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Conquiste as Estrelas! 10 Considerações sobre Skyward, de Brandon Sanderson

O Blog Listas Literárias leu Skyward - Conquiste as Estrelas, de Brandon Sanderson publicado pela editora Planeta/Minotauro. Neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - Envolvente e de técnicas narrativas que o aproximam da linguagem do cinema, Skyward é bom entretenimento para aficionados pelo espaço, combates interestelares, naves espaciais e inteligências artificiais sarcásticas e bem-humoradas. Um cheio de aventura, portanto;

2 - Na obra somos apresentados a um futuro cuja distância não está de todo clara e em que após a humanidade "vagar" pelo espaço acaba "aprisionada" num estranho planeta chamado de Detritus. Nessa atmosfera opressiva e cuja visão do espaço está bloqueada por entulhos que vivem a cair do alto, a população humana está bastante reduzida e vivendo sob a égide de um governo autoritário e cujo valor essencial cobrado de todos é "a coragem", inclusive quando levada ao extremo da insanidade e insensatez;

3 - Nessa sociedade qualquer elemento que possa ser considerado "covardia" é ojerizado, e aqueles acusados como covardes defenestrados e excluídos da sociedade Desafiadora, restando viverem como párias. E o que justifica tudo isso é a antiga guerra travada com uma raça alienígena, Krell, ainda que o que restou da humanidade tenha poucas referências e informações sobre o que ocorrera no passado e como aquela guerra iniciara;

4 - É nesse ambiente autoritário e belicista que conhecemos a protagonista Spensa, cujo sonho de "conquistar as estrelas" e tornar-se piloto da FDD e combater os Krell é dificultado por no passado seu pai ter sido considerado "covarde". Isto gera todo o conflito e a perseguição à garota em sua tentativa de tornar-se cadete e piloto da FDD pois que os fantasmas do que acontecera com o pai cobram dela diariamente um preço;

5 - Mas como é de costume no gênero, especialmente por suas características juvenis, a jovem narradora atira-se a uma jornada a enfrentar todas as barreiras que lhes são impostas. Entretanto, é preciso ponderar que embora inflamada por um heroísmo romantizado, especialmente a partir as histórias da Velha Terra contada por sua avó, não trata-se de uma heroína típica, especialmente pelo fato de que inicialmente não passa de mera adepta das políticas autoritárias do Estado e sua comandante Ironsides;

6 - Aliás, há inicialmente a percepção de que seguiremos o caminho de outras distopias juvenis como Jogos Vorazes, Maze Runner e outras em que os jovens protagonistas levantam a desconfiança acerca de seus sistemas políticos e acabam por fim voltando-se contra eles. Mas Skyward apresenta suas surpresas e reviravoltas, entretanto por lógicas distintas. A começar pela boa metade da obra em que Spensa não passa de massa doutrinada pela filosofia belicista daquela sociedade, o que lhe causa mais temor ainda de possuir "o defeito" da covardia. Como a narrativa se dá na primeira pessoa, passaremos boa parte da leitura acompanhando o discurso de uma adepta, o que colocará leitores - claro, de acordo com a filosofia do leitor - e protagonista em frequências distintas. O olhar crítico acerca da sociedade estruturada chegará tão somente quando ampliam-se os diálogos com a cadete FM;

7 - A interação de Spensa com colegas, com o instrutor Cobb, amigos e mesmo a experiência prática no curso de pilotos e as perdas com as quais terá de ligar, claro, levam-na a uma reavaliação do olhar que tem sobre toda a filosofia que estrutura aquele lugar, bem como lhe faz perguntar sobre o que os levara até ali. Todavia, se há esse refinamento crítico quanto à sociedade Desafiadora, não significa contudo que haverá uma ruptura com tal ideologia;

8 - Essa é uma questão bastante interessante nesse romance. Há uma espécie de dúvida sobre qual mensagem a narrativa deseja passar. Inicialmente temos uma forte apologia aos heroísmos romantizados, a certos valores morais de cavalaria como coragem e honra a ponto de quase termos uma apologia ao agir autoritário justificado pelo conflito. Mas então chegam algumas dúvidas, descobertas inclusive de Spensa a respeito das aparências daquela sociedade e da própria doutrinação a que todos são submetidos mas que nem todas as castas precisam pagar tal preço. Temos a impressão que chegará o momento de se questionar a tal coragem, a covardia, mas esse momento nos parece que não chega á pleno. Aliás, embora haja certa crítica ao comportamento humano e sua disposição bélica como veremos na parte final e as revelações que podem esclarecer muitas coisas, no fim a crítica perde impacto ao passo que não se procura com as descobertas de Spensa procurar novo destino à humanidade;

9 - Além disso, vale comentar ainda que o livro segue o rito das narrativas próximas que meio pré-determinam seus heróis e vilões. A herança genética esta presente em Spensa e nas possibilidades que possui. Do mesmo modo, há nela aquela porção de "escolhida" tão cara à literatura jovem, fato que leva o romance ainda a possuir nuances de fantasia a invadir o cenário de ficção científica;

10 - Enfim, Skyward é uma leitura interessante. Possui uma ambientação instigante que cativa muitos leitores, uma narrativa que envolve e nos convida a permanecer na obra, e uma trama com muita ação e aventura. Embora a mensagem que pretenda nos passar ainda esteja um tanto difusa, a indicação da sequência em uma série, possa definir e fechar algumas questões.





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