Header Ads

7 Considerações sobre Viver bem é a melhor vingança, de Calvin Tomkins

O Blog Listas Literárias leu Viver bem é a melhor vingança, de Calvin Tomkins publicado pela editora Autêntica; neste post as 7 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - Com escrita elegante e numa prosa de tom bastante intimista, Calvin Tomkins nesta nova publicação no Brasil, pela Autêntica, nos entrega uma narrativa jornalística em tom documental sobre o casal bon vivant Gerald e Sara Murphy que na segunda década do Século XX estiveram intimamente ligados a nomes do modernismo e das artes e literatura;

2 - Em especial, a obra irá tratar da relação do casal com F. Scott Fitzgerald e sua esposa Zelda como o casal, uma relação marcada por curiosidades, mas acima de tudo por uma amizade a se ver na publicação, capaz de superar muitos contratempos, entre eles, a publicação de Suave é a Noite, de Fitzgerald que se inspirara em elementos do casal para elaborar sua narrativa;

3 -  Mas além da relação com o casal Fitzgerald, a obra coloca os Murphys como centro de atração a importantes nomes da arte e da cultura, especialmente dos movimentos de vanguarda, como o modernismo, de modo que na propriedade do casal, a presença de nomes como Picasso, Léger, Hemingway, era corriqueira, e com isso, não só recebendo grandes nomes e concedendo grandes recepções, mas se tornando um importante ponto de encontro das grandes intelectualidades do Século XX;

4 - Além disso, a riqueza cultural e intelectual levou a determinado período com que o próprio Gerald se dedicasse a arte por meio da pintura, cujos quadros ainda que poucos, mesmo hoje são valorizados por seus recursos estéticos;

5 - A leitura, portanto, nos conduz a uma interessante viagem em meio a uma efervescência cultural, que contrasta em tons amenos com o endurecimento do mundo fora da bolha a qual viviam muitos deles, em geral integrantes de uma burguesia artística da Europa e da América. Centrado em certo misticismo ou fantasismo acerca do modo de vida dos Murphys, é como se o mundo externo não importasse, tanto que serão as tragédias pessoais a marcar a escrita - e claro, muito mais violentamente, a vida de Gerald e Sara;

6 - Vale ainda dizer que a narrativa de Tomkins surge mais como reverência do que propriamente procurar compreender ou conhecer mais os Murphys, visto que sua obra olha para o casal com um olhar bastante especial e não desfeito de grande admiração, e com isso, mais observamos a cordialidade e os encantos da dupla de intelectuais, do que vislumbramos com profundidade os mistérios que levam a ambos serem tão sui generis, mesmo num círculo tão progressista e evoluído;

7 - Enfim, a obra nos permite penetrar nem que seja por alguma fração distante o universo da burguesia e das grandes elites intelectuais daquela primeira metade de Século XX e que tanto legaram para suas futuras gerações, sendo que por meio da trajetória dos Murphys podemos avançar pela literatura de dois, dos grandes romancistas americanos. Ademais, a atmosfera etérea, por vezes ingênua e mágica, de certo modo aponta para a concepção de vida de Gerald, vista e claro sob os olhos de Tomkins.



Nenhum comentário