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10 Considerações sobre O Coração na Linha Inimiga, de Elisabeth Constantino

O Blog Listas Literárias leu O Coração na Linha Inimiga, de Elisabeth Constantino publicado pelo selo Talentos da Literatura Brasileira da editora Novo Século; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 - De temperos adocicados e tendências ao melodramático, O Coração na Linha Inimiga retrata um romance improvável por meio de personagens tratadas de forma bastante diversa do que se pode acompanhar em obras semelhante, sendo um peculiar romance com a Segunda Guerra de pano de fundo;

2 - Mas antes de adentrarmos a elementos que talvez observarei com maior criticidade nos próximos itens, Elisabeth detém uma escrita de ótimo nível, e mesmo que de modo geral não me agradem narrativas no presente do indicativo, a escolha da autora e executada com domínio e sua trama enquanto enredo é de um todo crível;

3 -  Dito isto, e do mesmo modo que alerto que tais posições dão-se em ambiente crítico, pois conforme a abstração do leitor um mesmo seu interesse e intenção, os apontamentos aqui perdem relevância, a obra embora bem planejada, executada nos bons domínios da escrita e enredo, reúne no ambiente do literário aspectos que não passam despercebidos do leitor enquanto fragilidades;

4 - A primeira seja talvez o pano de fundo. A Segunda Guerra é um tema recorrente não só nas publicações sobre história, sociologia, etc mas também na ficção, o que em contraste inevitavelmente revelará que o ambiente neste específico romance surge de forma longínqua e até mesmo pouco crível, e aí chega-se às personagens. O que quero dizer é que o ambiente e da forma como surge a guerra e seus personagens impacta na verossimilhança, especialmente dentre leitores habituados à temática;

5 - O romance traz uma mocinha com traços do romantismo do Século XIX, filha de militares ingleses em ambiente pré-guerra e que em determinado momento em campo alemão realizam até mesmo bailes sociais juntando soldados de ambos os lados, além doutros acontecimentos improváveis;

6 - Mas provavelmente o que nos chame maior atenção seja a constituição de sua protagonista cujas ações com o tempo revelam determinadas inconsistências que irão impactar não só a verossimilhança, mas que talvez criem rupturas à aproximação leitor\personagem;

7 - Na verdade, Jane de uma primeira parte totalmente parva, às vezes às raias do tolerável, visto sua visão de mundo bastante ingênua e infantil, de repente precisa assumir nova identidade e habitar núcleos hostis, nos quais caminhará com desenvoltura, mais uma vez esta palavra, improvável;

8 - Penso que tais elementos acabem inclusive sendo frutos da escolha do ritmo frenético que a autora procura dar à narrativa, sendo tudo muito intenso, rápido. Essa escolha se por um lado torna tudo tão dinâmico e mutável, por outro acaba prejudicando a possibilidade de abordar as questões com maior complexidade;

9 - Tais questões, mais uma vez, acabam sendo refletidas pela protagonista, e evidenciam-se pelas abruptas mudanças que ela passa, da mocinha um tanto parva dos primeiros capítulos a alguém que supostamente perde a família em solo inimigo e aguenta tiroteios e corpos sem grande golpes traumáticos em suas ações e conduta. Isso só já daria consequências que não aparecem na trama, que além de falar da forma simplificada com que ela consegue sobreviver em terreno inimigo a despeito de todo seu pouco preparo impactam novamente a verossimilhança;

10 - Enfim, como disse, o romance é bem escrito, tem público alvo direcionado e conforme a abstração dos leitores, os apontamentos aqui não seriam relevantes. Trata-se de uma história de amor até bastante tradicional envolvendo impossibilidades e possibilidades de viver tais romances e que não se levando a sério demais os elementos históricos envolvidos poderá atrair leituras.


   

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