10 Considerações sobre A Morte e os Seis Mosqueteiros, de Anatole Jelihovschi ou porque também morre quem atira

O Blog Listas Literárias leu A Morte e os Seis Mosqueteiros, de Anatole Jelihovschi publicado pela editora Jaguatirica; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - A Morte e os Seis Mosqueteiros é o improvável encontro da obra de Dumas com as favelas brasileiras numa trama marcada pela violência e por um pacto formado na infância mas que é destruído pelas circunstâncias sociais e pelas escolhas que são tomadas;

2 - Narrado em primeira pessoa por um dos protagonistas da trama, Zequinha, a obra retrata a vida de seis garotos da favela que firmam um pacto na infância de serem como os três mosqueteiros da história mas cujas escolhas levam-nos por caminhos diferentes, sendo que grande parte do grupo acaba sendo aliciada para o crime;

3 - Portanto, de imediato já podemos perceber que a obra penetra por um terreno abordado com bastante intensidade na cultura recente do país em obras para o cinema ou televisão como Cidade de Deus, Cidade dos Homens, Tropa de Elite, Alemão, etc... Nesse sentido o livro não difere muito destas outras, pois o ambiente é o mesmo e as justificativas e ausências que levam a esta violência são abordadas de forma semelhante;

4 - Ou seja, as personagens do livro se assemelham com outras personagens já vistas, indo daquele que sonha em escapar do inferno aos que aceitam o "o papel de demônio" e jogam o pesado e mortal jogo da bandidagem nas favelas;

5 - Contudo, há no livro algumas fragilidades que precisam ser mencionadas, como por exemplo a incongruência da ligação dos meninos com Julinha (a tida menina rica), que embora amenizadas as diferenças sociais no longo da trama, soa como improvável a proximidade tão forte dela com os meninos da favela, sendo que a própria narrativa busca distanciar tais mundos;



6 - Acontece que isso tem certo peso para o livro visto que a narrativa é dependente desta relação visto que é a garota que lhes apresenta as principais referências literárias presentes na obra, no caso, Os Seis Mosqueteiros e O Fantasma da Ópera;

7 - Além disso, acredito que nesse tipo de obra a linguagem pode auxiliar ou comprometer o trabalho. Por exemplo, no caso da narrativa feita por Zequinha, em maioria dos momentos se busca pela linguagem coloquial das favelas, contudo em momentos como o uso dos pronomes oblíquos nas regências do imperativo, a narrativa acaba pendendo para a gramática e não fazendo valer a variação linguística presente na maioria das falas dos brasileiros;

8 - Ressalte-se ainda que a narrativa de Zequinha em alguns momentos também se mostra incongruente, sendo que se por um lado ele busca apresentar-se como alguém de boas intenções, um sujeito consciente de seu papel e da busca pelo certo, por outro, em dados momentos da narrativa ele assume algumas posições machistas que o prejudicam diante do leitor;

9 - Dito isto, ao leitor deve ser dito que encontrará um universo bastante debatido, porém nesta obra, com sua própria originalidade e a sua voz para narrar a violência e a opressão imposta aos habitantes de comunidades, pois o livro consegue ser eficiente nessa ambientação em que a grande maioria é posta como refém no centro de uma briga que é dos outros;

10 - Enfim, A Morte e os Seis Mosqueteiros é uma obra que te leva até o final da leitura com um escalonamento da violência, esta que por fim, acaba subvertendo a todos construindo assim uma verdadeira selva da qual a única solução (pelo menos proposta pelo livro) é a sobrevivência.

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10 Considerações sobre A Morte e os Seis Mosqueteiros, de Anatole Jelihovschi ou porque também morre quem atira 10 Considerações sobre A Morte e os Seis Mosqueteiros, de Anatole Jelihovschi ou porque também morre quem atira Reviewed by Douglas Eralldo on segunda-feira, janeiro 18, 2016 Rating: 5

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