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7 Cagadas (literalmente) da literatura

Não é de hoje que advogamos que a literatura discute tudo, mas tudo mesmo que possa estar relacionado à nossa condição humana. E nada mais humano e natural que o ato de cagar, do verbo defecar para situações mais formais. No post de hoje (nem venha nos falar que ficou uma bosta) tratamos de 7 momentos em que a literatura trata ou representa a mais mundana - mas necessária - ação do ser humano: o ato de cagar (literalmente):

1 - Embosteamento compartilhado: Já tinha abordado de leve o assunto nesse post com 7 cenas escatológicas, entretanto, hoje a questão é mais específica. Para abrir a lista a cena que despertou a necessidade de escrever logo este post, descrita por Roberto Saviano no capítulo de abertura de Os Meninos de Nápoles descreve literalmente o embosteamento perpetrado por Nícolas a um "rival" amoroso. A cena é pra lá de escatológica, mas não trata-se disso, e sim da subjugação do mais fraco, da humilhação imposta e ampliada com o compartilhamento nas redes sociais. Sabem aquele ditado "cagou por cima"? No livro é literalmente o que ocorre;

2 - Na colcha: O ato de defecar não raro esta imbuído de contextos políticos. O extrapolar da violência, a mensagem máxima de rebeldia e desesperança. Talvez seja um pouco disso que leva a um dos marginais/marginalizados no conto Feliz Ano Novo de Rubem Fonseca a por uma colcha bem alisada na cama de uma casa durante assalto, para depois cagar sobre ela e limpar a bunda com a colcha;

3 - O ovo de ouro: Em Os Cus de Judas não são raras as cenas de escatologia que combinam com a desolação humana narrada pelo livro. Numa destas cenas o narrador dirige-se a Sofia descrevendo literalmente sua cagada "instalado no sanitário como uma galinha abanando as nádegas murchas" para então depositar seu "ovo de ouro", na verdade "um rastro ocre de merda";

4 - O mundo é uma merda: Quem já não ouviu esta expressão, não é mesmo? Já que estamos numa seleção com desbocados e despudorados da literatura não poderíamos deixar Bukowski de fora que em Misto Quente faz algumas referências às cagadas, mas nenhum mais genial que talvez a concepção de mundo ácida "a terra inteira não era nada além de bocas e cus engolindo, cagando e fodendo";

5 - Laranja Marrom: As fezes, o defecar, enfim, essa sempre alusiva mensagem à degradação social e humana também está presente em algumas passagens de Laranja Mecânica. Numa dessas passagens, Alex na prisão defronta-se com dois velhos, imundos e cagados, talvez uma profecia para seu futuro?

6 - Todo mundo caga: E quando cagar é o que nos resta de democrático? É pelo menos o que restou a Offred em O Conto da Aia a quem o barulho de vasos sanitários trazia algum conforto. "De uma maneira estranha sinto-me confortada, em casa. Há algo tranquilizador com relação a vasos sanitários. Pelo menos as funções corporais permanecem democráticas. Todo mundo caga, como diria Moira";

7 - Serve até para dicas de escrita: Espero que ninguém esteja assustado com o vocabulário de hoje, afinal às vezes produzimos pudores estranhos. Mas cagar é algo bastante natural e, no caso de Stephen King, ajuda até mesmo a produzir importante dicas de escrita: "Uma das piores coisas que se pode fazer é tentar enfeitar o vocabulário, procurando por palavras longas porque tem vergonha de usar as curtas de sempre.12 Fazer isso é como enfeitar seu animal de estimação com roupas sociais. O bichinho fica morrendo de vergonha, e a pessoa que cometeu esse ato de fofurice premeditada deveria ficar ainda mais. Faça agora mesmo uma promessa solene de nunca usar “gratificação” quando quiser dizer “gorjeta” e jamais usar “John parou tempo suficiente para realizar um ato de excreção” quando quiser dizer “John parou tempo suficiente para cagar”. Se você acha que “cagar” seria ofensivo ou inadequado para seu público, fique à vontade para dizer “John parou tempo suficiente para se aliviar” (ou talvez “John parou tempo suficiente para ‘empurrar’”)."
     

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