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7 Considerações sobre Contos de auto ajuda para pessoas excessivamente otimistas

O blog Listas Literárias leu Contos de auto ajuda para pessoas excessivamente otimistas, de Luís Fernando Amâncio (obra em 3º lugar no prêmio Literacidade); neste post as 7 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - A natureza enxuta do pequeno livreto é o que nos leva analisá-lo numa lista de 7 componentes [são pouco mais de 50 páginas], no entanto, a questão do tamanho do livro não condiciona a sua qualidade, e os contos que reúnem-se nesta seleção muitos são de boa qualidade e nos levam por um caminho marcado por ambiguidades e ironias;

2 - E não são poucos os contos presentes na obra, ao todo são 28 trabalhos que por si demostram claramente a preponderância das narrativas bem curtas, e a nosso ver, quanto mais curtas, melhor o desempenho do autor que no volume traz contos de tamanhos distintos, não passando, porém, em geral das quatro páginas, e outros cuja extensão não passam de um parágrafo [bem curto];

3 - É nestes trabalhos de parágrafo, às vezes três ou quatro linhas, que encontraremos os melhores exemplos de obras no livro. Os microcontos não apenas pela concisão, mas sim pela subjetividade e pelas nuances de ofuscamento tão caras ao bom desenvolvimento literário, encontraremos contos que não são drops, talvez mais pequenas marteladas bastante consistentes na impressão do leitor. Nesse estilo o autor aponta para zonas mais cinzentas, mais nebulosas e abertas a muitas possibilidades, o que para literatura é qualidade;

4 - Já quando o material é um pouco mais extenso parece-nos que se cobrem de certa simplicidade e ingenuidade com obras um pouco mais imaturas no sentido de construção de estilo, quase sempre dependentes da quebra de expectativa que seus finais procuram apresentar ao leitor num jogo de espelho com imagens falsas. A bem da verdade em seus contos um pouco maiores há sempre certo esquema de plantar uma ideia para ao fim apresentar outra como tática de causar aquele arrebatamento final que por vezes torna autores refém desta espécie de "regra" do gênero;

5 - Dito isto, no geral os contos mergulham no mundano do cotidiano de vidas comuns. Do compositor que morre pela fonética ao trabalhador apaixonado por uma "dama da noite", quase todos eles marcados pela tinta da ironia, mas uma ironia de toques agridoce, que deixa em seus personagens quase sempre a sensação de algo perdido em meio a um universo sem qualquer resposta. Na verdade poderemos perceber nos trabalhos que tais questões encaminham quase sempre para um signo comum: o das frustrações;

6 - Além disso, em alguns deles esta ironia melancólica que reveste os contos passeia por questões recentes e presentes em nosso memória de uma copa do fracasso a gigantes que acordam quando melhor seria de estivessem dormindo talvez. Nesse sentido perceberemos também em alguns trabalhos as notas de violência e autoritarismo tão demarcadora de uma das identidades desse país;

7 - Enfim, os contos aqui presentes revelam um autor em construção e com grande potencial, especialmente quando traduz seus anseios em não mais que três, quatro linhas, quando suas histórias tomam um vigor de gente grande. No geral é um olhar marcado por melancolia revelada pelo riso triste e por certa descrença no que nos rodeia.


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