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10 Coisas que precisamos falar sobre adaptações literárias

Não é de hoje que cinema, televisão e mesmo o teatro recorrem às adaptações literárias, e os resultados são os mais diversos possíveis. No que se refere então a adaptações para o cinema as reações ficam entre a paixão e o ódio, geralmente num dos polos. Para irmos além do ame-o ou odeio-o, falamos aqui 10 coisas sobre as adaptações literárias que deveríamos levar em conta, confira:

1 - Obras distintas: Sabe aquela discussão sobre fidelidade? Bem, é o tipo de coisa bastante inócua, especialmente porque precisamos considerar que a obra adaptada não é mera cópia da sua fonte original, mas sim uma obra distinta, que ainda que nascida de algo demarcado, deverá ser analisada e criticada enquanto coisa nova. Não podemos, por exemplo, fazer uma crítica do romance O Senhor dos Anéis a partir do filme e vice-versa (ainda que resenhas de livros por meio dos filmes seja corriqueiro no ensino médio). Enfim, a adaptação será sempre uma coisa nova, uma obra distinta, e essa é uma premissa inicial importante;

2 - A qualidade de um não desmerece/qualifica o outro: Se compreendemos então a adaptação como uma coisa nova, vale dizer que ela não desmerecerá, tampouco qualificará a outra, de modo que um ótimo filme adaptado nos livros não significará necessariamente grande livro, ao mesmo tempo que livros bons nem de longe significam uma grande adaptação, vide fracassos retumbantes como as adaptações da obra de Philip Pullmman ou então as dezenas de tentativas de repetir um Harry Potter sem grande sucesso, caso de As Crônicas de Nárnia, por exemplo;

3 - Nada de cópias: Portanto, nada de esperarmos que uma obra seja uma cópia exata dos livros, dos quadrinhos. Aliás, não trata-se de uma ciência exata, mas a subjetividade de nossas percepções também são importantes, e penso que na maioria das vezes quanto mais a adaptação soa como cópia exata do livro, maior a tendência de ambos serem ruins;

4 -  A Aura: Isso não significa que não deva haver uma relação próxima entre adaptação e livro-fonte. Walter Benjamim fala em A Obra de Arte na Era da Reprodutibilidade Técnica fala sobre a aura da obra de arte. Esse conceito de aura precisamos manter em vista, de modo que geralmente os que muitos procuram como fidelidade é de fato a aura da obra literária vista na adaptação, algo que acontece, por exemplo em O Senhor dos Anéis, O Poderoso Chefão, Harry Potter, Laranja Mecânica, Blade Runner, entre tantos outros exemplos. Por isso, pensamos que ser fiel a uma obra adaptada é ser fiel à sua aura, mas com todas as liberdades de releitura e ressignificação;

5 - Eclipsamento: Nessa luta de equilíbrio pela aura da obra de arte, não raro, ocorre também o eclipsamento de uma das plataformas, quase sempre os livros, visto que uma boa adaptação, por seu alcance de massa, acaba tornando-se de maior alcance, e ainda que haja a construção de relação, a adaptação muitas vezes se sobressair, exemplo de O Poderoso Chefão, que comparativamente ao livro é muito mais conhecida. No caso de alguns de alguns filmes, caso de Rambo, às vezes nem sabemos tratar-se de adaptação;

6 - Livros possuem mais possibilidades: Posso cometer engano, mas parece-me que os livros possuem mais vantagens que as adaptações. Primeiro porque as linhas de bloqueio para inventividade são bem menores, bem como os próprios condicionantes. A escrita, diferentemente da adaptação, permanece livre (especialmente em tempos das centenas formas de publicar), enquanto a adaptação, seja para o cinema seja para a televisão envolve uma série de elementos que muitas vezes soam como filtro, como mercado, indicadores de censura, público, orçamentos, etc... Vejamos por exemplo o polêmico Cinquenta Tons de Cinza, cujo livro até adentra a literatura erótica, e é, inclusive, a gênese da publicação, enquanto o filme não ultrapassa os limites de uma série das 22, da Globo. Além disso, alguns efeitos como a relação homoerótica em Grande Sertão: Veredas é muito mais potente que sua aclamada adaptação para a televisão, pois Diadorim vivida por Bruna Lombardi entrega de início todo o drama do narrador, com isso, suaviza possíveis conflitos;

7 -  Imaginação Sem Limites: Avatar precisou esperar pela tecnologia para ser filmado, mesma necessidade teria interferido na sequência de episódios de Star Wars. Isso revela-nos (cada vez menos, é verdade) que a industria e a tecnologia nem sempre acompanha a imaginação, o que, retomando o campo das possibilidades, torna livre a criação dos autores, desde que eles não sucumbam aos filtros que hora ou outra erguem-se contra a criação;

8 - Narrativas cinematográficas: Coisa recente, de alguns anos, imagino, na expectativa de serem adaptados e ganhar com isso as benesses financeiras do cinema, vimos aumentar os livros narrados já numa linguagem de cinemas, como se já pensados para futuras adaptações. Nossa avaliação nisso é clara, talvez conservadora, mas ou escreve-se um romance ou escreve-se um roteiro, o meio termo quase sempre gera obras esquecidas em um, dois meses;

9 - O Inverso é quase sempre sofrível: Pouco falado, mas há ainda a romantização de filmes originais, ou seja, a velha tática de torcer um pouco mais o pano e fazer surgir moedas. Não que seja uma regra, mas praticamente todas novelizações que tive oportunidade de conhecer, eram bem passáveis;

10 - Por que adaptar?: O post, talvez em alguns possa fazer surgir o sentimento de conflito, oposição, como se fosse uma disputa sobre quem vence, livro, ou adaptação. Não trata-se bem disso, há exemplos de adaptações cuja fama supera o próprio livro-fonte, há casos de desempenhos sofríveis que só ampliam certa celeuma que não raro é compartilhada por autores que até mesmo negam-se a assistir as adaptações de suas obras. Há, como vimos, exemplos que não funcionam em nenhum dos casos. Diante disso, afinal, por que adaptar? Por que não? Lembremos que infelizmente não é possível imaginar os livros como obras de massa, mesmo naqueles conhecidos por seu alcance de massa, o alcance de um livro será sempre bem menor que de um filme. Aliás, essa é uma coisa boa, se pode-se levar grandes obras a um número grande de pessoas, por que não? Vejamos o exemplo de Philip K. Dick, autor infelizmente, aqui no Brasil, ainda desconhecido de grande parte do público. Entretanto, muitos conhecerão de seu trabalho, embora às vezes não saibam, nas diferentes adaptações de seu trabalho como nesta lista.  

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