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10 Considerações sobre Um Tempo Aceitável, de Madeleine L'Engle ou sobre viagens temporais

O Blog Listas Literária leu Um Tempo Aceitável, de Madeleine L'Engle publicado pela editora Harper Collins Brasil; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - Quinto volume da série Uma Dobra no Tempo, Um Tempo Aceitável segue o padrão de abordagem dos demais volumes e suas específicas aventuras, expressando de certo modo a dialética presente em grande parte da ficção científica envolvendo aspectos religiosos e científicos que deixam a narrativa no limiar da fantasia e da ficção científica, talvez pendendo um pouco mais à primeira;

2 - Nesta nova jornada, a repetição de outras aventuras, ligando presente e passado em determinados momentos específicos e por meios também bastante próprios em que o tempo dobra-se, construindo pontes entre uma era e outra. Desta vez quem protagoniza a jornada é Polly O'Keefe, neta do casal Murry, que ao mudar-se para a casa dos avós acaba envolvendo-se numa jornada temporal de 3.000 anos;

3 - Dentre os outros dois volumes que li desta celebrada série, este, parece-me, é o que mais pende à fantasia, visto que a carga teológica presente nos personagens e na jornada sobressai-se às questões científicas, aqui, presentes como maior força no fato da viagem no tempo, ainda que tal jornada dê-se por meios místicos e não pela ciência;

4 - Isso porque o retorno de Polly ao passado se dá pelo encontro das linhas temporais, as espirais do tempo, justamente sob a piscina dos avós, levando-a a uma terra ainda bárbara e que a toma por uma deusa. Neste tempo primitivo a mitologia druida ainda vigora, ainda que, também viajando a este tempo, o Bispo Garça (Colubra) seja uma espécie de evangelizador cristão em um tempo que nem mesmo o próprio Cristo houvera nascido;

5 - Nestes dois tempos intercambiáveis, que misturam-se inicialmente de forma pontual, até que a progressão da aventura leve os personagens a imersão maior no passado, a jornada de Polly e os personagens secundários a ela vai desenrolando-se com bastante cadência, e contraditoriamente sem grandes picos de tensão;

6 - Isso, aliás, é um detalhe interessante, pois a narrativa parece buscar o tensionamento causado pelo perigo e pelo estranhamento, afinal a jovem Polly acaba indo parar num tempo remoto e em que duas tribos diferentes, habitantes de duas margens de um rio, não só estão em disputa, mas ainda procuram "resolver" problemas como a falta de chuva por meio de falsas crendices, como o sacrifício. Mesmo assim, com a diferentes possibilidades para a ação, a sensação que fica é de haver certo marasmo na progressão dos acontecimentos;

7 -  Assim, embora Polly esteja no meio dessa grande confusão e a mercê de muitos perigos, a ação parece não chegar ao ápice prometido. Além disso, tanto Polly quanto personagens relevantes como Zachary não possuem talvez grande força de consistência, pois seus dramas e conflitos às vezes não ficam totalmente claros, ou soam verossímeis;

8 - Isso mostra-se ainda mais problemático em Zachary, garoto do tempo presente e que acaba atraído pelo portal temporal ao passado. Sua constituição, a despeito de um suposto antagonismo, ou algo perto disso, é um tanto frágil e inconsistente, mesmo numa narrativa que caminha pelas trilhas da simplicidade. Toda sua relação com Polly apresenta-se um tanto incongruente, mas não tanto quanto o ceticismo burro que ele mantém mesmo após ter vivenciado experiências tão exóticas, digamos;

9 - Por isso, talvez seja o Bispo Garça um dos personagens mais curiosos e interessantes desta jornada. Irmão da Doutora Louise é um religioso por qual passeia a dialética citada anteriormente. Sua relação espiritual dá a tonalidade das intenções ou dos questionamentos e dúvidas da narrativa, e constituem algo relevante para o gênero, pois que tais elementos estão presentes na grande maioria das obras do gênero. Além disso, seus posicionamentos compreensivos e mesmo observadores dos mistérios do universo seguram um bocado as dúvidas apresentadas ou presentes na aventura;

10 - Enfim, Um Tempo Aceitável, embora em termos de ação desenvolva-se em ritmo morno, inclusive se comparado com outros volumes da série, mais do que a aventura pelo portal temporal, nos traz discussões relevantes quanto às mitologias antigas como o druidismo ou o recente cristianismo. Como fantasia é uma aventura interessante, ainda que com seu ritmo mais lento.



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