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10 Considerações sobre O Oitavo Vilarejo, de Gustavo Rosseb, ou por que se ficar a cobra pega

O Blog Listas Literárias leu O Oitavo Vilarejo, de Gustavo Rosseb publicado pela editora Jangada na série As Aventuras de Tibor Lobato; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - O Oitavo Vilarejo, obra que dá início à série As Aventuras de Tibor Lobato é uma leitura que cumpre com seus objetivos, entretendo com diversão ao mesmo tempo que traz novas (re) leituras de figuras tradicionais do folclore brasileiro como o Saci Pererê e o Boitatá;

2 - Diferentemente do que diz a Folha em textos exibido na contracapa falando da aproximação de Harry Potter com o Saci, o livro na verdade nos soa mais como um Monteiro Lobato em ritmo de Thriller, bastante dinâmico, pautado pela ação e pelo movimento constante de suas personagens;

3 - Esse retorno ao universo já trabalhado por Monteiro Lobato, aliás, não nos parece nem um pouco ocasional, pois desde o nome do protagonista da série às figuras folclóricas presentes, ao menos neste primeiro livro da coleção, inegavelmente nos levam ao Sítio do Pica-Pau Amarelo e suas criaturas fantásticas, que no caso do trabalho de Rosseb, contudo, são reelaboradas de forma a construir uma ação mais próxima das narrativas globais;

4 - Tanto é essa percepção de retorno a algo já trabalhado em nossa literatura (e que agora volta a ganhar corpo), que os dois irmãos Lobato, órfãos, precisam retornar ao interior onde irão morar com a avó, elo entre eles, ainda dotados de resquícios de urbanidade, e as criaturas fantásticas das florestas e de um tempo ainda mítico entre nós;

5 - No sítio, então, na tradicional tríade de protagonistas como em Harry Potter, Percy Jackson e outras obras juvenis, completada com o local Rurique, os três viverão aventuras impensáveis e farão descobertas no sentido justamente de trazer de volta à vida o nosso folclore com figuras como o Saci, o Boitatá, a Cuca, entre outras lendárias criaturas do folclore brasileiro;

6 - É quando então nos aproximamos dos thrillers juvenis, pois com uma narrativa bastante dinâmica e veloz, Gustavo Rosseb põe seus personagens em constante movimento e passando por situações ao melhor estilo Goosebumps de modo que leitores adeptos da ação e da aventura certamente curtirão esta aventura nacional;

7 - Contudo, se por um lado temos muitas coisas positivas a observar, não podemos, porém, não podemos deixar de destacar também que em determinados momentos sentimos certa dispersão na narrativa, ao mesmo tempo que nos colocamos diante da dúvida em alguns momentos sobre a escolha entre pressa e agilidade. Além disso, algo muito comum e que a mim ao menos incomoda entre obras nacionais é a presença de alguns anagramas um tanto pobre, como o caso de Seu Icas, que ao subestimar o raciocínio dos protagonistas pode também incomodar a alguns leitores;

8 - Do mesmo modo, desde já reforçando as diferenças em cada um dos trabalhos, todavia a presença imagética das criaturas de Monteiro Lobato ainda é um tanto forte e temos em alguns casos dificuldade de dissociar personagens em alguns casos. Com outros, como o caso do próprio Saci e do Boitatá, a releitura do autor por outro lado obteve bastante sucesso em lhes apresentar de novas formas a partir da originalidade do autor;

9 - Então, no cômputo, há certamente a influência dos sucessos juvenis recentes como Harry Potter, isso contudo em níveis de estrutura, ao cabo que a gênese da narrativa que salta-nos aos olhos é certamente a obra de Monteiro Lobato, que neste Oitavo Vilarejo ganha novos tons e cores de forma que o livro flerta com o passado (temática) enquanto anda no ritmo veloz e urgente do presente;

10 - Enfim, esta é uma divertida narrativa brasileira, especialmente para quem deseja um bom entretenimento com elementos nacionais e figuras folclóricas que há algum tempo não têm visitado as infâncias brasileiras, mas que agora parecem revigorar-se para novas aventuras.



    

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