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10 Considerações sobre O Bom Partido, de Curtis Sittenfeld, ou histórias de amor são eternas

O Blog Listas Literárias leu O Bom Partido, de Curtis Sittenfeld publicado pela editora Essência. Neste post as 10 considerações da Gi sobre o livro, confira:

1 - Antes de mais nada, preciso dizer que não li (ainda) a obra original, Orgulho e Preconceito, da qual O Bom Partido faz uma releitura divertida, um tanto maluca e com os elementos do nosso presente. Por isso, as discussões aqui feitas tratam desta obra especificamente, ainda que o conhecimento já  universal do romance de Jane Austen auxilie a construção de relações entre os dois livros;

2 - Como na trama que inspira esta releitura, O Bom Partido narra as aventuras e desventuras da família Bennet e suas cinco irmãs, uma diferente da outra, entretanto, unidas num pensamento comum: o desinteresse pelo casamento, o que, claro, acaba enlouquecendo a mamãe Bennet que ainda vê no casamento uma instituição importante - e necessária;

3 - Especial preocupação da mamãe Bennet são as filhas mais velhas, Liz que aos 38 anos trabalha numa revista famosa e nem cogita casar e Jane, moradora de Nova Iorque que embora não pense em casar, carrega o desejo de ser mãe. Depois de uma vida encaminhada, as duas acabam tendo de voltar à cidade da família e à casa, onde encontram a família desmoronando, e as ruínas tocando o espaço físico e espiritual;

4 - Na verdade ao retornarem para casa, as irmãs Bennet se deparam com esta situação pelo preço que está sendo cobrado pelo modo de vida da família, cujo casamento dos pais vive já apenas de aparências, e que procura viver dentro e pelos preceitos da sociedade e suas cobranças, além do gostos exuberantes, e a já reconhecida intenção da Sra. Bennet em casar as filhas com algum bom partido, a despeito das décadas que separam Jane Austen e Curtis Sittenfeld;

5 - Assim, quando Chip Bingley, um famoso médico que participara de um reality show, Bom Partido, e participa de um churrasco com as tradicionais famílias de Cincinnati, interessa-se rapidamente por Jane. O interesse mútuo entre os dois então contrasta com o "ódio" imediato entre Darcy, médico colega de Chip, e Liz, revivendo assim o romance "gato e rato" que caracteriza a relação entre os dois;

6 - Trata-se portanto de uma narrativa que nos demanda atenção, pois é cheia de alternativas e personagens, e além da centralidade da personagens Liz e Jane, o romance traz suas histórias paralelas como os arcos narrativos das outras irmãs Bennet, reunindo todas as fofocas e os problemas de uma cidade pequena, sendo que o livro consegue trazer um bocado da perspectiva das cinco irmãs Bennet;

7 - Nisso a autora mostra também as diferentes relações e construção de laços entre as irmãs Bennet, sendo que cada uma delas constrói suas próprias proximidades, sendo que cabe a Mary a mais deslocada do grupo, tida como estranha da família, um tanto antissocial e interessada apenas pelos estudos;

8 - Assim, do que reconhecemos universalmente de Orgulho e Preconceito (para quem não o leu), pode-se dizer que a estrutura é a mesma da obra já clássica de Jane Austen, sendo que a diferença mais gritante mesmo seja o contexto presente do Século XXI, pois no restante a obra trata e fala das mesmas questões, inclusive com a centralidade do casamento no debate;

9 - É portanto as histórias de amor que se repetem, com seus encontros e desencontros e cujas personagens relidas aparentemente possuem um bocado do material que lhes dá origem, e consegue narrar as aventuras malucas destas cinco irmãs, que talvez se comparadas com as irmãs Bennet originais, não sejam exemplos tão a frente de seu tempo. Esta talvez a questão mais contrastiva entre releitura e obra original, pois as Bennet de Austen eram mulheres a frente do tempo histórico que viviam, enquanto as Bennet de Sittenfeld são mulheres habitantes de seu próprio tempo histórico;

10 - Enfim, é uma leitura divertida (que inclusive estimula o desejo de quem não leu a obra original, o fazer), cujos personagens adquirem suas personalidades próprias, inclusive a chatice de Darcy, que não nos conquista de todo. Uma obra que desperta diferentes sensações em sua leitora, equilibrando-se entre a leveza de certos momentos e irritação noutros. Mas no computo geral é boa leitura, capaz de nos divertir.


  

  


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