domingo, 21 de setembro de 2014

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10 Considerações sobre a cor do leite, ou porque a vida é bruta

O Blog Listas Literárias leu a cor do leite, de Nell Leyshon, publicado pela Bertrand Brasil; neste post as 10 considerações sobre o livro:

1 – a cor do leite, de Nell Leyshon, é uma leitura incrível e impactante onde a brutalidade se dá física e psicologicamente numa história comovente que surpreenderá e chocará seu leitor;

2 – O livro surpreende o leitor em seu primeiro parágrafo, a partir dele não há mais como se desconectar com a história que Mary, a narradora nos conta, de forma urgente e despejada como se algo muito ruim a esperasse ao fim da narração;

3 – E a primeira grande surpresa que o livro nos apresenta é justamente a forma narrativa a qual Nell Leyshon escolhe para Mary. Num primeiro momento nos causa estranhamento, por fim a forma verborrágica a qual é transportada para escrita, acaba por dar um grau poucas vezes visto de verossimilhança, deixando a voz de Mary absurdamente real, em sua forma quase infantil de escrever, algo muito apropriado para alguém recentemente apresentada às letras;

4 – Ambientado entre os anos de 1830 e 1831 o drama de Mary é de uma crueza e brutalidade absurda até mesmo para sua época. Uma história que nos apresenta a falta de cidadania e de direitos essenciais, numa sociedade em que o homem chefe da família é soberano até mesmo em suas piores atrocidades;

5 – Por outro lado, a parte final do livro, quando Mary enfim nos revelou o que queria revelar, surge algo de certa forma antagônico, mas que reforça na trama que a família, embora com seus valores próprios questionáveis, se coloca acima de tudo; isto fica claro quando o próprio pai, o sujeito horrível que se apresenta no livro, de certa forma busca ajudar a filha;



















6 – a cor do leite em seu enredo apresenta o encurtamento das escolhas; fala de situações que nos são colocadas e que delas não há como escapar, especialmente no caso de Mary, uma jovem de apenas 15 anos, sob as regras da família;

7 – Convém destacar que a argúcia e o gênio forte de Mary dão distintos contornos ao livro, que ao longo da narrativa acaba por suavizar o drama com sutilezas de humor, que em determinada situações, brevemente fazem o leitor esquecer da crueldade que acontece com Mary;

8 – Aliás, este balanço narrativo conversa intimamente com a própria trajetória de Mary, cujo destino em determinados momentos dá sensação de haver esperança.

9 – Ao final da obra, Mary nos revela o que torna tão urgente a necessidade de contar sua história, num desfecho que só reforça a crueldade presente nas pessoas, seja da sua forma mais explicita, seja por meio das dissimulações;

10 – Enfim, a cor do leite, é uma história viva e contundente que agrega todos os elementos para tornar-se um grande clássico da literatura.



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