de resumo, como mais ou menos narrativo, argumentativo, explicativo, descritivo e dialogal" e que "o efeito de dominância é determinado seja pelo maior número de um dado tipo de sequência";

10 - E tudo isso vem acompanhando de uma rica demonstração de eventos e suporte teórico, de modo que a argumentação de Jean-Michel Adam consegue demonstrar que as diferentes sequências prototípicas possuem mecanismos próprios de estruturação, demonstrados por uma grande diversidade de textos em seus diferentes e peculiares gêneros. Enfim, é publicação como dito na introdução deste post, bastante relevante e já conhecida entre os que dedicam-se ao estudo das letras e principalmente pelos que tomam a decisão por pesquisar no campo da linguística textual. É obra de referência e que também é ótima ferramenta para quem trabalha com textos.



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