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"Tão tá." 10 Considerações sobre o livro Sobre Caçadores, Vigaristas e Banqueiros Suíços, de J.C. de Toledo Hungaro

O Blog Listas Literárias leu Sobre Caçadores, Vigaristas e Banqueiros Suíços, de J. C. de Toledo Hungaro publicado pela editora KWABB-FORTEC; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - Sobre Caçadores, Vigaristas e Banqueiros Suíços é uma interessante e convincente narrativa que se passa no universo do mercado de capitais e expõe elaborados jogos de golpes e intrigas financeiras que mesmo indiretamente propõe reflexões sobre a selva financeira do capitalismo em que a diferença entre criminosos e executivos é muito tênue;

2 - E J.C. de Toledo Hungaro é de fato um grande mestre deste tipo de narrativa, criando personagens críveis e originais, grandes "players" num gênero poucas vezes escrito com habilidade por autores brasileiros, o que aliás, aponta certa negligência das grandes casas editoriais para com o autor, visto que ele apresenta potenciais tanto mercadológico quanto estético, pois é bastante única no país;

3 - Nesta trama, cuja narrativa divide-se em duas vozes, uma primeira parte em terceira pessoa e que somos apresentados a um grande golpe internacional, e a uma segunda parte, em que Fernando de Aranjuez parte na caça da grana perdida conta com sua voz peculiar e distinta o desfecho da ação;

4 -  E tudo isso é regado por bebidas caras e aromas dos mais raros charutos em ambientes habitados por milionários afetados ou corvos rapineiros atrás desses milhões, construindo com isso uma narrativa que evoca certo charme sofisticado num universo de ações tão criminosas quanto os submundos dos pardieiros noturnos de cidades mequetrefes;

5 - E não tenho dúvida de que a grande virtude da obra de Toledo Hungaro é justamente a veracidade com que ele consegue narrar o habitat dos "grandes players" capaz de colocar seus leitores diante grandes negociações e explicar a partir de sua ficção os meandros pouco nobres do capitalismo, um local para feras dominantes;

6 - E não há na obra julgamento de valores ou preocupações humanas, o que a torna ainda mais realista pois nos joga um universo semelhante a uma selva em que os mais fortes vencem sem quaisquer remorsos ou crises de ética, tanto é que seu próprio protagonista, uma figura erudita e sofisticada é apenas mais uma alma neste universo para além dos simples mortais, e que vive e gosta de viver neste universo o qual compreende tão bem;

7 - Tanto é que temos aqui um desfecho interessante, longe do típico romance policial, pois a obra avança de crime ou castigo, apenas personagens locomovendo-se e busca de seus objetivos de certa forma que ao fim temos a sensação de que ganham todos, mesmo os caçados;

8 - Todavia, a despeito de tantos elogios, vale dizer que novas edições poderiam ter potencial de melhorar ainda mais a obra, inclusive na disposição gráfica visto que em alguns momentos a disposição dos diálogos e recortes indevidos de parágrafos truncam, contudo sem prejudicar o contexto global deste ótimo romance;

9 - Portanto, em tempos de tantos escândalos nacionais e mesmo internacionais, podemos dizer que esta obra desnuda o sistema financeiro de forma bastante autêntica e com personagens que nos parecerão muito reais numa narrativa marcada pelo planejamento e pela ação no campo da aplicação retratando um grandioso golpe que têm suas réplicas e familiares em cada canto deste mundo;

10 - Enfim, quando se trata de narrativas policialescas, não tenho medo de ousar a dizer que Toledo Hungaro é um dos mais competentes brasileiros, mesmo com as peculiaridades de seu romance que não encaixar-se-ia num modelo padrão, mas que ainda assim está claramente para uma novela policial ambientada nas altas esferas financeiras com ritmo e engendramento muito bem elaborados que fazem de sua obra, certamente uma das melhores do gênero entre autores brasileiros, e isso de forma única e original.





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