sexta-feira, 11 de novembro de 2016

10 Considerações sobre Depois do Fim, de Alex Bezerra de Menezes ou por que quadros famosos são um problema

O Blog Listas Literárias leu Depois do Fim, de Alex Bezerra de Menezes publicado pela editora Simonsen; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 – Depois do Fim é um interessante e ambicioso romance nacional que marca a estreia de Alex Bezerra de tal forma que temos a certeza de estarmos diante um nome que além de conhecer a literatura nacional possui grandes recursos estéticos que o colocam num excelente patamar de nossa literatura;

2 – É que o leitor do romance perceberá logo que Alex Bezerra tem compromisso para com o literário, pois sua narrativa é dotada de autenticidade inegável aliada a uma sagacidade e capacidade de leitura de mundo, no caso nosso mundo, pois a brasilidade aqui escorre pelas palavras, que embora pertencente às pequenas publicações, certamente é merecedor das grandes casas editoriais brasileiras;

3 – É porque na verdade estamos diante de um ótimo trabalho de literatura nacional capaz de aliar relevância e valor estético, valor estético, aliás, que vale dizer é também complementado pelo projeto gráfico que lê com muita propriedade a alma do romance;

4 – E o que temos então nesta obra que valoriza-a tanto? Poderíamos começar pelo pano de fundo por qual o narrador-protagonista vai passeando e de forma muito sútil desvelando ao leitor um país em pleno processo de mudança a partir dos anos noventa chegando até os anos dois mil quando u operário chega ao posto máximo do poder da nação;

5 – Todavia a sutileza deste pano de fundo não sobressai-se sobre os dramas pessoais do romance, especialmente do professor universitário e protagonista do romance envolto a uma teia de confusões relacionadas a uma lenda-herança familiar em que um quadro esquecido de Frans Post coloca a girar uma roda de relações ao mesmo tempo que vai servindo de mote a uma grande derrocada;

6 – E tudo isso nos é apresentado pela narrativa opaca do professor capaz de alicerçar sua obra a partir de personagens complexos cujas ações demandam diversas reflexões que não nos abandonarão mesmo após a leitura, além de estabelecerem uma necessidade intrínseca a prestarmos atenção aos detalhes não aparentes, mas que formam a verdadeira gênese do romance;

7 – Além disso, com maestria o autor nos narra de uma forma muito clássica que o aproxima das grandes obras nacionais, pois aqui temos o casamento do lirismo evidente no ritmo da construção de cada oração, de cada linha, casado com a riqueza linguística da coloquialidade que não é negada tampouco escondida pelo autor, algo que dá todo um tempero ao romance ampliando ainda mais a sensação de brasilidade da obra;

8 – Do mesmo modo vale comentar que tais questões já ditas enriquecem o caráter psicológico da narrativa, pois há no romance o convite a compreensão de dramas e questionamentos essencialmente interiores da humanidade que em suas complexidades e olhares internos abrem caminhos para ajudar um pouco mais na busca pela compreensão de quem somos;

9 – Contudo, ainda que tenhamos aqui um grande conjunto de virtudes, se há algum deslize, mesmo que o mínimo é que o leitor mais atento perceberá que embora narrado numa linha temporal crescente do passado para cá com um narrador que conta em seu tempo presente, notamos em alguns momentos que a consciência presente do autor irrompe por sobre o passado ao qual sua personagem vive;

10 – Enfim, Depois do Fim é acima de tudo alta literatura, literatura produzida por um autor que e sua própria obra demonstra conhecer não apenas as técnicas literárias, mas também conhecer dos estudos literários, conhecimento que nesse caso rever beneficamente para o romance, uma obra audaciosa e de grandes perspectivas na literatura nacional que se descoberto pela academia deve render grandes estudos sobre si.



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