10 Considerações sobre O Tom Ausente de Azul, de Jennie Eldar, ou porque a felicidade é filosófica...

Hoje tem Resenha da Patroa no Listas Literárias, e a Gi publica suas 10 considerações sobre O Tom Ausente de Azul, de Jennie Eldar publicado pela editora Bertrand Brasil, confira:

1 - Em O Tom Ausente de Azul temos de fato uma jornada filosófica através da trama de Edgar que viaja para a Escócia a trabalho e nesta viagem por meio de seu encontro com o casal Sanderson e Carrie abre as portas para a filosofia e debates essencialmente humanos;

2 - É que Sanderson é um filósofo e através de seu posicionamento sobre as coisas o livro vai debatendo suas questões ao passo que ele abre-se com Edgar revelando todo seu ceticismo, amargura e também sua natureza contraditória;

3 - Dentre outras discussões presentes na obra está a felicidade a nossa busca constante por ela. No romance sua existência ou até mesmo sua concepção é debatida com exaustão, especialmente através do contraditório em que a busca pela felicidade dá-se pela infelicidade sempre presente;

4 - A questão religiosa também aparece nas discussões filosóficas do livro discutindo crenças, fé, e sobre no que acreditar ou não;

5 - Assim, O Tom Ausente de Azul com certo vazio nos sentimentos das personagens, que embora complexas parecem procurar por algo que as preencha ou as complete ausências perceptivas, desta forma aborda dúvidas essencialmente humanas;
















6 - Portanto, é uma narrativa complexa e exigente que demanda atenção total ao texto pois suas palavras carregam sempre fortes sentidos, bem como uma carga de intensidade, e assim se arrasta de forma lenta porque precisamos deglutir a filosofia presente nas vozes de suas personagens, estas sempre questionadoras e inconformadas;

7 - Esta complexidade e peso narrativo também se dá através das ações e escolhas de suas personagens, bem como por meio de suas escolhas e decisões que nem sempre estão ligadas aos fatos, mas sim a suposições... Isto acaba por expor todas elas - as personagens - de forma desnuda diante da leitora;

8 - E é esta soma que torna a leitura um tanto pesada, pois é uma obra que contraditoriamente ao buscar pela felicidade e amor, passa seu grande tempo mergulhada em insatisfações, desconfianças, amargura e tudo isso carregado com grandes doses de tristezas, já que o foco está no ausente, e não no todo resto presente;

9 - O livro ainda fala muito do amor. Não necessariamente por atos ou realizações, mas sim sobre a influência deste sentimento sobre nossa própria humanidade. É justamente sobre o caráter modificador deste sentimento que a grande ausência do livro acaba abordando;

10 - Enfim, O Tom Ausente de Azul além de muito filosófico, exige bastante da leitora, especialmente porque sua narrativa amarga e de uma sombria tristeza é muito íntimo. Assim, é uma leitura que demandará atenção e observação porque afasta-se dos romances comuns sendo um texto para leitoras que pretendem ir além do simples entretenimento. Pode ser uma jornada desgastante, no entanto é um mergulho em questões intrinsecamente humanas.



10 Considerações sobre O Tom Ausente de Azul, de Jennie Eldar, ou porque a felicidade é filosófica... 10 Considerações sobre O Tom Ausente de Azul, de Jennie Eldar, ou porque a felicidade é filosófica... Reviewed by Douglas Eralldo on domingo, abril 12, 2015 Rating: 5

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