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10 Elementos da ficção científica do Século XX que estamos vivendo neste Século XXI

Não é raro encontrarmos por aí alguém falando que estamos vivendo num romance de ficção científica em meio a tantos avanços tecnológicos. E de certa forma faz algum sentido, até porque, se observarmos a ficção científica do Século XX perceberemos que o gênero antecipava (às vezes até alertava) não somente aparatos tecnológicos, mas também comportamentos. Nesta lista alguns destes elementos, não abordados aqui na ótica da futurologia, mas sim tratando da capacidade dos autores de ficção científica de analisarem os aspectos sociais destes avanços no contexto da sociedade, confira:

1 - Produção humana artificial: Não à toa Aldous Huxley é um dos nomes mais influentes do gênero, seu Admirável Mundo Novo (1932) atento aos caminhos da reprodução humana nos apresenta uma sociedade produzida em escala industrial e artificialmente, e mais assustadoramente, com a manipulação genética a entregar á sociedade castas definidas e sem qualquer possibilidade de movimentação. Quase todo cinema do gênero bebe diretamente nas primeiras páginas do livro, de Matrix (1999) aos recentes Cópias (2018) e I am mother (2019). Hoje essa discussão está cada vez mais quente, especialmente após as experiências com clonagem. Além disso, não como o pesadelo distópico do livro, as técnicas de reprodução humana com suporte da ciência são práticas já consolidadas no apoio à famílias com problemas reprodutivos;

2 - Reposição de órgãos: Se fábricas de seres humanos, embora possíveis, não temos idênticas como pensado na obra de Huxley, embora caminhamos para a possibilidade técnica disso, a reposição de órgãos como vemos, por exemplo, em Espere agora pelo ano passado, de Philip K. Dick é uma das realidades bem presentes na ciência médica, como os transplantes de órgãos, técnicas do passado, mas que neste século avançam para o disposto na obra de Dick, através da reposição de órgãos artificiais em larga escala;

3 - Os robôs: Ah sim, o que não falta na ficção científica são robôs, muitos deles, de Isaac Asimov a Dick e Douglas Adams. Os robôs são vistos sob diferentes prismas, mas parece-nos certa predominância da desconfiança e do medo. E são o robôs, talvez, os elementos da ficção científica com os quais mais convivemos neste século. Nem todos são aquelas criaturinhas humanoides, às vezes apenas um útil eletrodoméstico, ainda assim um robô. Mas se nem todo mundo convive com robozinhos tipo Marvin, embora existam uns quantos, não há cidadão que não tenha falado com algum bot, os robôs digitais, hoje nas centrais de relacionamentos de sites e no telemarketing. Aliás, recebemos ligações de robôs diariamente, falamos com eles, que agora inclusive estão ganhando identidade já que cada empresa tem procurado dar nome às suas inteligências artificiais, o banco, a operadora de tevê, de telefone... os robôs estão entre nós!

4 - Artefatos tecnológicos: Sim, não raro escritores de ficção científica lá trás descreveram artefatos tecnológicos que são tão parte do cotidiano hoje que não lembramos disso, do Kindle ao telefone, do carro sem motorista aos drones. Boa parte da tecnologia palpável do presente esteve nas páginas de algum conto ou romance de FC;

5 - Vivendo na Matrix: Inclusive a internet, sim essa coisa que era virtual e hoje nos soa mais real do que "o real", afinal, as últimas campanhas políticas mostram que tudo começava e terminava na rede. Se antes a televisão era o sinônimo do fato acontecido, hoje "eu vi no face" faz praticamente a mesma coisa, com a piora de que não necessariamente com a mediação dos fatos, como por exemplo, convencer que tá rolando sacanagem presidencial e pedófila no porão de uma pizzaria. Além disso a vida toda parece existir apenas "no grupo", de modo que (quase) todos hoje vivem e baseiam-se pelo que "foi postado no grupo". Esse é um aspecto que veremos tratado lá nos anos 80 e os romances de Cyberpunk, especialmente Neuromancer, de William Gibson que influencia obras como O Fantasma do Futuro (1995) e Matrix (1999);

6 - Transumanismo: Essa simbiose entre máquina e humanidade também é tema recorrente da ficção científica, até eu me arrisquei a criar uma história nesse campo, a partir de uma série de leituras e filmes. No cinema tem aumentado obras nesse aspecto com o interessante Transcendence e o não tão interessante, mas com algumas questões, Cópias ou A vigilante do Amanhã, live action - remake menos ambicioso que a animação O Fantasma do futuro. O fato é que caminhamos a passos rápidos para inserir nossas consciências numa rede ou numa máquina. Elon Musk diz que vai fazer isso até 2020, anúncio com muito barulho, se comparado com a atenção para o trabalho de Marcelo Nicolélis, que vem projetando e pesquisando isso há algum tempo e com grandes avanços;

7 - Guerras espaciais: Especialmente a ficção científica da metade do Século XX é bastante influenciada por seu contexto social e histórico, nisso a corrida espacial e a Guerra Fria. Autores como Robert A. Heinlen e Philip K. Dick e Ray Bradbury mostram a terra em combates espaciais, o que está cada vez mais próximos com os anúncios americano e francês de criação de forças espaciais em seus exércitos, prato cheio para os teóricos da conspiração;

8 - Controle total: O pesadelo de Orwell chegou, mas incrivelmente todos o vivem como se fosse um sonho edílico. O fato é que hoje podemos ser controlados de maneira plena, seja pelos governos, seja pelas indústrias do marketing dirigido. Isso sem falar da China. Não precisa fazer muito esforço para encontrar informações sobre as formas eficientes de monitoramento das pessoas, sem falar da NSA com seu escândalo real com Snowden muito semelhante a um Fortaleza Digital, de Dan Brown;



9 - Mundo autoritário/totalitário: Enquanto parcela do mundo via o Seculo XXI como uma utopia do processo civilizatório da humanidade, com democracias mais plenas e plurais, pessimistas distópicos como Orwell, Bradbury, Gibson, Zamiatin e principalmente Huxley que tendia a ver o Século XXI como dominado por estados totalitários é que parece estarem levando melhor na aposta. E essa década e o avanço da extrema-direita pelo mundo tem demonstrado isso. Com ditaduras cada vez mais fortes e democracia claudicantes, é bem possível que as distopias da FC do Século passado nos ajudem a entender o momento bem melhor do que analistas políticos;

10 - Além do globo: Uma Segunda corrida espacial parece estar em voga. A lua, objeto de desejo desde Verne, isso ainda no Século XIX, e Marte, outra obsessão humana, convivemos diariamente com notícias do espaço de da jornada humana para além da esfera azul. Curiosamente esse mesmo mundo que rompe tais fronteiras, vê crescer em escala global pessoas a acreditar que o planeta é o mesmo de Piratas do Caribe, o Baú da Morte.

Vamos discutir essas questões? Comente outros pontos que podemos ter deixado escapar nesta análise.         

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