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10 considerações sobre Ela prefere finais felizes, de Ricardo Coiro ou mais do que "sexo, drogas e rock and roll"

O Blog Listas Literárias leu Ela prefere finais felizes, de Ricardo Coiro publicado pela Outro Planeta; neste post as 10 considerações da Gi sobre o livro, confira:

1 – Ótima e divertida leitura, Ela prefere finais felizes conta a história de Leco, gaúcho apaixonado pelo rock da década de 70 e, Laila, uma veterinária paulista que acabou de sair de um relacionamento em que foi traída pelo noivo, de modo que com musicalidade e uma narrativa compartilhada pelas duas vozes protagonistas acompanharemos os problemas que cada um carrega;

2 - A narrativa começa com a partida de Leco de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, para São Paulo substituindo um primo numa banda de rock que toca e bares numa vida de muitos ensaios, bebidas, drogas e mulheres, no estilo “sexo, drogas e rock and roll” quando além das desventuras de um roqueiro na megametrópole se deparará com novas amizades, amores e inusitadas situações como encontrar uma homem preso nu porta-malas;

3 – A insólita situação é que o levará a conhecer a veterinária Laila (nome bastante significativo para sua narrativa mergulhada no rock) com quem fica encantado à primeira vista. A partir desse dia os dois passam a se conhecer numa certa ginástica de convivência já que revelam-se bastante opostos um ao outro;

4 – Leco é um cara bastante sonhador cujo grande sonho é tornar-se um guitarrista famoso. Como muito natural neste tipo de história, não conta com o apoio da família em seus sonhos, com sua mãe embora amorosa, submissa ao marido para quem Leco não passa de um vagabundo. Isso em parte reforça certa carência do guitarrista que considera-se fracassado e que tem dificuldades de lidar com problemas;

5 – Nesse sentido, a amizade de laços fortes feita com Caramujo e o relacionamento com Laila acaba lhe ajudando nessa espécie de “nova” vida, até porque, Leco é na verdade um cara dócil e carinhoso além de bastante divertido com seu indefectível sotaque do sul;

6 – Já Laila é uma mulher sozinha que perdeu a mãe há algum tempo. Apaixonada por sua profissão e por seus cachorros também tem seus sonhos e projetos pessoais, como conhecer a Itália, e acaba se encantando com Leco, embora se serem totalmente opostos já que ele de certo modo está estabelecida profissionalmente. Além disso, com o passo que a relação com Leco avança terá de lidar com os problemas dele, como a questão com as drogas;

7 – De certo modo temos então uma espécie de versão de Eduardo e Mônica contemporâneo em que ela terá lidar com seu presente enfrentando alguns fantasmas que o comportamento de Leco “libertarão” e que a machucaram no passado. Mas nada desses desafios prejudicam a lealdade com que ela lida com as suas relações, tampouco sua meiguice;

8 – Vale ainda reforçar que Leco com sua acidez critica e cética trará à superfície diferentes debates e críticas à sociedade contemporânea, especialmente o universo envolvendo as tecnologias digitais e sociais para com as quais ele é mais do que reservado, é na verdade uma voz dissidente;

9 – Por tudo isso, o livro é carregado de emoção e capaz de nos envolver com sua linguagem tão presente, ainda que, talvez, pessoas de fora do sul (ou mesmo nós) possamos pensar se as marcas da linguagem regional às vezes não estão exageradas. Uma narrativa capaz de nos fazer rir e chorar ao mesmo tempo que muitas das desventuras dos personagens nos comovem plenamente;

10 – Enfim, Ela prefere finais felizes é uma leitura apaixonante, uma leitura maravilhosa que depois que começamos a ler, não queremos mais parar, e ao fim nos deixando aquele gostinho de querer mais.




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