segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

10 Considerações sobre O Menino Feito de Blocos, de Keith Stuart ou como pixels constroem pontes

O Blog Listas Literárias leu O Menino Feito de Blocos, de Keith Stuart, publicado pela editora Record; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:


1 – O Menino Feito de Blocos é uma narrativa emocionante que trata da fragilidade dos laços humanos diante medos ou da própria incapacidade de vencer ou superar determinados dramas, bem como trata de maneira bastante eficaz das ações que podem levar à dissolução familiar;

2 – Para tanto, a partir da narrativa em primeira pessoa de Alex, um pai colecionador de pequenas frustrações e incapaz de lidar com o autismo do filho Sam e traumatizado pela perda de um irmão vê todas suas ilusões ruírem-se de vez com a separação experimental ao ser mandado embora pela esposa Jody, fazendo com que meso as frágeis certezas dele venham por terra como que sua vida toda fosse alicerçada com argamassa fraca;

3 – É que na verdade, para além do autismo, esta é uma história que seus personagens tanto quanto Sam escondem-se ou fogem de seus dramas e desafios, como o caso do próprio Alex que diante da incapacidade de compreender o problema do filho esconde-se sob a fachada de um pai que faz de tudo, mas escondendo-se atrás de horas e horas de trabalho e fugindo constantemente do desafio de agir com o próprio filho;

4 – Por isso, de certa forma o romance trata da reinvenção, da mudança de ações e foco dos personagens que diante da ruptura da zona de conforto precisam justamente agir de um modo que até então não conseguiam, geralmente por medo ou acomodação;

5 – Aí então entra o jogo de Minecraft como elo a diminuir a distância entre pai e filho e abrir uma grande porta de compreensão, pois pela linguagem compartilhada no jogo Alex começa aos poucos a reparar não só em suas falhas, as como na necessidade de busca outras formas de entender Sam;

6 – Todavia o Minecraft embora de papel fundamental, acaba não sendo ele o responsável pleno nos avanços dos diálogos de pai e filho, mas sim uma mudança plena e não imediata que surge justamente das novas formas co que Alex precisa agir e atuar, que diante a quase certar dissolução da família precisa inverter seus pontos de perspectiva seguindo em caminho contrário que vinha até então, precisando ele também a se reinventar e acima de tudo se tornar capaz de compartilhar e assumir suas responsabilidades sem esconder-se sob qualquer máscara;

7 – Nesse sentido o livro, não só a respeito do autismo, mostra-se um drama familiar interessante e possível que revela dos desafios do casamento, das pequenas ou grandes coisas que podem afastar um casal, além de mostrar que há certa distância em pensar que faz as coisas certas e realmente estar agindo da melhor forma para com todos;

8 – Portanto, temos aqui não somente uma obra a respeito do autismo de como o Minecraft foi útil nesse caso, mas sim uma obra sobre família, laços, decepções, cansaço, fragilidade, desencontros e traumas que podem fazer parte desta instituição em que acima de tudo demanda compreensão e dedicação de seus membros para que mesmo os maiores desafios possam ser suplantados;

9 – Todavia, não se pode deixar de observar como a narrativa coloca o jogo e a interação on-line no meio disso tudo, mas que por trás vem com a mensagem de “ei, para um tempo, dedique-o ao seu garoto (a), veja-o, escute-o, e antes de vê-lo como difícil, inverta o botão da perspectiva”. E para isso jogar junto aos filhos ou permitir-se penetrar em seus ambientes pode colaborar para o sucesso da compreensão ou não de seus problemas e dramas;

10 – Enfim, numa estrutura e plano meio que cinematográfico, ainda que com alguns toques de previsibilidade, O Menino Feito de Blocos é uma narrativa capaz de emocionar e envolver seus leitores num drama real e que acima de tudo demonstra que para vencer um problema tem-se que observar as perspectivas e que acima de vê-los, buscar compreender os problemas, seus mecanismos, suas estruturas, poderá ser o caminho mais curto a vencer estes pequenos, as não menos cruéis, monstros do dia a dia;



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