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7 Considerações sobre O Conquistador Nórdico, de Ricardo Henares ou por que literalidade é importante

O Blog Listas Literárias leu O Conquistador Nórdico, de Ricardo Henares, publicado pela Chiado Editora; neste post as 7 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 – A principal coisa a dizer sobre O Conquistador Nórdico é que trata-se certamente de uma leitura bem diferente porque embora com boa escrita, coesa e coerente, em termos literários o estranhamento provocado não é o “bom estranhamento” capaz de dar literariedade à obra, mas o estranhamento provocado por uma estrutura nada convencional e que não parece ter sido fruto de uma escolha, mas sim outras razões;

2 – Na verdade temos uma obra bruta com pouca linguagem literária, de modo quem em frases curtas e estilo de relatório funcional o narrador vai apresentando trechos e partes de uma narrativa que pretendia-se complexa e envolvendo um grande jogo de luta por poder;

3 – A questão da narrativa que poderá incomodar a leitores experientes é o de ao final termos a impressão de estarmos diante uma fase preparatória, um brainstorming cujo fluxo criativo vai colocando as situações, por vezes dando ritmo, por vezes, por exemplo, interrompendo a narrativa com listas de personagens, cujas características são reveladas como fichas de um game, fator que muitas vezes dão a sensação de um manual;

4 – Além disso, embora grande parte dos nomes escolhidos pelo autor sejam condizentes, a escolha do nome para seu protagonista acaba causando ruídos numa trama de características nórdicas, pois é no mínimo, uma escolha pouco usual para este tipo de narrativa, cuja crítica aqui é relevante porque tal escolha acaba interferindo na empatia entre personagem e leitor;

5 – Todavia, feitas estas ressalvas, e que embora muito da ação seja freada criando momentos anticlímax, essa é uma leitura para quem superando o estranhamento de sua estrutura narrativa e que goste de muita “trocação”, embates, e guerras poderá encontrar atrativos nos combates e nas lutas proporcionadas pelo livro;

6 – Contudo, embora um universo vasto a que tenha tentado dar vida, a obra terá justamente na ação e no movimento de suas personagens, totalmente destituídos de qualquer reflexão com complexidade e profundidade psicológica, a principal característica da obra, e que dependerá muito das escolhas e da procura do próprio leitor para a avaliação final de sua leitura;

7 – Enfim, este é um trabalho inicial, talvez por isso, parte de suas características e ingenuidades narrativas de certo modo não deixam de causar impacto ao leitor. É logicamente, por tudo que já comentamos aqui, uma escrita um tanto diferente do que vemos por aí, a positividade ou não dessa característica estará intimamente ligada à experiência de seus leitores. Em síntese é uma obra de bom domínio da escrita, mas que em termos de prosa literária e literariedade é algo a que precisamos avaliar e refletir um pouco mais.



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