Quem acompanha o blog há algum tempo sabe que Douglas Eralldo, leitor de Mutarelli. O autor foi tema de minha pesquisa no mestrado e agora é o centro da minha tese de doutorado. Embora não seja o fato mais relevante na obra de um autor, suas leituras e influências importam quando queremos olhar mais a fundo as ideias que abastecem a criatividade de alguém. Neste post selecionamos 10 escritores que volta e meia estão mais do que presentes nas obras do escritor paulistano [em O livro dos mortos essas influências inclusive geram 193 notas de rodapé]. Confira a lista com 10 escritores que influenciam - e muito - a literatura de Lourenço Mutarelli:
1 - Aleister Crowley: Volta e meia os personagens de Mutarelli flertam com as conspirações, com o obscurantismo e remetem a um Lúcifer enquanto potência criativa. Ocorre que os textos desse "guru" que moldou muitos pensamentos, especialmente nas décadas de 70 e 80, volta e meia dá as caras pelas obras de Mutarelli, e, especialmente em O filho mais velho de Deus (2018) e O livro dos mortos (2022) "sua lei" é citada. Mas, mais que simplesmente estar presente em sua literatura, é possível perceber que de algum modo Crowley molda o pensamento de Mutarelli, assim como moldou Raul e Paulo Coelho;
2 - Jorge Luis Borges: O labirinto de Borges e também suas concepções quanto ao vazio presente nas realizações, o unending gift, estruturam seu pensamento - e narrativas. Borges está presente em Mutarelli desde O cheiro do ralo (2002) e em O livro dos mortos (2022) não só é referência citada, como parece influenciar o labirinto que Mutarelli eleva nesta narrativa;
3 - Glauco Mattoso: Dentre os escritores brasileiros, Mattoso certamente está entre os mais citados por Mutarelli em seus romances, de Modo que Glauco é sempre uma presença nas narrativa, especialmente pela forma como o autor trabalha com a questão da portografia;
4 - William S. Burroughs: Outro autor que costuma aparecer bastante nas narrativas de Lourenço Mutarelli, sendo, inclusive, peça relevante em um dos trabalhos mais aclamados do escritor brasileiro, A arte de produzir efeito sem causa (2008). My education é uma das narrativas citadas em O livro dos mortos (2008) enquanto busca diferenciada de produzir algo biográfico;
5 - Franz Kafka: Mutarelli inclusive assina uma versão de colecionador de A metamorfose. Os dois se conectam de tal forma que os elementos kafkanianos estão integrados à estética de Lourenço Mutarelli. Além disso, em muitos casos as referências estão explícitas nas obras, como em O livro dos mortos (2022);
6 - A turma da filosofia: Lourenço Mutarelli lê muita filosofia como podemos ver nas notas de rodapé de O livro dos mortos (2022). Aliás, Mutarelli está para além do termo erudito [na real, precisamos criar uma palavra para aquele que tem erudição, no sentido mais lembrado da coisa, mas também erudição popularesca, pois Mutarelli coloca em uma única obra, da filosofia à carteira de cigarro, baralho de tarô, tv a cabo, internet, etc... isso é muito mais que erudição], e entre suas leituras diferentes filósofos como Schopenhauer, Nietzche, David Hume, Heidegger, entre outros. O que não faltam são filosofias nas obras de Mutarelli;
7 - Antonin Artaud: Entre os teatrólogos, este é um dos mais impactantes na literatura de Mutarelli, uma literatura do absurdo. O teatro do absurdo de Artaud inclusive surge como solução ao não menos absurdo Jesus Kid (2004). O teatrólogo aparece ainda em outras obras do autor, mas também, para a além da simples referência, o absurdo está entranhado na estética mutarelliana;
8 - Johann Wolfgang von Goethe: Não poderia deixar de fora essa influência que volta e meia surge em seus livros e que, a nosso ver, impulsiona o pensamento de Mutarelli de tal forma que a mitologia fáustica [aliá, tema de minha tese que está sendo finalizada] atravessa toda sua bibliografia. Em O livro dos mortos (2022) Goethe é citado muitas vezes. Mas não só na literatura, em sua HQ O astronauta o Fausto também está lá;
9 - Valêncio Xavier: A literatura vanguardista e experimental de Xavier por certo impactaria na forma de Mutarelli pensar a arte e é outro autor brasileiro constantemente lembrado em suas obras, isso desde O cheiro do ralo (2002);
10 - Kurt Vonnegut: Encerramos a lista com este autor norte-americano entre a ficção científica e as narrativas sociológicas que aparece em muitas obras de Mutarelli. inclusive textualmente. Mas antes de encerrar este post devemos dizer que essa é uma peque. mas pequena mesmo, amostragem de autores que de uma forma ou outra estão em constante diálogo com a literatura de Lourenço Mutarelli, já que o velho é uma máquina antropofágica de leitura, sejam romances, quadrinhos, peças teatrais, músicas, filmes, carteiras de cigarro, artes plásticas, papipros mediavais, literatura ocultista...
