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10 Considerações sobre A Amiga de Leonardo Da Vinci, de Antonio Cavanillas de Blas ou sobre o poder das grandes musas

O Blog Listas Literárias leu A Amiga de Leonardo Da Vinci, de Antonio Cavanillas de Blas, publicado pela Marco Polo, pertencente à editora Contexto; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - Primeira tradução do autor publicada no Brasil, A Amiga de Leonardo Da Vinci é romance histórico que lança suas próprias teorias acerca da relação de Cecília Gallerani, a jovem retratada na famosa obra de Leonardo Da Vinci, Dama com Arminho, com o próprio ícone da arte e também com a própria história num tempo de grandes agitações e descobertas pelo globo terrestre;

2 - Para tanto, De Blas situa seu romance pela perspectiva da própria Cecília, conferindo-lhe uma voz em primeira pessoa e em tons de memória quem perto da data estimada de sua morte, 1536, relembra sua vida intensa, especialmente na juventude, seus amores proibidos e a relação de amizade com Leonardo Da Vinci;

3 - Com isso o livro perpassa por importantes momentos dos Séculos XV e XVI, até porque Cecília Gallerani acaba sendo uma personagem muito próxima da história, uma espécie de testemunha privilegiada dos acontecimentos das principais cortes italianas à época, de modo que por meio dessa voz ficcional o autor acaba tecendo seus próprios conhecimentos do período;

4 - Aliás, há duas questões importantes quanto à voz da narradora-protagonista. Não estou entre aqueles que não creem ou não gostam de que homens narrem por vozes femininas, e principalmente o contrário, que não raro desperta ainda preconceitos sem sentido. Digo isso, porque não vejo problema em tais escolhas, entretanto, no caso deste romance, ainda que na maior parte do tempo bastante convincente enquanto uma velha senhora sacudida pelos pesares do tempo rememora sua juventude, há porém determinadas passagens que a voz masculina do autor acaba invadindo a voz de sua Cecília;

5 - O outro ponto trata-se especialmente da parte final da narrativa, quando talvez pressionado pela intensidade da história, a voz de Cecília acaba assumindo certo didatismo que em determinadas passagens temos a percepção de estarmos acompanhando uma aula de história medieval. É quando especialmente o histórico predomina sobre o romance;

6 - Mas tais questões não prejudicam o contexto e as intenções da narrativa. O romance, embora mais insinue sobre Da Vinci, um personagem tangente e mais presente quando da pintura do famoso quadro, acaba de fato trazendo relevância a personagem Cecília, amante do duque de Milão, Ludovico Sforza, poeta cuja paixão pela intelectualidade e pela arte a permite habitar com desenvoltura as cortes italianas, tão agitadas da época;

7 - Nesse sentido vale dizer que De Blas dá a sua Cecília um perfil de sobrevivente ardilosa e inteligente capaz de conviver com os desafios de seu tempo, e que não eram poucos, mas também capaz de viver suas paixões e de acordo com o autor, mesmo o amor, com seu posterior feliz matrimônio. Somado a isso e a idade da narradora, temos um olhar sobre o mundo que mostra a importância de saber-se viver a própria época e dela retirar máximo possível;

8 - Claro, que além da vida de Cecília, há na primeira metade especialmente certa reconstrução biográfica do quadro Dama com Arminho, dizendo das motivações de sua feitura, além de ainda que tangencial trazer para a narrativa discussões acerca da obra de Da Vinci;

9 - É portanto uma narrativa bastante rica enquanto informações e nos apresenta um panorama importante de um conjunto de décadas que acabaram mudando a própria história do mundo, especialmente por seus conflitos e revoluções e novas descobertas que tanto agitaram as últimas décadas do Século XV e primeiras do XVI. Cecília por sua proximidade com a história acaba sendo narradora eficiente para contá-la;

10 - Enfim, uma boa obra para leitores do romance histórico, aliás, a história por vezes sobressai-se ao romance, contudo isso não atrapalhe que o autor acabe conferido a esta personagem viva da história que sobrevive em seu retrato pintado por um dos maiores gênios do mundo, certa autenticidade e autoridade enquanto testemunha da história.



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