domingo, 23 de julho de 2017

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7 Considerações sobre O Fantástico Universo do Ser Humano, de Carlos Holthausen

O Blog Listas Literárias leu O Fantástico Universo do Ser Humano publicado pela editora autografia; neste post as considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - O Fantástico Universo do Ser Humano é um ensaio em linguagem acessível e escrita fluída que se propõe a discorrer sobre o amplo e complexo existir dos seres humanos, seus desejos, seus conflitos, enfim sobre todos os desafios e aprendizagens ao longo do processo civilizatório de nossa sociedade, seu êxito ou não na proposta caberá ao leitor ao final de sua leitura avaliar as propostas e os conceitos apresentados;

2 - Desta forma o livro se coloca numa posição intermediária, entre o acadêmico e o popular, sendo a academia presente no conjunto e no foco de suas discussões, mas se tornando popular justamente pela escolha e pelo processo de linguagem construído de forma acessível mesmo para leigos no universo complexo da psicologia e dos estudos humanos, o que é tanto uma virtude quanto um elemento de crítica ao livro;

3 - Na verdade, o que temos é uma obra dotada de pretensões o que também revela o perfil audacioso do trabalho que apresenta-se com fortes ambições no intuito de promover novos olhares e com uma forma bastante autoral e sedutora de fazê-lo de modo que que se tentará sempre na linguagem buscar pormenorizar elementos mais complexos ou distantes do leitor leigo ao assunto;

4 - Desta forma, se a característica autoral é bastante presente, por outro lado o autor ainda que permeie seu trabalho com o conhecimento pessoal adquirido, incorpora-o de tal forma à estrutura do texto que acaba mascarando ou não explicitando referências pregressas, o que para um trabalho que não se deve de todo esquecer ou abandonar o viés acadêmico, nos deixa algumas dúvidas;

5 - Particularmente senti falta de referências e mesmo da bibliografia presente nas discussões do ensaio, além de que há de certa forma, justamente por causa do nublamento teórico, a impressão de estarmos diante de uma argumentação menos formal para além do que já se permite aos ensaios, do contrário do que poderíamos depreender de um texto com foco específico;

6 - Por causa disso corremos, enquanto leitores, o risco de apenas com a leitura desta obra, cairmos nas armadilhas da simplificação de problematizações complexas num campo tão diverso e com tantos outros pensadores, que a linguagem fluente e até mesmo desenvolta do ensaio pode levar-nos a não ver para além do que está neste trabalho, que se bem escrito de tal forma que o ritmo das palavras são convidativos, contudo parece simplificar demasiadamente seu olhar, além de trazer algumas concepções que demandam maior profundidade de discussão;

7 – Enfim, é uma obra não destituída de interesses, mas deve ser lida com as devidas ressalvas a despeito de suas pretensões. Ademais, a este leitor, fica a preocupação e a sensação de que o ensaio, cativante em sua linguagem, mas temerário em sua solidez referencial venha ao final reproduzir percepções que fazem parte do senso comum, como a naturalização de mazelas humanas como vemos em “a conclusão que temos aqui é de que, para a vida, os confrontos, as disputas, o uso de uma vida pela outra, até as lutas e as guerras são processos naturais e fornecedores de energia...” numa declaração a que não faltam pensamentos refutadores, pois está imbuída justamente dos males que precisamos superar enquanto humanos e que versam da capacidade de superarmos a banalidade da naturalização de condutas que ao longo dos séculos tem procurado justificar e aceitar barbáries e preconceitos aos quais buscamos vencer.



Reações:

3 comentários:

  1. Olá adorei o conteúdo do seu blog parabéns

    Tudo muito interessante e bem claro

    Fica o convite para conhecer a minha página: https://apoesiaemcena.blogspot.com.br/

    Muito obrigada e até logo.

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  2. Como autor do livro estou gratificado pela realidade das considerações que têm elogios e críticas, em ambos os casos, construtivas.
    O que me chamou a atenção foi o pequeno texto ressaltado do livro sobre a necessidade humana das guerras, por exemplo. Digo com esperança de ser compreendido, que enquanto o ser humano não assumir suas necessidades primárias do corpo não há solução possível para os confrontos mortais entre nós mesmos.

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  3. Achei muito interessante a sua postagem, criativa e diferente, parabéns!!
    Aproveito para deixar o link do meu blog caso queira conhecer
    https://apoesiaemcena.blogspot.com.br/2017/08/lua.html

    Boa noite e tudo de bom!

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