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10 Considerações sobre Máquinas Mortais, de Philip Reeve ou bem-vindos à era da fumaça

O Blog Listas Literárias leu Máquinas Mortais, de Philip Reeve publicado pela editora Harper Collins; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - Eletrizante e criativo, Máquinas Mortais explora todas as possibilidades do steampunk, numa narrativa tecida com habilidade e ritmo envolvente que entrega aos leitores ação do princípio ao fim, tudo isso num ambiente novo e velho, recheado de perigos, personagens bem construídos, e paisagens instigantes;

2 - Neste romance, o steampunk não apresenta-se numa visão alternativa da história, mas avança no futuro longínquo que pela visão das obra nos surgirá como um meio do caminho entre nosso presente e passado, aliando tecnologia e combustão numa seleção de máquinas e engenhocas capazes de ligar passado, presente e futuro;

3 - Logicamente estão nas cidades tracionadas as principais máquinas e engenharias do romance. Neste futuro, as cidades em geral são governadas por prefeitos déspotas e constituem elas mesmas gigantescos mecanismos de tração, movidas a combustíveis poluentes ao máximo, mas principalmente pelas ambições dos homens, sempre dispostos a explorar semelhantes e não frear nunca as batalhas por poder;

4 - Isso resume basicamente a principal cidade tracionada da narrativa, a tirânica Londres, governada por um prefeito sem limites para suas ambições e maldades. Nesse microuniverso ambulante que é a cidade, a sociedade é dividida por castas, as guildas, engenheiros, e historiadores, especialmente, que sustentam a política do Lorde-Prefeito, que nas entranhas da cidade escraviza capturados, opositores, ou simplesmente jovens abelhudos;

5 - Os abelhudos, no caso, especialmente a dupla de casais, Hester e Tom, que fogem da cidade, e Khaterine e Pod, que dentro da cidade lutarão suas próprias batalhas, que de certo modo unirá-se à jornada dos fugitivos, e essencial, inclusive para o desfecho final do romance que se desenvolve numa ação coordenada, entretanto não planejada, tampouco combinada;

6 - Aliás, esta é uma das virtudes do livro, que nos entrega uma leitura envolvente a partir do dinamismo dos acontecimentos, que conectam-se com a habilidade natural dos efeitos de causas e consequências. Isso permite ainda que o leitor seja surpreendido com acontecimentos inesperados e mesmo improváveis em alguns desfechos que por certo poderão impactar alguns leitores;

7 - Esse dinamismo e essa rapidez dos acontecimentos, ampliado pelos capítulos curtos, joga o leitor numa espiral vertiginosa de ação, pois quando posta a aventura na mesa ela é constante, de modo que as descobertas e as discussões de fundo, não sendo o leitor destes que atiram-se a todas as camadas da narrativa, poderão passar batidas perante o frenesi do perigo. Os personagens possuem pouco tempo para tomar fôlego e refletir acerca dos eventos que participam, o que dá vantagem ao leitor em relação aos heróis, pois já terão uma ideia dos ardis envolvidos enquanto os protagonistas levarão certo tempo para compreender suas próprias situações;

8 - Isso é positivo, pois os heróis e heroínas desta narrativa surgem então um tanto mais verossímeis por causa de suas respectivas reticências, especialmente de Tom, que viverá o conflito provocado pela descoberta de ídolos caídos, ou seja, o saber que tudo aquilo que sempre acreditou ou conhecia não passava de ilusão cuja verdade mudava todos seus conceitos estabelecidos. Para construir sua nova opinião, não só sobre Londres, mas sobre a nova ordem do darwinismo municipal com cidades tragando cidades, ele precisará viver a experiência oposta ou verificar por si mesmo as imagens falsas que guardava;

9 - Além disso há nas mensagens que podem ser depreendidas da leitura, uma alerta bastante distópico e desesperançoso. Reeve cria um universo muito a frente do nosso futuro, e a frente de intensos períodos de guerra que levaram o planeta ao colapso total que levou então ao surgimento das cidades tracionadas, à selvageria do darwinismo municipal e à tirania sedenta dos políticos. No fundo, parece que de forma criativa, mas não menos decepcionante, o autor nos diga que não importa qualquer alerta, poderemos destruir o mundo, e mesmo caso ele se reerga, não demorará os homens voltarão a destruí-lo, como a guerra iniciada por Londres nesse curioso universo steampunk;

10 - Enfim, Máquinas Mortais é uma narrativa bastante rica e que permite diferentes leituras, do básico entretenimento dos que caçam aventura a algo mais para aqueles que dedicam-se às metáforas e alegorias que a compõe. Além disso, vale dizer que é uma obra que agrada também porque trilha caminhos inesperados e nos apresenta soluções que muitas vezes fogem do esperado. Essa é uma coisa que torna a leitura agradável.


   

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