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10 Considerações sobre Stalker, de Lars Kepler ou sobre fechar as janelas imediatamente

O Blog Listas Literárias leu Stalker, de Lars Kepler [pseudônimo do casal de escritores Alexandra e Alexander Ahndoril] publicado pela editora Alfaguara; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira [Atenção: temos um spoiler inescapável nesta avaliação e ainda que possa ser algo implícito, melhor seguir se tiveres certeza]:

1 - Dentro de seu gênero o romance certamente cumpre ao que se dispõe, deixando-nos com uma trama cuja tessitura vai unindo os fios da teia ao passo que nos surpreende, entregando altas doses de adrenalina, uma história um tanto macabra mas dentro de todas as possibilidades do real e ainda personagens críveis que conquistam nossa adesão de imediato, de modo que aos fãs do suspense e da literatura policial é leitura imperdível;

2 - Aliás, nunca é demais aqui destacar e reforçar a força da literatura policial nórdica. Sob a superfície de seus mundos aparentemente perfeito as selvagerias primitivas e o submundo, pelo jeito, resistem, e inspiram tramas altamente tenebrosas e que exploram as facetas mais trágicas e cruéis da humanidade, caso desta obra que assim como outras obras nórdicas mergulha no perverso e no abjeto sendo que ao mesmo tempo que resume-se a busca por um serial killer, no plano de fundo percorremos os ambientes perigosos do mundo do tráfico, das máfias e às deturpações que não livram ninguém;

3 - Neste livro temos o retorno de Joona Linna, o protagonista das obras de Kepler. Bem verdade que o policial demorará a surgir no enredo devido a acontecimentos pregressos, todavia a citação é indispensável, pois que ainda que a obra tente trazer certo protagonismo a Margot, será na verdade Linna que avançará na perseguição o serial killer conhecido como Pregador Impuro. Nesse sentido, o romance só existe pelo ressurgimento do policial aparentemente morto, pois ao encarnar um típico investigador noir, tendo de ir inclusive contra a própria lei, Joona Linna é que com perspicácia e algum teimosismo é que conseguirá unir as pontas soltas de uma série macabra de assassinatos;

4 - No vórtice dos acontecimentos a policial Margot Silverman às voltas com um assassino provocativo que não apenas stalkeia suas vítimas antes de matá-las com extrema violência, envia os vídeos de seu voyeurismo para a polícia e o psicólogo e hipnotista Erik Bark que é chamado para colaborar nas investigações, mas para além disso, acaba trazendo elementos do passado para a rede de acontecimentos do presente que embaralha ainda mais as cartas;

5 - Nesse aspecto podemos dizer que o romance é bastante exitoso. O embaralhar das desconfianças e das certezas são importantes para o romance policial de modo que co sabor dos acontecimentos do livro os leitores adentrarão um interessante mecanismo de reviravoltas, sendo possível dizer ainda que com boa possibilidade de ser pego de surpresa quanto à origem e autoria dos assassinatos;

6 - Além disso, somado às reviravoltas e revelações do romance, o campo da ação converge com perfeição para a demanda do gênero. Trata-se de obra muito elétrica e cuja linearidade da tensão vai explodir ao fim em momentos importantes de acertos e de enganos em que a ação levará ao máximo a adrenalina, e isso, para um thriller, é essencial;

7 - Do mesmo modo vale dizer que a fonte dos crimes adentra a um espaço que não se finda no conjunto social da humanidade. Podemos evoluir e nos civilizar ainda mais [embora está década não me deixe certo disso] mas haverá sempre uma parcela, que esperamos sempre muito pequena, das patologias. No caso do romance as perversões, obsessões e deturpações a que alguém pode ficar exposto. Aliás, embora o título aponte-nos para a questão do stalker, não sei se de fato tal conceito caracterize melhor o serial killer trabalhado no antagonismo deste romance policial. Parece-me que o stalkeamento acaba sendo usado apenas como ferramenta para obsessões outras, como veremos ao fim dos esclarecimentos do inquérito;

8 - Aliás, vale destacar que talvez o leitor e leitora mais atento percebam que os autores ampliam as provocações sobre o stalkeamento. Uns mais sutis, outros mais escancarados, veremos em diferentes personagens, inclusive protagonistas, diferentes propensões ao modo stalker de convívio social. Alguns inclusive mostrarão-se bastante detalhistas em suas observações, talvez em parte para inculcar nos leitores pistas falsas quanto ao inimigo a ser descoberto;

9 - Ademais, isso tudo posto, o livro tem aquele efeito de por pequenas paranoias ao leitores. No fundo acaba transformando janelas em objetos de preocupação e angústia, algo que com o avançar dos acontecimentos irá contaminar muitos dos personagens. Com cidades cada vez mais enormes e pessoas cada vez mais isoladas o romance aponta para que há os que espiam pelas janelas, nos mostra que podemos estar sendo observados sem saber que provavelmente ao final da leitura haverá leitores que darão aquela puxadinha na cortina;

10 - Enfim, Stalker como dito cumpre bem os desígnios do gênero. Com uma trama envolvente e tecida com habilidade por Lars Kepler tem o valor da surpresa e da reviravolta numa trama cuja dose de suspense e adrenalina é bastante alta. Para os fãs de literatura policial o romance alcança todos os seus objetivos.



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